Golbery Tinha Razão
Por José Roberto da Silva *
Especial para Nós – Fora dos Eixos

Presidente Luis Inácio Lula da Silva
O professor José de Souza Martins – emérito sociólogo da Universidade de São Paulo – em análise política recente, ressaltou o espantoso panteão neo-conservador erguida pelo lulismo no palanque nacional: o apoio ao sarneysismo e o resgate político de Collor e Renan Calheiros.
E, faltou dizer, o esforço para recriar um ethos desenvolvimentista à la Getúlio Vargas, com base no capital do Estado e um terceiro-mundismo anos 50 que não vai além das pegadas chavistas. No primeiro caso, o Estado como cabide de benesses e jacá de maracutaias à custa do equilíbrio das contas públicas.
Martins relembra a “Carta aos Brasileiros” (2002) como “o início de sua (do PT) desconstrução de direita”. O rancor do lulismo ao governo Fernando Henrique é visceral na medida em que a Era Lula é um frankstein político que não assume as heranças paternas: FHC III nas balizas sócio-econômicos (câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, etc.) e, no plano sócio-político, o populismo paternalista na velha tradição getulista.

José Roberto da Silva
O PAC tem a pretensão de se apropriar da imagem modernizadora do Plano de Metas de JK, mas, pelo tamanho do atoleiro, fará 5 anos em 50.
A boa pergunta indaga ao futuro imediato qual será o destino do lulo-petismo. Esse ser ambíguo, nascido no sindicalismo de resultados à la americana, foi batizado por parte da intelectualidade paulista na pia batismal das comunidades eclesiais de base, mas formou sua procissão de fiéis com o que restou da hecatombe das esquerdas brasileiras, raras exceções.
O escrivão que lavrou a certidão chamar-se-ia Golbery do Couto e Silva. Mas, o que importa é entender o caráter do lulo-petismo, fenômeno em franco descolamento de retina face ao próprio partido que alçou Lula ao papel de ungido pelas massas excluídas.
Uma resposta está dada pelo médico e ensaísta Fernando Flora, em livro recém editado pela Thesaurus: “Lula e o PT: da esperança ao feijão-com-arroz”. Trata-se de um néo-populismo à moda da casa, cujo líder messiânico dispensa os partidos e até mesmo o próprio, rasga os livros de História porque está acima deles, tão acima que é difícil não temer retrocessos no processo de institucionalização política democrática ao recrudescer no fisiologismo e abandonar a bandeira das mudanças.
Serviço
* José Roberto da Silva
é escritor, poeta e jornalista.
É autor de
Sementes da Memória
(Thesarus Editora).
www.thesaurus.com.br
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