Guerra & Terrorismo
Desde tempos imemoriais fazem-se guerras. O propósito é sempre o mesmo: uma nação sobrepondo-se à outra, sempre por interesses econômicos. Significa dizer: são os cientistas bélicos, os negociantes de armamentos, políticos e diplomatas que muito estimulam essa tragédia. Enquanto milhares morrem, eles tornam-se bem de vida e até milionários, coisa típica do mundo capitalista em que vivemos.
A praxe dessa brutalidade, que se confunde com a loucura, vem desde os tempos de Alexandre, o Grande e, séculos depois, do exterminador europeu que foi Napoleão Bonaparte. Nesse tempo falava-se desses matadores como sendo heróis da “arte da guerra”, mas pouco ou nada dizia-se dos interesses econômicos e políticos que permeavam suas motivações.
Contudo, o lucro com a guerra ainda não era coisa tão nítida, pois confundia-se com o romântico sentimento de patriotismo. Com aquela que foi deflagrada em 1914, acabou-se a história do heroísmo e o lucro passou à linha de frente.
Hoje, morrem milhares de soldados e muita gente inocente, em benefício daqueles que, distantes das trincheiras, seguem ampliando seus arsenais e acumulando dólares nos bancos.
George Bush, por exemplo, inventou a guerra com o Iraque, conforme dizia, para livrar o mundo das garras de um ditador que era Saddam Hussein. Havia por lá, segundo a mídia corrompida, armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.
E qual o verdadeiro interesse de Bush e de seus aliados políticos? Livrar o mundo de um ditador ou avançar no petróleo que naquele país jorra como água?
Claro está que o propósito era econômico e a coisa não deu certo por que ele ignorava que os iraquianos descontentes, diante das forças bem armadas, pudessem formar grupos de guerrilhas e partirem para a luta e o terrorismo como tem acontecido, com seus imprevisíveis e incontroláveis homens-bomba.
Resultado: o desastrado projeto bélico de Bush já causou a morte de milhares de pessoas, inclusive soldados norte-americanos e civis iraquianos que passaram a viver num verdadeiro inferno.
Por trás desse quadro desesperador, junto com o celerado Bush, estão os fabricantes de armamentos e os generais que, em geral, morrem de pijama, nunca nos confrontos. Só os jovens soldados caem mortos, muitos deles sem saber, se quer, por que lutavam.
Os civis que eram perseguidos por Hussein e que Bush queria salvar, agora são mortos pelos militares americanos. Curiosamente, em meio à matança, surge um fato novo que vbem deixando os grandes magnatas de cabelos arrepiados: os prejuízos com a mais recente aventura bélica começam a se refletir na crise econômica que assola o Estados Unidos e pode repetir o que aconteceu em 1929. Pena que, se isso acontecer, Bush já estará fora do governo, rico e muito rico, mas com as mãos sujas do sangue de centenas de jovens soldados e milhares de vítimas civis, inclusive crianças.
Este livro do paraibano Eunício Precílio Cavalcante, Capitão de Mar-e-Guerra e atento pesquisador da História Militar, é uma obra preciosa para quem deseja saber, em profundidade, o que são as guerras e por que acontecem.
Socialista por convicção e humanista por vocação, este nordestino da Paraíba muito sofreu durante a ditadura que se instalou neste país, em 1964, com a legenda – DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA – exatamente ao contrário do que fariam os golpistas.
Autoritarismo, censura, prisões, tortura e assassinatos alicerçam o novo regime que se instalou por força das armas, para conter a “revolução comunista” que, segundo os generais que comandaram o golpe, estava em marcha, financiada pelos rublos de Moscou.
Este seu livro, “Guerra & Terrorismo”, é uma preciosidade. O horror do autor pelas guerras é coisa que emociona e ao mesmo atemoriza, pois o mundo visto por ele caminha para novos confrontos, sempre com armas de vastíssimo poder destrutivo.
Econômico no uso das palavras, as informações que Cavalcante nos passa são da mais dolorosa exatidão. Não há nada de vago ou ocioso nesta pequena grande obra. O autor esmerou-se em nos apresentar uma síntese contundente do que constitui a grande miséria que as guerras geram.
Quando nos fala de terrorismo e guerra de guerrilha demonstra conhecimento de mestre no assunto e dá destaque ao tema porque nos conflitos de antigamente essa denominação ainda não era conhecida, os povos dominados (exemplo do Vietnã) não dispunham de estratégia para enfrentar os invasores.
Ao avaliar a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), Cavalcante reproduz o depoimento de um combatente horrorizado com o que viu. Imaginem se ele tivesse participado, anos depois, da Guerra de Hitler, com os nazistas torturando e matando nos campos de concentração. Eis o que disse o combatente e o autor registra: “a humanidade enlouqueceu. Tem de estar louca para fazer o que está fazendo. Que massacre! Que cenas de horror e carnificina! Não consigo encontrar palavras para exprimir as minhas impressões. O inferno não pode ser tão horrível. Os homens estão doidos!”.
Imaginem se o combatente soubesse o que ocorreria na guerra comandada por Hitler, motivadora da grande loucura que foi o extermínio de Hiroshima, depois de uma explosão atômica?! Arma essa que já está ficando superada, pois a novidade bélica, agora, são as bombas de nêutrons, ainda mais devastadoras.
O que nos mostra Cavalcante é de tal forma irracional que este livro deveria ter ampla divulgação, pois o objetivo do autor é contribuir para a “educação anti-guerra”, matéria que não consta dos currículos escolares, embora digamos que a sociedade lute contra a violência, o que não é verdade; o que existe, na prática, nesse sentido, são paliativos. As verbas para manter o militarismo, por exemplo, são cada vez maiores, enquanto os gastos com a educação e a saúde são cada vez menores.
O físico alemão Albert Einstein tinha horror de exércitos. Cavalcante vai pela mesma linha e tudo que deseja e contribuir para o difícil processo de PAZ, fazendo-nos entender que as guerras, mesmo quando acabam, deixam marcas indeléveis no ser humano.
Os arsenais norte-americanos já contam com tal poder de fogo capaz de extinguir, em minutos, os seres vivos em boa parte do Planeta, pois como disse o combatente da 1ª Guerra, se os homens já estavam loucos em 1914-1918, agora a coisa anda muito pior e nada se faz para reduzir a possibilidade do genocídio que poderá ser o extermínio da espécie humana.
A busca de vida em outros planetas insere-se na estratégia de alguns – como na arca de Noé – poderem fugir ao cataclisma, enquanto as multidões afundarão nas cinzas do inferno.
“Guerra & Terrorismo” é livro de leitura necessária, pois dá para perceber que, como já dizia Einstein, o militarismo conduzirá o mundo ao caos, em conformidade com as leis do regime capitalista em que o dinheiro vale mais que o ser humano.
José Louzeiro, in Prefácio do livro “Guerra & Terrorismo”, de E.P.Cavalcante.
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