Utopias

Por Paulo Madeira*

utopiaPara produzirem-nas ou enxergarem-nas, os “corações” de pensadores generosos costumam estar libertos de bitolas crédulas, isto é, não estar dependentes (e, muito menos, escravos) de CRENÇAS subjetivas, psicológicas, não constatadas, mas, antes, inventadas.

O que impulsiona seus “corações generosos” não são dogmas, verdades absolutas, espirituais ou divinas. São, ao contrário, verdades relativas, porém, viáveis, ainda que humanas, provisórias, mas capazes de erguer trampolins mentais, dos quais pulam e pairam por sobre crenças medrosas.
Em vez delas, eles veem as utopias através das lentes de seus óculos mentais aventureiros. Elas, decididamente, não florescem sob o peso de crenças. Por isso, é mais rico NÃO CRER. Levando alguém a fazê-lo, estamos aproximando esse alguém do “Velho Sábio”, de Einstein, o qual deixou claro que esse seu Velho Sábio não é uma divindade antropomórfica e pessoal. E assim sendo, não adiantaria tentar, porque esse Velho seria imune a nossas importunas aproximações ou “re-ligações” via “re-ligiões”…

E as utopias, como ficam?

A crença básica dos hebreus e sua cosmogonia, que vieram a ser as nossas, relatam que seu Deus teria esperado um tempão (desde toda a eternidade) pelo “povo escolhido”, esse até hoje guerreiro e brigão…, ao qual estaria “prometido” novo “paraíso” ali, naquelas terras, que, como outros imaginados, duraria para sempre. Ambiciosos, eles…

Só que o conceito de “esperar” não se coaduna muito apropriadamente com a ideia de eternidade. Então, em vez de CRER, para produzir utopias viáveis, talvez seja melhor FILOSOFAR…

Paulo Madeira, autor dos livros Incertas Certezas (2006 –R$12,00) e Crenças Incríveis (em breve)




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