Ninguém tem nada a ensinar a ninguém

Novo livro de Raul de Xangô, "Na Rua", acaba de sair do prelo

Novo livro de Raul de Xangô, acaba de sair do prelo da Thesaurus.

Acaba de sair do prelo da Thesaurus o mais recente livro do mago Raul de Xangô: “Na Rua”. Para Raul de Xangô, a rua também é um templo. Nela ele circula com a mesma desenvoltura com que dirige seus rituais na Tenda Xangô Ayrá do Caboclo Itajacy ou com quem joga dados, búzios e cartas do Tarô e interpreta senhas, odus e mensagens dos Arcanos em sua mesa de trabalho. Raul de Xangô é um mago em tempo integral. Seja no templo, na mesa de um bar ou nas esq1uinas dessa Brasília mística (sim, acreditem, Brasília também tem suas esquinas). Raul não é um líder religioso, mas um mensageiro da religiosidade e da alegria de viver.

Na Rua é mais do que um livro. É a transcrição de uma conversa, de um bate-papo com amigos na mesa de um bar, onde o cardápio é intenso e variado.

Aqui você vai cruzar com poemas, pensamentos, conselhos, delírios, emoções, orações, opiniões, pitacos. Como se estivesse andando pela rua, cruzando com seus personagens misteriosos, mágicos ou profanos.

Na Rua de Raul de Xangô se fala da primavera, de futebol, de carnaval, de amor, de medos, de magia, de arte, de loucura, de pedras preciosas, de liberdade, de meses do ano, dias da semana, de cidades, de política e políticos e de orixás, encantados e éboras.

Nascido em Natal (RN), desde 1967 adotou Brasília como sua verdadeira nação. Mago, zelador de orixás, escritor, poeta e compositor, fundou dois templos no Planalto Central: a Tenda Xangô Ayrá do Caboclo Itajacy e a Aldeia do Portão de Ferro, Templo de Lalu, Culto à Diana Caçadora, localizados no Núcleo Rural Capoeira do Bálsamo, nas imediações da ML 7, no Setor de Mansões do Lago Norte.

Durante quatro anos (de 1982 a 1985) foi colaborador do jornal Correio Braziliense e, em 2000, escreveu uma coluna semanal no Jornal de Brasília.

Participou, como personagem, de três filmes – A Idade da Terra, de Glauber Rocha; Brasília, A Última Utopia, de Pedro Anísio e Em Tempo de Glauber, de Roque Araújo – e foi personagem central de três documentários – Raul de Xangô – Visionário do Mundo, de Ana Cristina Costa e Silva (Dharma Filmes), Raul de Xangô – um branco de alma negra, de Henrique Siqueira e Marieta Cazarré (Caza Filmes/Iesb) e A vida e a magia de Raul de Xangô, de Érico Cazarré (Caza Filmes), esses dois últimos, fundidos num só – Raul de Xangô – foi exibido no 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro de 2008.

Abaixo um trecho retirado do livro novo livro de Raul de Xangô, “Na Rua”.

Ninguém tem nada a ensinar a ninguém

O papel do bruxo é partir do irreal, que é esta vida, para o real, que é a outra vida. Essa vida que eu digo, é a vida mercenária, é a vida bitolada, ávida, rotulada, é a vida do sistema, da sociedade. Isso considero irreal. E o real é viver do instinto, a mente canalizando minha emoção.

Procurar harmonizar as pessoas com a natureza e ajudá-las a sentir em Deus/natureza/criatura uma só pessoa. Sem aquela preocupação de cobrança e de prestação de contas. Apenas harmonização, sem a preocupação de conhecer alguém ou ser conhecido.

É como uma orquestra. Um cara toca violino, outro toca bateria, outro piston. O que toca violino não toca bateria, o que toca piston não toca violino e de repente se tem uma orquestra, bem sintonizada, e surge assim a grande música.

Isso vem mais a partir do enfoque espontâneo, individual e a coisa pinta quase sem explicação, assim como a eletricidade, como a química, como música mesmo. Não há uma preocupação didática. Há uma sintonia, uma harmonização, assim como os animais na floresta.

