Homenagem ao poeta Cassiano Nunes

O poeta Cassiano Nunes em uma de suas últimas aparições públicas. Quanto esteve lançando o livro com Maju, no ano de 2006, no Carpe Diem da 104 Sul.

O poeta Cassiano Nunes em uma de suas últimas aparições públicas. Quanto esteve lançando o livro com Maju, no ano de 2006, no Carpe Diem da 104 Sul.

A Thesaurus Editora de Brasília, a Biblioteca Nacional de Brasília e a Senhora Maju convidam para o RECITAL em homenagem ao poeta Cassiano Nunes em seu primeiro ano de falecimento, nesse 15 de outubro de 2008 às 18h30, na Thesaurus Editora  SIG (Setor de Indústrias Gráficas) Qd. 08 Lt. 2356 Sala 14.

Cassiano Nunes nasceu no dia 27 de abril de 1921 e faleceu em 2006 foi poeta, escritor, crítico literário, conferencista. Nasceu em Santos, filho de imigrantes portugueses, a 27 de abril de 1921 e iniciou uma brilhante carreira , com uma produção refinada e criativa.

Foi secretário-executivo da Câmara Brasileira do Livro, a partir de 1947, quando a entidade iniciava suas atividades em prol da difusão do livro no país. Estudou literatura norte-americana em Ohio, depois trabalhou na célebre editora Saraiva, foi para a Alemanha estudar na Universidade de Heildelberg onde também lecionou literatura brasileira. Foi visiting professor na New York University e, por último, ingressou na Universidade de Brasília.

Autor de uma vasta e respeitável obra, foi um dos maiores escritores brasileiros. Conteporâneo e amigo pessoal de Carlos Drummond de Andrade, Quintana, e inúmeros outros. Faleceu em 2006, sem deixar herdeiros. Sua residência será um museu em Brasília.

Abaixo seguem alguns poemas do mestre Cassiano.

ASSASSINATO DO MENINO

Para que o homem se sobreleve,
é preciso matar o menino.

Sinistro capricho
da mãe-natureza.
Nunca foram vistos
xifópagos iguais:
um homem
preso por uma membrana
a um menino!

Contemplo o seu rosto no espelho:
homem gasto e grisalho.
Apenas o pasmo dos meus olhos
denuncia a existência do menino.

É inútil ter pena!
Não há alternativa.
Para que o homem sobreviva
e, resoluto, possa
dar nobre forma ao seu destino:
é preciso matar o menino.

ALTA NOITE

Alta noite, leio Marianne Moore.
Passos no lajedo.
Olho através da grade.
De fora,
os dois gorjeiam cumprimentos
com a cordialidade aflita
do vício carecido.
Tão acessíveis suas carnes claras,
tão disponível
o frescor da juventude!
Partem desajeitados
com a recusa amável.
De novo, a solidão.
Há luz demais!
Procuro agora
versos pássaros.
Busco, também carente,
remota, salvadora canção.

SACRÁRIO

Poesia:
aprendizado perene
ou perito artesanato?

Ofício
é o que é:
modesto,
proletário.

Parvos
os que se proclamam
ricos,
vencedores.

Não há vitória
nesta parda rotina,
não obstante
o invisível resplendor.

Conserva, pois, humilde
em eucarístico silêncio,
encerrado no peito,
o deus.




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