Aventuras no país Basco Francês, Aquitânia e Pirineus
Stelson Ponce é autor do livro Como fazer turismo de qualidade a baixo custo – Portugal e agora está na Espanha preparando o seu terceiro livro e a Revista Nós Fora dos Eixos é o seu diário de viagem. Aqui o escritor relata todas as suas aventura que serão transformadas em livro, representando seu mergulho na realidade profunda do país em está pesquisando. Aproveite essa viagem que é única.
4ª Parte
(De Pau a Pamplona; 25/26 Out)
Estacionamos nessa localidade, sob o mercado municipal. E sabemos que ótimas casas de pasto podem ser encontradas dentro dos mercados ou em suas proximidades! Pois, achamos! Tivemos um ótimo repasto, em uma quantidade nada francesa, cercado por trabalhadores e barraqueiros do mercado de Pau, na Bar Brasserie du Centre. O menu constou de uma apetitosa blanquette de veau (carne de veado estufada no vinho, com um molho generoso de nata e arroz e salada mista. Tudo isso com o sabor ressaltado por um vin legère de l’Aquitaine (vinho leve da Aquitânia), cor rubi.
Era preciso fazer que o vinho ficasse abaixo do nivel das pupilas. Então, saímos vagando pelos arruamentos, àquela hora vazios. Passamos pela Place de la Libèration, onde há uma grande igreja gótica e começamos a subir ladeiras que nos conduzem a um extenso platô que domina as águas do Rio Oloron. Lá, em cima, estão os principais monumentos da urbe: sua bela Catedral gótica e seu magnífico Chateau, com nove séculos de idade e residência do Rei de Navarra e de França, Henrique IV.
Restabelecido o teor alcoólico, apanhamos as montarias na cavalariça, deixamos um pour boire (gorgeta) com o palafreneiro e lançamo-nos, à toda brida, na estrada, em direção ao Passo de Somport.
As paisagens oferecidas pela aproximação aos Pirineus, após Oloron-Sainte Marie, são muito bonitas e a beleza vai aumentando na medida em que começamos a galgar terreno e a penetrar nos desfiladeiros que levam ao Passo. Felizmente, a tarde estava morna e ensolarada o que tornou mais agradável a viagem.
No meio das gargantas passamos por graciosas aldeias e formidáveis construções de defesa que, certamente, em tempos antanhos, barravam a passagem por essa região da montanha.
O túnel de Somport é o segundo maior da Europa. São dez quilômetros através da rocha, a uma altitude média de 1500 metros. Na outra ponta, estamos na Espanha, descendo na direção de Jaca, no vale do Aragón. Ao chegar em Jaca, tomamos a N240, à direita, que nos leva à segurança de Pamplona.
No meio do percurso, poucos quilômetros antes do Embalse (represa) do Aragón, surge altaneira e orgulhosa, no meio da planície de extensas searas, a cidadela de Berdún. Ela é tão graciosa em sua posição aguerrida que resolvemos visitá-la e a seus “heróicos” defensores. Em seguida ao café e “outras atividades” de praxe, reiniciamos o deslocamento com a bússula colimada no rumo de Pamplona.
Essa cidade já é nossa conhecida e foi relatada em capítulo anterior. Mas, como, dessa vez, iríamos nela pernoitar, tratamos de achar hospedagem e uma boa casa de pasto.
Garantido o pernoite, esticamos as pernas por umas duas horas, após o que, saímos em busca do “rango”. Encontrâmo-lo, magistral, no Hotel Bar Restaurante Dom Luis, onde topamos, na mesa ao lado, com um brasileiro da Wolks, em viagem de trabalho à fábrica da empresa em Pamplona. Fomos servidos pela diligente e encantadora portuguesinha, Fátima, que, ao ouvir nosso sotaque brasileiro, nos atendeu com especial atenção.
Dormir é que “foram elas”. Nosso quarto na estalagem dava para a callejuela onde se estabelece o boteillon, ou seja, a grande concentração de bêbados e arruaceiros de fim de semana nas cidades espanholas. Estávamos no auge do boteillon: sábado. E a “função” estendeu-se até às seis da manhã!
Meu camareiro, que dorme a qualquer hora e não acorda nem com banda de música, saiu da estalagem, em busca do desayuno (café) todo faceiro, mas, este cavaleiro, que passou toda a noite “lutando contra os infiéis”, estava em estado lastimável. Após o ligeiro café em um bar madrugador, o único aberto apesar de já serem quase nove horas da manhã (a Espanha acorda no domingo depois de onze horas da manhã), reencetamos nossa viagem de retorno á Cantábria.
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