Afonso Ligório, um escritor que usa a ficção para reconstruir a verdade histórica
O jornalista, contista, romancista, pesquisador e professor Afonso Ligório faz parte da comitiva de autores brasileiros que estão em Portugal desde o dia 21 de junho de 2009, como parte do programa Visita às Nascentes da Língua Portuguesa, dentro do projeto de intercâmbio cultural Portugal, Portugais/Brasil, Brasis.
“Eu gosto de todas as linguagens literárias, mas prefiro, sobretudo, o ensaio de pesquisa histórica. É o fato real, e se é o fato real, me satisfaz, às vezes, muito mais que a ficção. A ficção é uma saída da realidade transitória, da realidade para a fantasia, ou para aquilo que se desejaria que fosse e até para o que não se desejaria”, acrescentou.
Reconstruir a verdade
Para Afonso Ligório, “a ficção é dominante entre os escritores. Dificilmente a pessoa escreve algum tema que não insira a ficção. Uma ficção vestida de realidade. A ficção, também, às vezes, é um instrumento que se usa para se reconstruir a verdade”.
O primeiro livro de AL foi Só Esta Vez (contos, Thesaurus, 1987). Daí para o jornalismo foi um salto. “A literatura me levou ao jornalismo. O que eu gosto do jornalismo é a coisa imediata, o sonho contado como realidade. O que interessa ao jornalismo é a verdade, o fato, o acontecimento”.
E acrescentou: “Isso é o que me satisfaz intelectualmente, a criação a partir da realidade, não uma realidade partindo da ficção, isso não existe. Ela se desdobrando naquilo que eu imaginaria que ela chegasse a ser”.
Quem é
Afonso Ligório nasceu em Luzilândia (PÍ). Passou a meninice e parte da infância em Teresina, quando a família muda para Recife (PE). De lá, transferiu-se para Brasília. Jornalista, bacharel em direito, pós-graduado em comunicação social, com curso de especialização na Espanha (Madrid) e Universidade de São Paulo.
Obras: Só Esta Vez (contos), com tradução para o inglês. A Hora Marcada (contos), Thesaurus, 1991. Tempos de Leônidas Mello (ensaio histórico), Teresina, 1994. Aníbal Fernandes, um Espadachim da imprensa (biografia), Bagaço, Recife (PE), 1997. Capitania do Açúcar (romance), Bagaço, Recife, 2000. Outros Tempos (memória), Thesaurus, 2002.
AL faz parte de várias academias de letras. Atualmente edita o Jornal da ANE – Associação Nacional de Escritores. Um dos ganhadores do Prêmio Letterario Maestrele – San Marco Marengo D’Oro (Medalha de Prata) – Itália – pelo romance Capitania do Açúcar. É fundador da Revista de Atualidade Indígena.
Serviço
Terra do Gado – A conquista da capitania na pata do boi – Afonso Ligório Pires de Carvalho – pesquisa histórica sobre o Piauí – Thesaurus Editora – Pedidos: www.thesaurus.com.br
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