Não me considero bruxo, nem cidadão. Sou apenas uma criatura, um ser. Sou cidadão por uma imposição da sociedade. Meu pai me registrou, tive que tirar carteira de identidade, de trabalho, título de eleitor. Só por isso sou cidadão. Bruxo, isso aí é por conta do povo que passou a me chamar de bruxo. Mas não me considero um bruxo. Sou um cara transando nesse universo e respeitando gente. A única coisa que me preocupa no mundo é gente. E gente para mim é Deus. Não tenho uma filosofia, não trago conceitos. Vivo uma dança, um ritmo, um cântico. Eu vivo a minha inconsciência. Consciência para mim é comprada, é fabricada, é imposta.

Não acredito em homem iluminado. Eu acredito no homem que tem a coragem de carregar a luz sem ter medo de se queimar. Sou apenas um carregador de luz. A minha busca inconsciente não é me personificar. Sem explicar nada disso, há algumas dezenas de anos que muitas pessoas me procuram para conversar comigo. Elas ficam satisfeitas porque as escuto e procuro compreendê-las. Sou muito mais o animal, o instintivo, do que tudo. Vivo na grande orquestra na floresta, na grande harmonia.

Não discuto nem combato com ninguém. Aceito as coisas como elas são. Não carrego verdades, nem carrego bandeiras, apenas procuro me harmonizar com as pessoas. E acho que o que elas chamam de magia, de bruxaria, eu repito os ciganos, que é tornar possível o que muita gente acha que é impossível. Porque elas acham que é impossível? Porque elas são bitoladas, impulsionadas, ensinadas. Acho que ninguém tem nada para ensinar a ninguém. Acho que todo mundo tem que viver, só isso. Tem que amar.

Todo mundo tem que assumir o dedo polegar, a impressão digital, que ninguém tem igual a ninguém. Daí vem uma expressão em yorubá que todo filho de santo tem um orixá que milhares têm, mas o orixá de cada pessoa tem uma digina que não é igual à digina de ninguém. Digina lembra digital.

Outra coisa é a gente achar que sabe mais que os outros. Um erro. Devemos revidar as agressões, como o homem revida até as agressões da própria natureza. Mas a suposta sabedoria, cada um tem a sua. Acredito muito mais na vontade do que na verdade. Acredito no paladar, no gosto, na sensibilidade. Acredito no amor, na irresponsabilidade que é divina. A responsabilidade foi criada pelos homens pelas leis dos homens. Sou um marginal de todos os sistemas.

Os conhecimentos vêm de uma tradição, a gente que tem uma iniciação e que tem essa vida contemplativa, em regra geral vive recolhido. Mas eu vejo esse recolhimento como um resquício de épocas históricas passadas, onde a liberdade era mais vigiada, era mais trancada. Então os magos, os bruxos, os babalorixás, eles se sentiam um tanto marginalizados, porque existia a perseguição policial e da própria sociedade. Então a sociedade só os procurava, como em outros tempos, quando procurava a prostituição. De noite, na escuridão, quando a necessidade era grande. Mas chegou o momento de ir para a rua, que para mim é uma grande fonte de conhecimento. E hoje, já há uma abertura maior, não é? Um cara como eu solto na rua, os meus companheiros de magia estranham.

O bruxo hoje ocupa de certa forma, o lugar que o psicanalista está deixando de ocupar. Só que o bruxo atende as pessoas de uma forma muito mais objetiva. Existem pessoas que são e outras que querem ser. Quando alguém quer ser um bruxo, se lasca, porque não é. Não acredito na formação de bruxos, acredito que o bruxo já nasce com aquela percepção, nasce com a coragem de falar até o que ele não dissecou, o que ele ainda não entendeu. Ele transmite, e a pessoa que está diante dele descobre que é aquilo que ela precisava ouvir. O bruxo não tem sabedoria. O bruxo tem sensibilidade, discernimento, tem amor, tem confiança na escuridão.

O orixá vem pelo som, pelo gesto, pelo passo, vem da prática e da loucura. Acho a magia muito pessoal, independente da tribo, da nação, do grupo a que pertença. De
repente essa magia pessoal também cria grupos pela afinidade e pela despreocupação da origem. Eu digo que a magia é um transe. A magia vem de uma inconsciência, vem de uma loucura. Quando você se inicia em qualquer grupo mágico, você nunca pergunta por que, como, aonde. Você se sente em harmonia com aquilo e consegue resultados que pareciam impossíveis, e você perde essa preocupação do por que, do quando, do como. Ela vem toda do transe. O homem se despoja.
Há o fenômeno mediúnico. De repente você consegue parar o seu pensamento, isolar a sua concepção. E aí é que surgem sobre a cabeça vasos. Mas há sempre uma rodilha no meio. Se você não consegue segurar aquela rodilha, você não equilibra vaso nenhum.

