Lançamento do livro O Milho Nosso de Cada Dia leva o povo à embaixada de Portugal/Instituto Camões
Cerca de 300 pessoas participaram da solenidade de lançamento do livro O Milho Nosso de Cada Dia, de Vera Lúcia Versiani. O evento aconteceu dentro do programa de integração cultural Portugal, Portugais/Brasil, Brasis, dia 16 de junho de 2009, às 19h30, na embaixada de Portugal, onde também funciona o Instituto Camões.
No programa, além da sessão de autógrafos, apresentações das artesãs da Associação das Marias, de Patos de Minas (MG), do grupo de Congada do mesmo município e pratos gastronômicos que tem o milho como matéria-prima.
O Milho Nosso de Cada Dia mapeia a história deste cereal, que Vera Lúcia Versiani acredita ser a solução para a fome do mundo de economia globalizada. “O aproveitamento do milho é 100%. Da palha ao grão tudo se aproveita. Patos de Minas, município onde eu nasci, há 51 anos promove a festa do milho. Por isso é considerada a capital nacional do milho”.
O povo presente
O povo tomou de conta da embaixada de Portugal. O editor e comendador Victor Alegria, da Thesaurus Editora, um dos coordenadores do projeto bilateral Portugal, Portugais/Brasil, Brasis, comentou:
“A coisa mais importante foi o povo ir numa estrutura elitisada, que é uma embaixada e apresentar sua cultura centenária, enraizada no inconsciente coletivo. Uma cultura que ajudou a formar a cultura brasileira. Eles transmitem essa cultura de geração em geração, mas não tem consciência do que ela representa”.
Alegria disse ainda: “Fala-se muito em povo, mas ninguém se preocupa com ele. As pessoas que eu observei estavam com os olhos marejados. Pela primeira vez o povo adentrou a embaixada de Portugal/Instituto Camões. Foi uma misturada tremenda”.
Havia gente de toda nacionalidade. Embaixadores, ministros, diplomatas, escritores, políticos, artesãos, gente do povo. Do Brasil, Portugal, África, todos ficaram contagiados pelas demonstrações artísticas luso-afro-brasileiras.
Importância do milho
“Uma coisa fantástica, todos cantando e dançando. Comovente. Minha prima chorou, ela que viveu 18 anos em África, não resistiu àquela gente simples. Os diplomatas queriam fazer essa homenagem ao povo de Patos de Minas”, acrescentou Alegria.
Não faltou sequer a leitura do poema Oração ao Milho, de Cora Coralina, por Letícia Gouveia. O secretario de Cultura de Patos de Minas, Márcio Maciel, falou da importância do milho na economia do município, também representado pelo grupo de artesãs Associação das Marias.
Para a secretária Luciane Abadia, a festa foi muito legal. “O que eu mais gostei foi a apresentação da congada, muito interessante, os participantes são divertidos. Também gostei muito do trabalho das Marias Artesãs. Foi tudo muito bem elaborado, o trabalho das Marias, eu tive o prazer de vê-las fazendo linha de algodão”.
Débora Alcântara, atendente, uma das primeiras a chegar e das últimas a ir embora, também gostou muito do que viu e ouviu: “Achei interessante a dança (Congada e Moçambique). Os mais simples e os mais humildes, os mais animados. Pessoas interessadas pelo que fazem. Tinha várias senhoras fazendo linha de algodão. O artesanato da Associação das Marias é simples e de alta qualidade. Gostei do ambiente. Estava tudo muito bom”.
Da redação
De parabéns a embaixada de Portugal e Adrino Jordão, adido cultural e notável pianista, que conseguiu um entrosamento de sua equipe, que ultrapassa o simples dever.
De parabéns também as irmãs Versiani, a prefeita Beatriz Savassi e o secretário de Cultura Márcio Maciel, de Patos de Minas, que acreditam no projeto Portugal, Portugais/Brasil, Brasis e que o milho é um alimento que pode acabar com a fome e a desnutrição.
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