São Lógicas as Religiões?

Por Paulo Madeira *

Michelangelo, Sagrada Família

Michelangelo, Sagrada Família

Parece que não. A decepcionante conclusão que emerge de seus alicerces, de suas pedras fundamentais ideológicas, é que tais “pedras” são feitas com argamassa preparada nas cabeças, não de deuses!, mas, dos próprios homens  e nem sempre dos mais pensantes.

Então, que impressionante argamassa é essa que, mesmo assim, produz alicerces tão eficiente para a sustentação das crenças? Nada tão admirável.   Simplesmente a complacente aceitação subjetiva de que os fundamentos apresentados são divinos e, por isso, não devem, não podem ser discutidos, postos em dúvida, mesmo quando pareçam  absurdos.

Por que os crentes aceitam uma tal submissão?  Tudo indica que por razões talvez um pouco lógicas, mas, rigorosamente, bem psicológicas… Ou seja, porque é muito mais fácil  aceitar do que analisar. E depois porque, vamos combinar…, é  também mais cômodo. Não exige coragem nem audácia.

Aceitam-se as invenções imaginadas (mitos, lendas, estórias) para servirem de “pedras” (alicerces) em que se apoiarem as doutrinas, as crenças e as fés.

É isso.   A “aceitação” (das crenças, e das divindades), apesar de visivelmente um mero fenômeno psicológico, resolve.

Uma vez aceita a aceitação, instala-se o dogma e a fé. E não é ilógica a presunção de que uma revelação (se divina!) seja uma firme causa e a fé seja seu efeito.

Entretanto, não há evidências de que uma tal premissa-causa  (a suposta revelação) seja objetiva, seja real, vinda de um deus e não da mente medrosa do próprio crente que a aceita, cultiva e crê, de tanto ouvir de seus mestres a recomendação para “temer a Deus”…

Todavia, quem não gostar da ideia de aceitar, passivamente, este papel de dócil crente (sem convicção…), poderá (sem cometer pecado!) abandonar as premissas falaciosas e ir procurar, em algum outro setor das  mentes, os pontos de partida das fés.

Onde?

Que tal nas motivações psicológicas das pessoas? Por exemplo, será que o que as  levam  à  credulidade fácil não é um certo incômodo devido à insegurança de não entenderem as complexidades da vida, da natureza, de tudo?  E, por cima disso, dessa carência de compreensão,   não haverá também algo ainda mais pesado,  os medos?

Com um pouquinho de disposição inquiridora (filosófica?) talvez você descubra as verdadeiras, objetivas e reais raízes  das fés.

1543_thumb Serviço:
* Paulo Madeira, filósofo, é autor dos livros Incertas Certezas
e Crenças Incríveis.
www.thesaurus.com.br




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Comentários

Concordo sim, é muito mais fácil aceitar absurdos como verdadeiros do que, simplesmente, pensar. Mas, por esse ângulo, poderia argumentar-se que nós (os descrentes) também absorvemos e aceitamos, diariamente, falácias e falsas informações, sem nos darmos conta ou pensarmos a respeito.

O que me perturba profundamente nas fés é algo mais sórdido. Se essas pessoas realmente acreditam que cada palavra de seus livros sagrados foram ditadas por um deus, então elas seguem deuses de, no mínimo, dois mil anos, raramente dóceis, frequentemente orgulhosos, vingativos e mesquinhos e, principalmente, desatualizados com “seus” mundos…

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