Porto: Cultura à mesa prolifera nos cafés
Enviada por Carlos Jorge Mota, especial de Portugal
A moda dos cafés com cultura à mesa está em crescendo na cidade do Porto, em particular, na Baixa da cidade.
Um café com sabor a fado ou uma cerveja acompanhada de declamação de poesia são duas combinações possíveis para ocupar algum tempo livre.
Cada vez mais cafés e bares da cidade apostam em juntar artistas e público, mas a tendência não é nova.
Agostinho Barrias, dono de dois cafés-restaurante dos mais emblemáticos e antigos da cidade, o Café Guarany e o Majestic, há vários anos põe em prática o encontro à mesa de um café ou uma refeição com concertos de piano, fado e outros ritmos ao vivo, apresentações de livros, exposições ou tertúlias.
“Até aos anos 70, os cafés eram locais de tertúlias e de cultura. Eram um refúgio no tempo da ditadura. Havia mais a cultura do café, ou seja, as pessoas vinham tomar café, iam ao teatro ou ao cinema e depois encontravam-se novamente nos cafés, por volta da meianoite ou 1h00. Essa tendência foi morrendo”, diz.
Mas outra tendência ressurgiu e além dos cafés que conciliam o convívio com a divulgação da cultura de uma forma mais formal, outros bares fazem-no de forma mais descontraída.
“Promovemos eventos e artistas que, muitas vezes, não têm oportunidade em museus ou salas de espectáculo e, ao mesmo tempo, também artistas consagrados. Há uma mistura entre aqueles que estão a começar uma carreira e aqueles com um percurso comprovado. Haver esse à vontade também faz falta”, considera Filipe Teixeira, sócio-gerente do Plano B, um bar que aposta, entre outras acções, na divulgação de músicos menos conhecidos do grande público, há cerca de três anos instalado no centro do Porto.
Os eventos culturais mais informais convivem, lado a lado, com as formas mais tradicionais de oferecer cultura e arte, nos espaços dedicados como museus, casas de espectáculos e salas de exposições.
Uma convivência harmoniosa, no entender de Agostinho Barrias, que acredita que esta aposta trouxe mais vida à Baixa portuense e tem benefi ciado os negócios desta zona da cidade tradicionalmente deserta durante a noite.
O Café Guarany e o Plano B estão incluídos, juntamente com a Leitaria da Quinta do Paço, o café Ceuta e o espaço Maus Hábitos, na iniciativa “Regime de Meia Pensão”.
Um evento que vai pôr cinco artistas a trabalhar nestes cafés do Porto durante três dias. Isabel Carvalho, artista plástica e ilustradora de banda desenhada, vai passar algumas horas por dia no Guarany, João Gesta vai estar na Leitaria da Quinta do Paço, Jorge Andrade, actor e encenador, estará no Plano B. Os escritores Valter Hugo mãe e Pedro Eiras vão estar no Maus Hábitos e no café Ceuta, respectivamente.
A organização, a cargo da associação Arco da Velha, vai registar os trabalhos desenvolvidos em formatos vídeo, fotografia e texto.
In Página 1 da RR
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