Fotografia de Arte, Veículo da Preservação da Memória Cultural

MD, Brasília, Reveilon 2007-08
Por Marcelo Dischinger *
Especial para Nós – Fora dos Eixos
Chamo-me Marcelo Dischinger e sou fotógrafo profissional. Desde adolescente fui ligado à arte e cultura em geral, incluindo a história da arte, o que me despertou interesse em colecionar tudo relacionado ao assunto. A preservação da memória cultural é algo que sempre me preocupou.

Célia Porto, uma das vozes musicais de Brasília, pelas lentes de Dischinger
Sou nostálgico e acredito que as coisas boas devem ser preservadas, nem que seja através de belas imagens. Colecionei selos sem carimbo, cédulas flor de estampa, moedas flor de cunho, medalhas comemorativas, cartões telefônicos cheios, cartões postais, etc.
Como sempre prestigiei e valorizei Brasília, seu entorno e sua rica cena cultural, naturalmente o meu foco de interesse se direcionou cada vez mais para a nossa cidade. Passei a arquivar material gráfico relacionado a ela como mapas turísticos, matérias de revistas, cartões postais desde os anos 60, etc.
Nos anos 90 comecei a guardar material cultural brasiliense como matérias de jornais, panfletos (flyers de música, teatro, dança, cinema, performance, etc.), CDs, LP’s, demo-tapes, livros de autores locais, etc.
Trabalhei na cena local inicialmente registrando em vídeo inúmeras manifestações artísticas, principalmente shows de rock, estilo musical que mais gosto, seguido do blues, jazz e MPB de qualidade.
ACERVO DOCUMENTAL
Tenho em meu acervo centenas de filmagens de muitas bandas/músicos locais e nacionais. De repente percebi que o meu trabalho estava além do meu equipamento de vídeo (uma velha camcorder VHS). Como não dispunha de capital para comprar uma filmadora de qualidade como, por exemplo, uma mini-DV com 3 CCDs e cada vez mais mantinha contato com outros fotógrafos brasilienses e suas obras, acabei adquirindo uma câmera fotográfica 35 mm Canon EOS 5 em 1999, apesar de já tirar fotos com equipamentos inferiores desde o início da década.
A partir de então passei a fotografar mais do que filmar e para me profissionalizar foi um pulo. Ainda gosto muito de vídeo e cinema, mas atuo mais no mercado como fotógrafo. A fotografia é uma arte que permite que se invista aos poucos, assim sendo, fui adquirindo diversas objetivas, flashes, acessórios, etc. Em 2003 finalmente passei a utilizar somente equipamentos digitais.
As áreas que mais me agradam na fotografia são o fotojornalismo cultural e o nu artístico. Como é mais difícil sobreviver fotografando exclusivamente cultura, passei a atuar em quase todas as áreas fotográficas como fotografia social e publicitária, mas sempre buscando um “olhar artístico”.
Desenvolvo um projeto experimental ainda inédito relacionado à figura humana paralelamente à minha atuação como fotógrafo free-lance. Em 2004 formei-me em Sociologia na Universidade de Brasília.
A minha formação fotográfica é quase totalmente autodidata e minhas influências são inúmeras, logo prefiro não citar uma em específico. A maioria das minhas fotos foi produzida em cores, apesar de também apreciar o preto e branco e de compreender que a ausência de cor deve ser compensada com outros elementos, o que torna uma boa foto em preto e branco tão expressiva.
Toda imagem que passa pela minha frente recebe uma análise crítica e eu estudo fotografia diariamente na web, participando de fóruns, etc. Sou muito autocrítico e perfeccionista.
Serviço
Marcelo Dischinger é fotógrafo e sociólogo.
www.fotoetal.com
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Muito bom o depoimento, é desse tipo de pessoa que Brasília precisa.