A Poesia serrana de Elisa Rachaus

Biografia

Elisa Rachaus, primeira Geração Brasília, filha de pioneiros estrangeiros que em final de 1956 formaram cooperativas vindas em caravanas desde o Uruguai. Pai de origem Polaca, escritor do livro “A Grande Bofetada”, já falecido e mãe Uruguaia, pintora, não mais atuante. Revela as características genéticas da escrita e da arte que revelam o caráter hipersensível de Elisa, criando a poesia viva onde pinta quadros nas mentes de seus leitores, enfeitando a leitura em sentimentos intensos. Nascida nas regiões próximas ao Plano Piloto, especificamente nossa querida cidade serrana “Sobradinho”, em chácara arrendada pelo governo da época. Sendo primeira filha da cidade, revela a característica que designa Sobradinho como altar dos artistas, dos calmos e pacatos cidadãos que inundam nossas ruas sem pressa.

Nascida em 18 de dezembro de 1958, já com 50 anos de idade é como ela diz e se revela “Meio século de Rock’n roll me fizeram muito bem, estou viva, com as mesmas características de minha época. Eu não mudei, foram as pessoas que saíram as ruas a copiar performance e se fantasiaram de almas diferentes as suas na função de agradar os outros e perderam sua identidade própria. Eu, eu continuo a mesma, foram vocês que mudaram”.

Não tem nenhuma influência literária a não ser as clamadas em rodas de amigos, as que você pode sentir o orvalhar de cada sentimento verdadeiro ou o de falsas e afiadas facas de línguas amaldiçoadas. Amante do Cerrado, ama sua terra e se sente abençoada por viver em uma cidade onde não há terremotos, vulcões, tornados, enchentes, seca incontrolável, sem avalanches, desmoronamentos, pragas devastadoras, poluição, fabricas, congestionamento de horas, nem o modismo opressivo (cada um veste, fala, come e é como é), sem tumulto, sem fome, sem miséria e coisa e tal.

“Amo minha cidade, sou Calanga e vivo onde a vida começa no planeta “O Cerrado”, onde nasce o “Rock’n roll” tudo isso sob o Céu mais belo do Mundo. Sou abençoada”.

Elisa Rachaus – contato: (61) 81182635 – elisarachaus@gmail.com

Momentos Serenos

A praça vem com o luar percorrendo anseios,
No solitário momento da alma a refletir quereres.
Em bancos diversos senta-se a saudade a cavalgar,
Por entre pensares que se dissipam em margaridas.

Olhar o chão, ver inertes as pedras e as folhas correm…
A brisa ergue qualquer olhar e eleva mais além os dizeres.
Por entre espaços ocultos viaja minha áurea.
Por momentos te encontro entre nebulosas conversas.

Espaço particular vago de intensas vibrações,
Toca a força que propaga tua espera.
Vejo os pássaros enroupados em galhas,
A esperar o mistério de o obscuro desvanecer.

Em momentos o corpo se deleita a ver estrelas,
Das de Bilac até as minhas…
Das que falam em silêncio o segredo do teu querer,
Das que emanam todo teu carinho em olhares noturnos,
Das que além, despontam em manhãs exuberantes,
Colorindo olhares em rosados hibiscos.

No decorrer de minutos que em horas se revelam,
Cai a alma no silêncio da noite, orvalhada.
A coruja que pousa achegada a lua,
Traz o som dos porquês do risco do amar.

Ofegante momento do emudecer da criatura.
Calado, tão calado que se pode sentir o fim sem cabeçalho.
São varias vestes de receio e embaraço que te vestem.
É o tão magnífico que assombra o teu sossego.
Serena a praça permanece…

Papiros de Lamurias

Penas escritas entre líneas e espaços.
Sem som as palavras percorrem límpidas
A formar o esboço de um nome.
Líneas que com dedos rosáceos revelam a aurora,
Carruagens douradas flutuam
Por entre papiros de outrora.
Esbagoas a alma no ônix,
Em pedregulhos áridos fazes caminhar.
Adormecida em margens te escrevo.

Corpo delineado pela escritura de versos,
Imagens de letras não clamadas,
Espaço entre líneas de ondulações diversas.
Parágrafos de ofegante suspirar.
Olhos que não percorrerão o amor escrito,
Lábios que em silêncio sussurram algum nome.
O olhar que reconhece o caminho linear,
Versos em papiros eternos, de lamurias, de cantares.

Em recantos no chão estende-se,
Folhas mortas, amassadas pelo erro.
A cortina se eleva, brisa leve.
Espalham-se sem ordem,
Todas as palavras soltas.
Pressionada em paredes áspera,
As que adormecem a áurea.
Raios fracionados elegem,
Gotas que relatam.

É o voar do encanto noturno
Em redemoinhos mesclam,
Eterna lamuria em papiros.

Vide, noturna escrita,
Vide, agitar o tinteiro.
Pluma que por vezes balanceia
Sobre a mesa e o papel,
Sobre a solidão e o altar do pensamento,
Sobre noites e auroras.

Da mão,
Do tinteiro,
Da pluma,
Um desejo profundo.
E as palavras resvalam
Por entre as fendas da vida,
Sobre noturnas velas,
Que se apagam com o sobrar de brisas.

Vestes da noite

Noite de brechas lunares.
Rasga em mim,
O manto como faca em minha alma.
Derramas delírio e escravidão.
Doura meus pesares,
Envergas silêncio,
Trajes ilustres de morte e solidão.

Devasta caminhos intensos,
Devoras todos os sentimentos.
Acoplas o único ao nada,
Vestes líricas de temores.

Noite pequena em sonhos,
Imensa em desejos.
Torpe paraíso dos tolos,
Cegueira da vertigem.

