Livro: Saga de Timor motiva romance histórico

Por Carlos Jorge Mota, especial de Portugal

“Sangue do Crocodilo – A Saga de Timor-Leste”, de Amândio Martins, é hoje lançado em Lisboa.

Com prefácio do Nobel da Paz D. Carlos Filipe Ximenes Belo e do último governador português em Timor, General Lemos Pires, a obra tem a chancela da Editora Prefácio.

Não é uma obra de fi cção nem um livro de história, mas, através dele, viajamos até Timor e fi camos a conhecer muito deste povo que, segundo a lenda, nasceu nas costas de um crocodilo.

O título do livro, “Sangue do Crocodilo – A Saga de Timor-Leste”, como explicou o autor em entrevista à Renascença, surge daí. O Crocodilo – que, segundo a lenda, depois de velho e cansado, decide parar num local bonito e morrer, transformando-se na ilha de Timor como agradecimento a um jovem rapaz que o ajudou – e Sangue, que representa a saga do povo timorense, que passou por uma sucessão de acontecimentos trágicos e sangrentos, depois de várias invasões e ataques.

O livro está estruturado Num tríptico. Numa primeira parte, fala-se da colonização portuguesa (1515-1975), depois, da ocupação militar indonésia (1976-1999) e, por último, da administração das Nações Unidas, através da UNTAET, até chegar à tomada de posse do primeiro Presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Ao longo do livro fi camos a conhecer as tradições guerreiras do povo, as suas festas, trajes, objectos de adorno e danças, o artesanato timorense, a gastronomia, assuperstições, crenças e vícios do povo de Loro Sae (Sol Nascente), mas também os massacres que escandalizaram o mundo, o drama dos refugiados nas montanhas, a formação dos primeiros partidos políticos e a forma como a ONU administrou o território. Neste aspecto, Amândio Martins mostra-se muito crítico “da máquina
excessivamente burocrática, centralizadora, perra e desadequada da administração da ONU”, que não deixou os timorenses preparados para prosseguirem caminho autonomamente.

O autor conduz-nos neste romance histórico pela mão de Teodoro e Leonor, que chegou grávida ao território.

A história dos personagens (con)funde-se com a experiência pessoal do autor, Amândio Martins, cujo percurso profi ssional o levou a Timor-Leste por três vezes.
Entre 1964 e 1966, onde esteve como adjunto de Administrador de Concelho, mais tarde, no ano 2000 – ainda Timor se desfazia em cinzas e fumo – quando integrou uma equipa que percorreu o território para implementar apoios de emergência patrocinados pela Caritas portuguesa e, uma última vez de 2001 a 2002, ano da Proclamação da Independência de Timor-Leste.

In Página  da RR




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