Momento Crítico
Em edição com recursos captados junto ao Fundo da Arte e da Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, MOMENTO CRÍTICO reúne parte da produção crítica de Salomão Sousa, publicada em jornais e no Chuço — zine xerocopiado que o autor manteve por mais de dois anos em Brasília. Apesar de produzidos em épocas diferentes (às vezes distantes), são textos que convergem para uma preocupação reflexiva central: o lugar da cultura num mundo em transformação, em que o homem — imerso no egocentrismo — mergulha numa funda crise de humanismo, com óbvia agressão ao outro e aos bens comuns da comunidade. Além de reunir textos híbridos de crônica e artigo, Salomão Sousa aproveita para coligir na última sessão do livro as suas “Espoléticas”, aforismos que ele denomina de “espoletas éticas” destinadas a explodir rápidas reflexões. Não se trata de obra que proponha teses costuradas em complexos conceitos, de difícil absorção, mas que se vale da crítica impressionista, de forma a facilitar a imposição da presença humana na escritura, sem “as insígnias da santidade”. O final da espolética que fecha o livro expressa bem a preocupação de Salomão Sousa: “Temos de apalpar, obter, colher, sem invadir o direito do outro, sem obstruir a vida do outro. Aí se inicia o primeiro ato de moralidade.”.
SALOMÃO SOUSA nasceu em Silvânia (GO), em 19.9.52. Formado em Jornalismo (CEUB), exercendo a profissão desde 1976 no Congresso Nacional pelo Poder Executivo. Começou na infância a batalha com a poesia para se defender da solidão e encontrar alguma interação humana. Passou antes de tudo pela poesia engajada com a terra, se com ela lutou com as mãos. Passou pela poesia marginal, se era do militarismo espreitar e abandonar, e a poesia tinha que sair da estreiteza em que vivia dentro do Concretismo e da práxis. Agora se encontra na pós-vanguarda para batalhar pela recuperação das aliterações e ressonâncias. Sem intimidade com a natureza, a vida fraqueja, a humanidade vira pó. Bibliografia: A moenda dos dias, 1979, DF; A moenda dos dias/O susto de viver, Ed. Civilização Brasileira 1980; Falo, 1986, DF; Criação de lodo, 1993, DF; Caderno de desapontamentos, 1994, DF; Estoque de relâmpagos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, 2002,DF; Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia, Ed. 7Letras, 2006; Safra quebrada (reunião dos livros anteriores e de dois inéditos), publicado com recursos do FAC, 2007. Participa de diversas antologias, e organizou em 2008, para a I Bienal Internacional de Poesia de Brasília/Biblioteca Nacional de Brasília, a antologia Deste Planalto Central — Poetas de Brasília.
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