Síndrome psicológica?
Por Paulo Madeira*
Disseram-lhe que as certezas religiosas foram reveladas por Deus? Analisar isto é oportunidade de um bom treino filosófico: Será que Deus se revelaria a alguns escolhidos, e os outros precisariam confiar nesses “alguns”?
Se você aceitar isto, não estará abdicando de sua própria capacidade de avaliar as coisas? Não se estará deixando sugestionar e expondo-se a ser enganado? Há que filosofar. Então, queira saber: Por que se crê ? Ah, só Deus sabe… Mas, dizem que nós temos de crer em Suas revelações. Mas, quem o diz? Ele próprio? Bom, quem nós vemos dizendo são os “emissários”, que seriam os porta-vozes das divinas palavras.
De tanto eles nos admoestarem e anunciarem castigos eternos, até mentes não muito crentes se rendem à precaução e passam a tentar salvar não apenas a pele…, mas também a ALMA.
Como ? C R E N D O. Ainda que, no íntimo, com mais medo do que com fé ou convicção genuínas. Muito psicológico, isto, não é? Ademais, não parece nada gentil para com Deus forçar a barra assim… Forçar a porta do Ceu desse jeito tão interesseiro!
Mas, ante a inevitável expectativa da morte, acrescida da ameaça de vida posterior, eterna, é mais seguro não se arriscar…
Entretanto, com a razão e a lógica, usando-as sem as amedrontadoras apreensões sobre o desconhecido, as cabeças inquiridoras não chegam a Deus. Até o insuspeito Santo Tomás de Aquino que, apesar de doutor da Igreja, reconhecia e valorizava a razão, pulou para a fé…, considerando-a o veículo que garantiria o acesso a Deus (e Suas “verdades”) e, daí, o ingresso no Ceu.
É, porém, visível que a “revelação de Deus” e/ou Sua “iluminação” não são doadas paternal e democraticamente a todos, por mercê de Deus-Pai. E isto não combina nem com essa Sua ‘paternidade’, nem com os teologicamente propalados atributos do Deus-Único, como bondade, justiça, amor etc., estas características antropomórficas, tiradas do teórico ideal de humano ideal.
Estas são dúvidas que a Filosofia propõe. Quer encará-las?
* Paulo Madeira é filósofo e autor do livro Incertas Certezas, publicado pela Thesaurus Editora
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caro colega, se o mais provável é que deus nem exista, (e disso eu tenho certeza, basta ler meus livros editados aí pela Thesaurua, onde afirmo que ele, assim como o Absolutamente Absoluto, nem existe, nem não-existe), por que se preocupar com o que os seres humanos vem fazendo em função de suas fracas capacidades de pensar e de agir de modo digno de ser chamado de “correto”? Penso que o velho Sócrates não estava minimamente interessado em tais especulações que tão bem demonstram nossa misérias de seres naturais, provenientes de meras probalidades que a materia tem de transformar-se aleatóriamente e de desembocar nesse estupendo Universo. Você não concorda?