Ninguém vai chegar a um lugar e definir a magia. Por que fez aquele ritual? Você se entrega ao seu instinto e entra num estado de inconsciência, para não se vigiar, não se fiscalizar. Aí vem o desprendimento, vem a coragem, vem a escuridão. E isso não é nada mais do que uma maravilhosa e divina loucura.

A tendência no Brasil é o candomblé diminuir cada vez mais. Por isso eu não transo só candomblé. Por isso tenho dois templos. Por isso é que eu jogo tarô, transo numerologia, astrologia, porque a tendência do candomblé é desaparecer, porque todo o candomblé foi transmitido no pé do ouvido. Não existe um livro de candomblé. Existe livro de umbanda.

O candomblé é uma herança. Você é filho de fulano, de sicrano, ele transmitiu os orós para você, no seu ouvido, e aquilo é um pedaço de linha de carretel. E você vai ter cuidado de tirar aquela linha do carretel sem quebrar nada e depois reenrolar todinho sem quebrar nada. O candomblé tem esse aspecto sociológico, ele criou esse sincretismo com os santos católicos, trouxe uma parte do espiritismo, do caboclo. Ele procura dar uma mensagem falando em Cristo, mas estava disfarçando. Agora, disfarçando numa boa, falando bem, falando em Cristo, em nome dos santos. Mas a transa nas camarinhas não tem nada a ver. Cristo foi uma criatura maravilhosa, foi um grande mago, foi médium de Oxalá, dentro do candomblé, no sincretismo, Cristo é comparado com Oxalá. Essa doutrinação existe mais na umbanda. Você vai às minhas festas, você vê a gente dançando, cantando, gesticulando, mas não há doutrinação. Há o diálogo. Quando você conversa comigo, você conversa com uma entidade, com uma divindade. Então, de repente o povo vê que as suas divindades estão mais próximas, estão à sua disposição. Esse Deus não está tão distante.




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

gostaria de obter o telefone de contato para consultas do Sr. Raul.
obrigada

Gostaria do telefone para fazer uma consulta com o Sr. Raul…ou endereço…como localizo ele?

Eu também gostaria de obter o telefone do Sr. Raul de Xangô. Vocês enviam?

Eu também gostaria de obter o telefone para contato do Sr.Raul de Xangô. Vocês enviam por e-mail?

Por favor, resido em Brasília e gostaria de obter o telefone de contato do Sr. Raul. Grata.

Gostaria de saber o telefone de Raul para marcar uma consulta. Onde ele atende em Brasília? Agradeço a atenção. Cris.

Gostaria de marcar uma consulta com Raul de Xangô. Vocês poderiam me enviar o telefone para contato? Onde ele atende em Brasília? Agradeli a atençao. Agradeço a atenção. Cris.

Cris, bom dia, feliz ano novo.
Vamos providenciar o telefone do Raul de Xangô para você, ele atende em Brasília, sim, na casa dele. Não lhe envio agora porque não temos autorização para isso e a nossa secretaria está de férias. A propósito, você já leu o livro dele, editado pela Thesaurus? Confira: http://www.thesaurus.com.br
Aguarde.

O Editor.

Olá! Também gostaria do telefone, e-mail, endereço… o que for. Muito obrigado e aguardo!

tb gostaria do telefone de contato do Raul de Xango
Grata
Claudia

Bom dia,
Soua miga de Raul de Xangô, porem não vivo em Bsb , e perdi seu contato, gostaria de seu telefone e endereço.
Grata,
Eliana Vassilakis Helou.

Já consultei com Raul , porém perdi o telefone. Gostaria
de ter telefone novamente pois preciso de uma consulta.

Perdi o contato com Raul , gostaria de ter o telefone
novamente, pois preciso de uma consulta.

Grata.
Solange

Gostaria de obter o tel do dr Raul obrigada

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)