Cerino: “Necessito da Surpresa Para Produzir a Minha Arte”
Por Menezes y Morais *
André Cerino, pernambucano radicado em Brasília, cartunista, web designer e artista plástico, está celebrando 25 anos de arte, expondo, até o dia 17, um resumo do que produziu nesse período.
São 30 pinturas, 20 esculturas e 10 bicos de pena, que o público pode conferir no Espaço Cultural “Luiz Antônio Borges”, no Centro Empresarial Barão de Mauá, localizado no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), em Brasília (DF).
Cerino, como é mais conhecido, tem 45 anos. É considerado um dos mais produtivos artistas brasilienses. Ele também é escultor, cartunista, chargista, ilustrador, artista gráfico. Nasceu no Recife (que ele chama de “A fovista capital de Pernambuco”) em 10 de setembro de 1964.
EM BRASÍLIA
Em 1983, aos 19 anos, mudou-se para Brasília. Nos últimos 25 anos, além de se dedicar à pintura, ilustrou livros, jornais e revistas e participou de inúmeras exposições coletivas, além das individuais, participando de salões de arte e de humor no Brasil e no exterior.
Nos anos de 1980, foi destaque nas 90 horas de pintura contemporânea, a maior maratona de artes plásticas realizada no país. Entre os prêmios que ganhou como cartunista, destacam-se: Menção Honrosa no III Salão de Humor de Minas Gerais. 
Foi classificado em segundo lugar no IV Salão de Humor de Minas Gerais e ganhou Menção Honrosa no II Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos (Unacon).
Tem mais: Cerino foi contemplado com o terceiro e o primeiro lugares do júri popular no III Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos e primeiro lugar no V Salão de Humor, sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos.
Este pernambucano, terra do poeta João Cabral de Melo e do artista plástico João Câmara, tem trabalhos publicados no Catalogue from III International Satirical Contest – Karpik 2005/Niemodlin-Polônia. Como artista plástico, entre vários prêmios e menções honrosas que ganhou, destaca o primeiro lugar no III Salão Nacional de Artes Plásticas do Iate Clube, Brasília (DF).
LOGOMARCAS
Também ganhou prêmios em concursos de logomarcas e campanhas publicitárias. Como é o seu processo criativo? Ele responde:
“Quando estou diante de uma tela em branco fico imaginando que ela é a cortina de um teatro e que será aberta a qualquer momento, e eu, como artista e espectador, espero ser surpreendido pelo que vou ver”.
“Minha ansiedade é tanta que fecho os olhos para imaginar o que virá por trás daquela lona. Como espectador, fico torcendo para que seja uma coisa maravilhosa e que possa transformar o meu estado de humor e trazer algo de bom para a minha vida”.
“Como artista, procuro desorganizar o pensamento e improvisar os movimentos, que fogem ao meu controle. Não sei exatamente o que vou fazer, simplesmente busco o novo, intuitivo”.
NECESSIDADE DA SURPRESA
“Isso porque, quando há um planejamento, perde-se a surpresa. E necessito da surpresa para produzir a minha arte. A cortina se abre; começa, então, o diálogo. Muitas vezes, o espectador se encontra diante da obra com um olhar intrigante, questionando e tentando encontrar comparações com as imagens do mundo real”.
“À medida que olha para o quadro mais de uma vez não existe mais aquela surpresa, mas a cumplicidade, pois as imagens captadas pelos olhos começam a fazer parte do universo da pessoa. Da mesma forma, quando outro espectador olhar o trabalho pela primeira vez também será surpreendido”.
“Tento causar esse estranhamento com a minha arte, mantendo um constante diálogo com o público. Não conduzo a arte, deixo que ela me conduza. Nesse processo, eu me considero tão espectador quanto criador”.
“O que não é mais novo para mim será novo para quem nunca viu aquela obra. Fiquei surpreso com Guernica, de Pablo Picasso, mesmo sabendo que milhões de pessoas já a tinham visto. A guerra é uma horrível criação humana, mas o que vi naquela obra não era guerra: Picasso pintou a dor. Mesmo o que conhecemos pode ser novo, dependendo da nossa imaginação”.
“O olhar sobre as coisas é o que nos diferencia uns dos outros. Criar é a mais sublime das capacidades humanas. Quando criamos, damos a nós mesmos a medida da nossa existência. Diante de uma criação, o homem não vê o criador, mas a si mesmo”.
“Todo homem é capaz de criar e dar à sua criação a importância que merece, desde que canalize suas idéias para um bem comum e que deixe de lado seus preconceitos sobre as coisas que existem”.
“Minhas obras não me pertencem. Pertencem a todos os que buscam, através do olhar, a liberdade de ver o mundo com olhos de criança”.
* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.
Serviço
André Cerino: 25 Anos de Arte, Centro Empresarial Barão de Mauá, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Trecho 4, Lote 25, Loja 1. A mostra permanecerá aberta até 17 de outubro. O horário para visitação: de segunda à sexta-feiras, das 9 às 18hs. Mais informação pelo telefone (55-61) 3344-0330. O ateliê fica no Centro Empresarial Barão de Mauá, Sala 17, Brasília (DF).
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