Por que nem todos creem?

Por Paulo Madeira*

Nem Santo Agostinho sabe…   Será porque os mistérios é que são os objetos das fés?   Ainda que sendo eles inatingíveis?   Para pessoas não-crentes, eles não dizem nada…   Certamente, por serem “o que não sabemos”, embora sejam o que CREMOS.

Mas, como O QUE NÃO SABEMOS servir de base, de fundamento para o que se pretende que seja O VERDADEIRO SABER?   Ah, isto Santo Agostinho sabe, mas a Filosofia, não…

Então, apelemos para a Psicologia.   Será porque as nossas insuficiências mentais não conseguem decifrar mistérios?   E, no afã de supri-las, serão as inseguranças psicológicas que induzem os crentes a abraçarem fés, emocionalmente?

Se for, não será filosófico.   Mas é muito adotado.   Por quê?   Será porque proporciona uma certa quietude em quem fica convicto de que achou a verdade?   E isto serena os corações crédulos, embora não aplaque as mentes filosóficas?

É bem terapêutico, mas não curativo…   Se você não é um daqueles corações, continue filosofando.

Filosofar é pensar sobre qualquer assunto sem rédeas controladas de fora, presa a dogmas.   Sem compromissos com verdades preestabelecidas, por outrem.   Mesmo as consagradas.

Se você fizer isto, do ponto de vista psicológico, não sei o que poderá lhe acontecer. Mas, poderá ser ótimo se você estiver querendo virar filósofo…   Neste caso, você vai descobrir que, ao invés de temer as dúvidas, será excitante lidar com elas.   Você passará a descobrir nelas uma fecundidade antes insuspeitada.   E começará a desconfiar das “certezas” religiosas.   A perceber que elas são fé, esperança, confiança, uma confortável síndrome psicológica, menos certezas reais.   Enfim, essas certezas serão subprodutos da emoção, não da razão.

* Paulo Madeira é filóso e autor do livro Incertas Certezas.

Para assistir o vídeo com entrevista com Paulo Madeira clique aqui




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