Renome do teu nome,
Rasgado em prantos.
Ofegante soluçar de penas,
Folclore do enigma eterno.

Noite de trevas e luz anseias.
Andarilho do tapume,
Sempre agravante e hilário.
Em mórbido paladar,
Esboças em mim tua falha.

Noites de emergentes gritos,
E descaso remanescente.
Invocas a minha maior desdenha,
E nada defendes por mim.

Lanças a falsa promessa,
Forma nítida que decoras.
Destróis todas as noites,
Recriando meus pecados,
Matas em mim as matas,
Recolhes minha luz,
Ofuscas minha alma.

Nada permanece,
Apenas uma noite,
De manto rasgado,
Raios que douram.
A melancolia de meu pesar,
A ignorância de teu querer,
Tão somente noites…

Nevoa do Silêncio

Nevoa que em curvas nasce a iluminar
Sombras de vultos a bailar na noite.
Brisa arejada da alma confunde-se,
Por entre galhas e relva.
Deita o lago adormecido em
Pranto de barcos distantes.

Branqueada cortina translúcida e intensa
Nasce do remanso da margem.
Crias ondas no tocar leve de teus dedos.
Do vento, o ressoar divino de ritmo de palavras,
No cantar da melodia noturna.
Sussurro da aflição solitária.

A palha que cai do alto do ninho
Revoa levemente sobre o olhar do luar
Perolado reflexa via-láctea o nevoeiro
De balé no agitar da cabeleira.

O orvalhar fiel reflete
À noite no espelhar do universo.
Fria a madrugada que eleva o véu
Em manhãs ensolaradas a dissipar.

Sons do silêncio de almas
De olhares que pouco se envergam na obscura noite.
Verte e inverte todo porvir.
Serenas madrugadas intensas
De nevoeiros barcos ancorados
A solidão da noite…
Em perpetuo silêncio.

A cortina de seda
Desponta em manhãs frias
De tarde quentes
Como olhar lagrimoso
A neblina invade todo derredor

Como garoa umedece
Fria molhada manhã resplandece
Como aquelas que de saudades e melancolias
Viestes em vestes de barcos distantes
Sinistro sentir de pensamentos viajantes

Afloras a demente vontade
Do verso deitado em leito de morte
Nebulosa a alma acompanha forte
E o norte desponta o sol…

***
Você também pode participar desta sessão, basta nos enviar seus poemas (no máximo 4), com uma pequena nota biográfica e foto que nos publicamos na Revista Nós Fora dos Eixos… Que tá esperando? Não perca mais tempo de mostrar sua poesia para as pessoas e lembre o Poeta é a pimenta do Planeta.




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Comentários

ADOREI!!!! PARABÉNS, MINHA QUERIDA!!!! BRAAAAAAAAAAAVOOOOOOOO!!!!

Muito bom mesmo….realmente bom! Parabéns!!!!

Rafael

EXCELENTE, PARABENS, NÃO PARE MAIS …
AOS CINQUENTA É RECOMEÇO DA VIDA …..

Que emoção saber ter pessoas, com esse magico sentimento grandioso e nos presentear tão brilhantemente com este POEMA. Parabénssssssssssssssssssss!!!!!!!!!! tu és millll.

Só falta a foto da Elisa Rachaus… Tô curiosa…
Abraços e sucesso!!!

Que sensibilidade tocante postas em versos! As palavras escararam sentimentos e convida o leitor a senti-los sem pudor. Elisa não só faz rimas, mas desperta o leitor a viver em sua poesia todos os sentidos. Com maestria, torna um tema simples, como em “Momentos Serenos”, em que fala simplesmente de uma praça, em enriquecedor, sem ser redudane ou cansativa. A poesa de Elisa é espelho de sua própria alma, simples e reveladora.

Obrigada querida Goi, você é muito gentil. Obrigada.

Elisa – grato – achei lindo seu poema – vc fala a linguagem dos deuses!!! Traz o som dos porquês do risco do amar. Meus efusivos cumprimentos. Ronaldo Carneiro – gov D4530 – Rotary International

Caros leitores, não poderia deixar de agradecer a tão belas palavras que motivam e dão sentido ao que fazemos.

Obrigada pelo carinho,
Elisa Rachaus

Os seus PPS são maravilhosos e a poesia veio completar a sua obra.
Adorei o poema e espero receber os próximos.Vou encaminhar a todos que tenham a sensibilidade para apreciar momentos tão encantadores.
Sucesso!

Eu me pergunto, como um ser pode dar tanta grandeza e sentimento a uma simples “palha que cai do alto do ninho…”. É de tal suavidade que torna um momento simplório uma sublime experiência. Teus poemas são simples e encantadores! Continue escrevendo sempre assim.

Elisa, achei muito bacana suas poesias. Há nelas um conteúdo e sentido rebuscados. Não sabia que vc tinha esse belo dom. Continue… seu talento conquistára a muitos, principalmente os amantes da poesia.
Um abraço.

Ma-ra-vi-lho-so! Continue escrevendo… A sua sensibilidade e sentimentos são visivelmente demonstradas nos seus lindos poemas! Adorei! Beijos

Maravilhoso! Continue escrevendo… A sua sensibilidade e sentimentos são visivelmente demonstradas nos seus lindos poemas! Adorei! Beijos

Eu já fiz comentários, comentar Elisa não é coisa fácil. Mas não sei o que aconteceu, não foi registrado. Elisa não faz poesia. Elisa é poesia. Eu passeio prazeirosamente nas palavras cujo tecido é seda, é suavidade e também profundidade. Avante, hermanita, que tu haces volar a mi alma. Muchos besitos.

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