Em Que Se Baseiam as Fés ?

Por Paulo Madeira *
Especial para Nós – Fora dos Eixos

Michelangelo, A Criação do Mundo

Michelangelo, A Criação do Mundo

Para descrentes, faltam bases para elas.   Tanto evidências lógicas como sinais concretos da existência de origens autônomas para as fés.

Já os crentes acham que suas fés são, sim, ministradas por uma divindade, uma personalidade superior, independente, o seu deus, o qual injetaria no crente sua “revelação”, a qual, dessa forma, seria REAL, não algo apenas imaginado, subjetivo.

Se pensarmos que tal “revelação” é, mesmo, um fato, algo real, ou, então, se, ao contrário, pensarmos que ela não passa de impressão psicológica do crente, teremos de reconhecer, todavia, uma certa lógica aí.Uma causa que vem de fora (a revelação),  e seu efeito no sujeito (a fé).

Entretanto, essa lógica não significa, necessariamente, que isto seja verdade.   Afinal, o objeto da fé pode ser algo não real, mas, apenas, imaginário, subjetivo, que não exista em si mesmo, mas tão somente na imaginação do crente.

Sim.  Isto mesmo!   Para que houvesse veracidade em suas crenças, seria preciso que as premissas delas fossem reais.

Por exemplo, que o deus que se revelaria existisse de fato, e não fosse apenas criação da mente do crente.   E mais:  Que ele tivesse querido se dar ao trabalho de inocular revelação em criaturas.

Ocorre que, quanto a ambas as coisas (tanto a existência dele como sua ação de revelar-se), podemos alimentar tanto fés como dúvidas. Só que fés & dúvidas são irreconciliáveis.

Então, os teólogos arranjaram um artifício sobre o qual assentarem  a fé,  para que ela ficasse confiável.

Artifício, não!   Alto lá!   Dirão eles.   Trata-se é de um alicerce absolutamente seguro, por ter sido algo ministrado por um deus.  Sobre tal alicerce estão edificadas (e de pé!) as religiões.

Jesus, por exemplo, deu ao nome de Pedro conotação de “pedra”, alicerce, base, raiz, ao proclamar:  “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (sic).

As demais religiões também receberam assim, de graça, as suas “pedras”.   (Ou seria inventaram ?).   Só que sempre pedras arenosas e quebradiças…

E, por essa sempre presente e notória fragilidade de todas elas, parece tratar-se, mesmo, de artifício, e, não, de bons alicerces.

Mesmo assim, eles são surpreendentemente eficazes, uma vez que sustentam os mais variados (e incríveis) edifícios de credulidades, as religiões de todos os tempos, lugares e culturas.

Mas, como é possível isso?   Como as religiões conseguem casar a fragilidade racional de seus fundamentos com a eficácia pragmática que ostentam?

Se você quiser mesmo saber, tente olhar e analisar isto com isenção, isto é, sem crenças prévias e irremovíveis.

Assim, talvez você veja, limpidamente, que tanto os fundamentos, as “pedras”, como a eficácia no arrebanhamento de fieis têm origens bem prosaicas e banais, ao invés de divinas.

incertas_certezas_jpg Serviço
* Paulo Madeira,

filósofo,

é autor dos livros

Incertas Certezas

e
Crenças Incríveis  -

editados pela Thesaurus.

www.thesaurus.com.br




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Comentários

Excelente! Porém a fé é uma indústria poderosíssima, com ramificações em todas as mídias e profunda conhecedora dos medos e fraquezas humanas, combate-la é uma luta quase inglória. (Eu quando a combato, muita vezes sou chamado de louco).

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