Crer ou Não Crer?

Por Paulo Madeira *

A Criação do Homem, de Michelangelo (1475-1563)

A Criação do Homem, de Michelangelo (1475-1563)

Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em números bem arredondados, vivem no Brasil uns dez milhões de adultos ateus e uns cem milhões de crentes.

E como, todavia, todos são inteligentes,  homo sapiens  que são,  é  forçoso concluir que a inteligência de um dos dois grupos estará sofrendo algum bloqueio ou  interferência.

Em princípio, se a inteligência fosse dádiva divina (como se acredita desde o Gênesis) ela levaria a todos ao mesmo  porto,  à mesma conclusão. E, neste caso, seria, obrigatoriamente, à conclusão de que  DEUS  EXISTE  (já que Ele seria o (existente!) presenteador da referida dádiva).

Mas, sem agredir a lógica, é admissível pensar-se também que a aptidão de pensar NÃO TENHA SIDO PRESENTE DE UM DEUS, mas  que tenha sido UMA RESULTANTE DA EVOLUÇÃO (a evolução que ocorreu no cérebro de um certo hominídeo, o que ficou  erectus,  habilis  e  sapiens).

Sagrada Família, de Michelangelo

Sagrada Família, de Michelangelo

É razoável (por ser inteligível) pensar-se, ainda, que foi exercitando essa inteligência nem divina nem espiritual, mas NATURAL (já que ela é biológica), que os filósofos começaram a formular OUTRAS conclusões.

E, veja só o que eles foram arranjar.  Uma delas é duvidativa…  É a conclusão de que estes  sapiens  que nós somos temos a capacidade de    IMAGINAR, de INVENTAR,  mas nem  por isso, ou talvez justamente por isso, NÃO podemos  GARANTIR  que a existência de um deus seja um fato.

A maioria das pessoas não gosta de gastar inteligência com especulações.  E os pobres dos animais não têm essa escolha a fazer.   E, não tendo, não sofrem inquietações e dúvidas filosóficas… Nem poderiam, coitados, uma vez que o potencial de que dispõem para pensar é muito restrito, não chega aos pés do tão bom que os humanos apresentam (mas nem sempre usam…)   Suas motivações limitam-se à luta pela sobrevivência, obedientes tão somente aos bitolados instintos, não produzindo pensamentos que se aproveitem…, discernimentos, encadeamentos lógicos etc.

E os humanos? Ah, estes não têm esta desculpa, porque podem olhar em volta, interpretar, inteligir, entender e decidir. E ficarem diante  de  duas possibilidades: CRER ou NÃO CRER.

incertasincertezas.paulomadeira * Paulo Madeira,

filósofo e cronista,

é autor dos livros

Incertas Certezas

Crenças Incríveis.
www.thesaurus.com.br




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