A alma
Autor: Paulo Madeira*
Aos poucos, o homem primitivo foi aperfeiçoando seus mitos. Mas, bota tempo nisso… Entretanto, de tanto passar o tempo (milhares e milhares de anos de evolução) foi se forjando nele uma certa NECESSIDADE, junto com o desenvolvimento de sua mente. Qual necessidade? A de EXPLICAR (para si mesmo) não só as coisas, como também suas capacidades mentais.
Era tudo muito intrigante.
E então ele acabou por bolar um mito sensacional. Tão bom que perdura até hoje. Qual? A ideia de que existiria, dentro dele, um ente espiritual, uma ALMA, encarregada de tudo que não fosse físico, força, movimento.
Ela, esse algo “espiritual”, é que seria o algo que produzia tudo o que ele sentia e pensava, tudo o que, nele, era emocional e mental.
Hoje, os neurocientistas dizem que quem faz tudo isso é um cérebro material, feito de neurônios etc.
Sendo a alma ou o cérebro quem pensa, estava implícita, desde o início, e perdura até hoje, a CRENÇA de que a alma não é um mito, mas algo que existe, de fato, e, ainda por cima, é IMORTAL.
As religiões pressupõem a crença nela, além de em divindades (sem o que religiões não teriam razão de ser). Mas, será que alma existe, mesmo? Ou é apenas algo teórico, mais um mito, uma ideia, uma bolação que surgiu para atender à necessidade (psicológica!) que os humanos já sentiam desde os primórdios e que, como o homo sapiens continua basicamente o mesmo, muitíssimas pessoas ainda sentem, também hoje, de acreditarem em outra vida, após a morte? É um poderoso, embora inócuo, consolo.
Paulo Madeira, autor dos livros Incertas Certezas (2006 –R$12,00) e Crenças Incríveis (em breve)
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