Crônica “Habeas copus!”
Crônica semanal de Orlando Muniz*
“Estamos na Suíça”! Bradam manchetes e factóides por semanas a fio, em loas para mais uma lei de primeiro mundo editada para resolver todos os males do fígado e do trânsito aqui pelas terras de “João Cana Brava”! O mais singular nisso tudo é que acompanhado das recorrentes opiniões sobre a eterna condição de pais de terceiro mundo, vem àquela velha aposta se a “Lei seca” pega ou não pega. Como é que se aprova uma lei no Congresso Nacional, vai à sanção do Presidente da República, e depois de tudo isso, a sociedade começa a discutir se irá pegar ou não. Convenhamos é a coroação da eterna mazela de caráter mal resolvido na gênese formadora de nossa sociedade. Ou não é isso? Lei é lei, e deve ser cumprida ou contestada, na justiça pelas vias constitucionais ou no Congresso e pelas vias legislativas. Uma vez aprovada cumpra-se! Fazer cumprir será outra conversa!
Toda essa polêmica – se é que existe mesmo alguma polêmica – decorre pelo fato da falta de assunto sério por estas bandas, uma vez que não nos parece sensato, que ante os milhares de problemas não resolvidos, possamos ficar discutindo sobre a seriedade de uma lei. Ao que parece o Brasil está ficando fora de moda e sem charme, afinal para que sejamos merecedores de reconhecimento do mundo globalizado, a primeira providencia é pegar um avião e rumar para o exterior. As modelos, os jogadores de futebol, pilotos de formula um, e até alguns meliantes, para atingir notoriedade, precisam de suporte em alguma ação desenvolvida no primeiro mundo. Por aqui sobram os bebuns sem qualquer notoriedade. No “Jornal Nacional” – por exemplo – as matérias trazem sujeitos “cheios de cana até o pescoço”, mas sem nenhum charme ou humor típico dessas ocasiões.
Na hora H, trocam as pernas e engalfinham-se com os soldados, mas sem nenhum traquejo nem aquelas desculpas esfarrapadas, que somente bêbados com pedigree, sabem fazer. Pensemos bem na cena da jornalista colocando microfone e câmera em close para uma conversa com o poetinha Vinicius de Moraes após algumas boas doses de destilado de primeira e em altíssimo astral nas cercanias da Lagoa. Ele sentado ao volante de um Sinca Chambord, começaria por um papo entrecortado entre versos e rimas, e algumas cantadas – literalmente – na desajeitada jornalista. Após declamar versos trôpegos o poeta até poderia convidá-la para uma tarde em Itapoã, para beber uma cachaça de rolha. Se fosse o Tom Jobim, aí mesmo é que a matéria seria coroada com alta sonoridade, sem sobriedade, mas regada a muito Scott, belíssimo papo e se desse sorte – a jornalista receberia um convite para um chope no Bar Veloso – no Leblon – para uns rabiscos finais na letra de “Corcovado”. Na falta do charme desses célebres apreciadores de um bom copo, as televisões e jornais enveredam pela mesmice da notícia requentada e sem sal que provavelmente sairão do ar e sumirão do mesmo modo que chegaram: tontas, cambaleantes, sem estrutura, cheirando a azedo e precisando de Engov!
Orlando Muniz é autor do livro Armazém Brasil e está com novo livro no prelo Máscara das Palavras.
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excelente. Esta artigo faz parte do novo livro que será lançado em agosto/2009
PARABENS