Instituto Camões/Embaixada de Portugal faz homenagem à Marly de Oliveira

O Instituto Camões/Embaixada de Portugal Brasília, realiza no dia 03 de novembro, às 19h30 um recital de poesia e música em homenagem à Marly de Oliveira, por ocasião do lançamento do álbum de CDs intitulado “A Poesia de Marly de Oliveira interpretada por Lauro Moreira, com música origianl de Pedro Braga.

Além do intérprete, intervirão no recital os músicos Pedro Braga, Luiz Chaffin (violões) e Gidesmi Alves (cello).

A poeta Marly de Oliveira participa do Projeto O Livro na Rua, teve sua edição publicada em 2007, em cerimônia de homenagem na Biblioteca Nacional de Brasília

A poeta Marly de Oliveira participa do Projeto O Livro na Rua, teve sua edição publicada em 2007, em cerimônia de homenagem na Biblioteca Nacional de Brasília

Sobre Marly de Oliveira – Viver não é uma situação adjetiva, nem metafórica. É um dado real, que começa com uma data e termina com outra, de onde um certo temor em enunciar a primeira que, aliás, como diria Murilo Mendes, é da competência do registro civil. Porque, na verdade, nascemos depois, e continuamos a nascer interminavelmente.

Para o escritor, a primeira data de alguma importância é a da publicação de seu primeiro livro. Eu era aluna da PUC, no Rio, quando publiquei o Cerco da Primavera. Ainda adolescente, o grande terror era o da morte, só compensado pela idéia do amor. Amor e morte são os temas fundamentais desse livro, que pretende, por medo da dissolução, uma afirmação da minha identidade, a sensação penosa de uma solução que ainda é desafio e orgulho. Comecei em seguida a elaboração de uma Explicação de Narciso, sob a influência de um ambiente todo empenhado no estudo de Mallarmé e a preocupação da beleza pura, completa em si mesma, cujo símbolo poderia ser a Hérodiade (ou o Narciso de Valéry). Mas eu queria ultrapassar o que via, queria intuir na fatalidade de ser, alguma coisa deveria explicar, no mito, aquele voltar-se inteiro para si mesmo, aquele indagar-se que desconhecia, até certo ponto, o desdobramento intelectual de Valéry. Pouco tempo depois, a preocupação de objetivar o poema, sob a lição exemplar de João Cabral de Melo Neto, foi a origem de um livro bem curto, intitulado A Suave Pantera, que teve o prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras.

Livro de Marly de Oliveira publicado pela Thesaurus Editora de Brasília, no início de sua carreira literária

Livro de Marly de Oliveira publicado pela Thesaurus Editora de Brasília, no início de sua carreira literária

A percepção não é automática, só aos poucos nos vamos dando conta do que importa realmente, com a seleção natural do tempo. Passei a prescindir do que é bonito, do que agrada, e aceitei a função da linguagem como sentido do que me escapava. Escrevi depois O Sangue na Veia, tentativa de definir o amor em quarenta e seis poemas, onde há o desejo de desligar o conceito de amor do de paixão. “Conhecer e abrasar-se” de Vieira me parecia mais verdadeiro que a representação de um Cupido de olhos vendados.

Mais tarde um pouco é o momento de A Vida Natural e o descobrimento de um contato mais direto com as coisas. O absurdo não fizera seu ingresso, mas já se ensaiava por trás da dificuldade de captar a orgia, o esbanjamento, o luxo da natureza, tão sem preocupação com causa e efeito, tão majestosa, contraditória, ocisiva e criadora.

O Contato, eu já disse e reafirmo, é “la rencontre manquée” de que fala Lacan. É o meu fracasso diante da opacidade do outro ou da minha vontade de transparência. Já na sua Invocação, Orpheu experimenta a iminência do Encontro, vislumbra uma conjunção que não se realiza. É a nostalgia da completude, a revolta contra a impotência diante da crueldade da vida. Como não há escolha, o caminho é a tentativa de Aliança com esse Real, divino e atual, que se impõe cada vez mais de forma severa e enigmática, ao qual me submeto já sem doçura, sem indulgência. A Força da Paixão e A Incerteza das Coisas mostram que a consciência do sofrimento pode remeter a uma perquirição reflexiva de que, se não aflora um maior entendimento das coisas, nem por isso debilita a vontade de entender, que persiste. (Brasília, 1984)”

Obras posteriores: Retrato – Vertigem – Viagem a Portugal (1986), O Banquete (1988), Obra Poética Reunida (1989), O Deserto Jardim (1990), O Mar de Permeio (1997), Uma Vez, Sempre (2000).




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)