5 de Outubro – Feriado Nacional em Portugal
Por Carlos Jorge Mota *
Especial para Nós – Fora dos Eixos

Mapa de Portugal, pátria de Camões
A Implatação da República em Portugal no dia 5 de Outubro de 1910 foi o corolário de todo um processo que remonta às sementes propagadas pela Revolução Francesa e à Independência dos Estados Unidos da América.
Com a criação do Partido Republicano em 1876, foram criadas condições para a melhor difusão no país dos ideais republicanos, já manifestados anteriormente através de acões nascidas na cidade do Porto e no Brasil, ainda então colónia. A Inconfidência Mineira e a República Pernambucana, que conteriam também ideias independentistas, detinham na sua génese todo o sentimento republicano.
A humilhação sofrida pela capitulação da Coroa Portuguesa perante o Ultimato (*) feito a Portugal pelos ingleses, que viam no Mapa Cor-de-Rosa (*) uma ameaça aos seus interesses em África, foi capitalizada pelos republicanos e ajudou a acelerar a formação dum movimento militar e popular que pugnava pelo derrube da monarquia, pois o sentimento patriótico havia sido gravemente ferido.
Acionado o dispositivo, forte oposição foi oferecida pelas tropas leias ao Rei, mas, finalmente, e após vários dias de combates, na Rotunda – hoje Praça Marquês de Pombal – em Lisboa, é dado o grito de vitória e hasteada, no edifício da Câmara Municipal, a Bandeira da República, cerimónia que, ininterruptamente, se celebra em 5 de Outubro e que no próximo ano comemorará o seu Centenário.

O povo lusitano celebra o seu feriado
(*) O Ultimato britânico de 1890 foi entregue a 11 de Janeiro de 1890 por um “Memorando” exigindo a Portugal a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, no actual Zimbábwe, a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa-cor-Rosa, reclamando, a partir da Conferência de Berlim, uma faixa de território que ia de Angola à contra-costa, ou seja, a Moçambique. A impossibilidade de resistência leva à imediata queda do governo.
Inicia-se um profundo movimento de descontentamento social, implicando directamente a família reinante, vista como demasiado próxima dos interesses britânicos e da decadência nacional patente no Ultimato.
(*) O Mapa Cor-de-Rosa foi o documento representativo da pretensão de Portugal de soberania sobre os territórios sitos entre Angola e Moçambique, nos quais hoje se situam a Zâmbia, o Zimbábwe e o Malawi. A disputa com a Grã-Bretanha sobre estes territórios levou ao Ultimato Britânico de 1890, a que Portugal cedeu, causando sérios danos à imagem do governo monárquico português.
* Carlos Jorge Mota é português, vive em Portugal (Porto). É colaborador da Nós – Fora dos Eixos
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Artigo interessante e oportuno. Desconhecia a influência brasileira na queda da monarquia e implantação da república em Portugal.