Madredeus e Adriana Calcanhoto: somente para pouquíssimos

A integração artística e gastronômica entre Brasil e Portugal será comemorada no Brasília Alvorada Hotel (SHTN Tc. 1), de amanhã até 1º de fevereiro, no projeto PalcoBrasília. Na programação estão a escritora portuguesa Inês Pedrosa e a capixaba Elisa Lucinda, os músicos do grupo Madredeus e a gaúcha Adriana Calcanhoto, além do pianista angolano Adriano Jordão e da violinista brasileira Gabriela Queiroz. Mostras fotográficas sobre Fernando Pessoa e workshop gastronômico completam a agenda. Os ingressos para o show do Madredeus & A Banda Cósmica, sábado, às 20h, variam de R$ 760 (inteira) e R$ 360,00, com direito a jantar e R$ 200 e R$ 100 (meia), setor C. O evento é uma celebração da união entre os povos mistura artistas do Brasil e de outros países.

Além das apresentações de Calcanhoto, na quarta-feira, e do Madredeus, no próximo sábado, haverá destaques literários, como o lançamento do livro “A eternidade”, de Inês Pedrosa, seguido de performance cênica com os atores Adeilton Lima, Cristiane Sobral, Jones Schneider e Núbia Santana (amanhã, 27/01, às 19h).

O evento agitou o cenário brasiliense, mas também levantou diversos questionamentos em relação a elitização da arte na Capital da República. Muito embora haja atrações com entrada franca, os shows, que dão direito também a festança gastronômica revelaram-se salgados. É, a bem da verdade, é que é um escândalo cobrar tão alto pelas apresentações dos músicos, como se todos fossem funcionários públicos de alto-escalão. Para ouvir música, não é necessário ter o jantar, aliás, muito bem cobrado… É preciso respeitar o povo de Brasília e os luso-brasileiros, ou todos aqueles que amam esta cultura.

O dinheiro que o brasiliense ganha, honestamente, é um dinheiro bem suado e muitas pessoas ficaram impossibilitadas, embora ganhassem mais que três ou quatro salários mínimos, de ver espetáculos de qualidade, como por exemplo, qualquer professor da rede oficial ou particular, que teria que despender, quase um terço do seu salário… Estamos escandalizados, pois temos trabalhado voluntariamente para nos conhecermos através de publicações, viagens e artigos. Mas esta insensibilidade perante todos os luso-descendentes (acreditamos que sejamos a maioria do povo brasileiro) é constrangedora, até porque, não há explicações cabíveis para um show ser tão caro. E você, o que acha?




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Comentários

COncordo plenamente contigo! Estava ansiosíssima para o show do Madredeus e fiquei sabendo do preço por este site e, confesso, estou embasbacada…

Concordo inteiramente! Não se pensa na popularização da arte em Brasília. Shows, eventos, teatro, música…é tudo caro! Depois falam que somos alienados. Quero ir no show do Madredeus. Tenho desconto por ser professor…queria levar minha mãe, mas ela não tem qq benefício. Então, pagar 300,00 é inviável para meu orçamento. Vou ouvir Madredeus no CD mesmo! Pobre capital…moro aqui há 30 anos e isso não mudou.

Tô triste…queria tanto, tanto ir ao show do Madredeus…

É lamentável que a cultura de qualidade em nossa cidade esteja apenas ao alcance de uma elite. O show apresentou um preço tão alto que a impressão que temos é que foi feito para membros da embaixada portuguesa, que claro vão prestigiar o evento credenciados. Aos que tiverem dispostos a participar da festa portuguesa,que paguem bem caro por isso. O que me consola é que o Madredeus não está com Teresa Salgueiro, o que seria uma frustração dobrada.

Achei também um acinte os preços cobrados!
Pretendia ir, ficando no setor C, pagando R$100,00 (meia). Mas pelo mapa o lugar é tão longe que eu teria que levar um binóculo.
Fiquei pensando também o que justifica preços tão altos, inviabilizando a ida ao show de muitos amantes do bom e do belo. Um evento elitizado, como se cultura fosse prerrogativa da’alta corte’ (me desculpe para quem está podendo pagar), como nos velhos tempos da civilização humana.

O show foi soberbo, mas atrapalhado pela irritação causada pela péssima organização e a má qualidade das outras atrações, como uma constrangedora peça improvisada sobre os heterônimos de Pessoa. O show terminou para além de 00:30, com uma platéia já inquieta, e, apesar do prometido jantar, com fome…

Enfim, lamentável para os amadores que organizaram o tal evento. E uma pena para o grupo, que fez música de qualidade no meio de um salão que mais lembrava uma confraternização de final de ano de uma firmazinha qualquer.

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