Altair Maia: ‘Os Países Ricos Continuam Colonizando a África’

Altair Maia, economista e escritor

Altair Maia, economista e escritor

Por Menezes y Morais *

O continente africano continua no centro da cobiça internacional, sendo visto como uma fonte inesgotável de matéria-prima, como alimento, petróleo, minerais. O que significa dizer: a colonização continua em marcha na África.

A constatação é do economista e escritor Altair Maia, formado pela UnB – Universidade de Brasília e especialista em comércio exterior. Da geração (1975) do cantor e compositor Fagner, que estudou e viveu em Brasília na década de 1970, Altair Maia hoje cumpre uma extensa agenda de palestras e viagens pelo continente africano.

Radicado em Brasília, Altair Maia, viaja também pelo Brasil, proferindo palestras e autografando o seu livro, Baobá  – Cenas e Fatos D’África. Numa dessas viagens, conheceu o editor e comendador Victor Alegria, da Thesaurus Editora, em Fortaleza (CE).

VIVENCIANDO FATOS SOCIAIS

“Há nove anos viajo pela África – revelou – e visitei mais de 20 países africanos. Ao longo dessas viagens, fui vivendo e coletando histórias. Vivendo fatos políticos e vivenciando fatos sociais e econômicos”.

Muitos desses fatos vivenciados pelo Autor constam do seu livro. “Baobá  – Cenas e Fatos D’África, é um livro não-sequenciado, tem diversas facetas: humor, história, curiosidades e a idéia era fazer uma leitura leve e agradável. De formas a não cansar o leitor e torná-lo instrutivo e orientador do que seja o continente africano”. a

Altair Maia (por Victor Tagore): os produtos brasileiros tem boa aceitação na África, por isto são falsificados

Altair Maia (por Victor Tagore): os produtos brasileiros tem boa aceitação na África, por isto são falsificados

CONTINENTE ARRASADO

A África visitada por Altair Maia, considerado pelos estudiosos como o berço da humanidade, é um continente arrasado pelos efeitos da colonização e das guerras, seja de libertação ou de grupos que querem tomar o poder pela força.

Altair Maia lembra alguns fatos: “O campo de Refugiados de Darfur (ao oeste do Sudão) tem 7 milhões de habitantes e mais de 2 milhões de mortes por inanição, estupro, assassinatos, todo tipo de morte que a miséria e a violência possam causar”.

O mundo dito desenvolvido não intervém? “O  mundo não sabe disso, ou faz questão de não saber. O mundo tem a África como uma reserva de mercado, de onde se tira e nada se dá”.

A ajuda internacional ao continente africano – acrescentou – “Mais fomenta as guerras, ambições, cobiças, do que ajuda propriamente dita. Fortunas incalculáveis são formadas tanto na origem do dinheiro quanto no destino, a custa de morte, sangue, miséria”.

A CHINA ESTÁ OCUPANDO

Para Altair Maia, “a África é parte da sociedade brasileira e, no entanto, nós não nos aproximamos das áfricas. E esse espaço que nós não ocupamos, vem sendo paulatinamente ocupado pela China”.

África, um continente à mercê das grandes potências, como os Estados Unidos da América e a China

África, um continente à mercê das grandes potências, como os Estados Unidos da América e a China

– Encontram-se chineses em todo o continente africano, nomeadamente nas regiões que têm petróleo, ou algum outro mineral em ritmo de extinção ou ainda grande extensões de terra. É a china com o pé na áfrica em muito pouco tempo, acrescentou.

Altair Maia constatou em suas viagens à África: as grandes obras africanas tem a participação chinesa. “A África importa cerca de US$ 500 bilhões por ano de todo o mundo. O Brasil exporta para a África pouco mais de US$ 8 bilhões, ou seja, dois por cento do total que a África importa. Quase nada”.

Para o autor de Baobá, o Estado chinês está apenas promovendo “a retomada de um ciclo: séculos XIII e XIV: dominar o mundo. Essas andanças do mundo foram até início do século XIV”.

PRODUTOS BRASILEIROS

O economista brasileiro fez outra triste constatação em suas andanças pela África:

“Há muitos produtos brasileiros encontrados na África, mas que não são exportados pelo Brasil. São exportados por franceses, portugueses, holandeses, ingleses e de lá são maquiados e exportados para África, como sendo um produto brasileiro embalado em Portugal”.

Isso significa – acrescentou – que “Nós temos uma margem de competitividade muito grande em relação aos preços encontrados na África. Nós temos que chegar juntos à África”.

O Brasil sem bem-quisto na áfrica é um fato. Somos muitos queridos em todo continente africano. Os produtos brasileiros por lá são considerados os originais e o restante é cópia. Não há transporte marítimo do Brasil até a África, obrigando escalas no porto de Leixões em Portugal, ou no porto Le Havre (França) ou porto de Amsterdã na Holanda. Sem linha direta, facilita e possibilita eles comprarem e exportarem os produtos brasileiros.

LANÇAMENTOS

Altair Maia já fez lançado do livro em Fortaleza, Maringá (PR). A próxima sessão de autógrafos será em São Paulo (SP). Em Brasília, será dia 18 de dezembro no restaurante Carpe Diem, da 104 Sul.

Os lançamentos são precedidos de palestra sobre o continente africano. Baobá é “Uma árvore africana considerada sagrada e também a árvore da vida, em função de suas características: frutos comestíveis, depósito natural de água e reverenciada em todos os rituais africanos”.

* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da revista Nós – Fora dos Eixos.

altair_maia_capa_Serviço

Os próximos lançamentos de Baobá: 30 de outubro – Centro Oboe de Cultura – Fortaleza (CE). Dia 07 de novembro: Siamfesp – São Paulo.Dia 09 de novembro – Luanda – Angola. Dia 11 de novembro – Maputo – Moçambique. Dia 09 de dezembro – Praia – Cabo Verde – No Instituto Internacional de Língua Portuguesa.

Dia 11 de dezembro – Bissau – Guiné Bissau. Dia 18 de dezembro – Brasília (DF) – Carpe Diem da 104 Sul.




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Comentários

Bom dia Menezes.
Tudo bem contigo.? Espero que sim.
Se houver algum comentário sobre o livro Baoba, gostaria muito de lê-los.
Na quinta feira, dia 05/11, passo por Brasília a caminho da África. Desta vez vou a Angola, Mocambique e África do Sul.
Qualquer coisa que queira, estarei sempre conectado.
Saludos.
Altair Maia.

Altai Maia, meu caro, salve, salve!
Antes de tudo, boas viagens.
Os comentários que surgirem sobre a sua entrevista, você poderá interagir diretamente com os (as) remetentes, diretamente na página da Nós – Fora dos Eixos. O caminho é o mesmo, quer dizer, onde você postou esta mensagem.
Depois lhe escrevo diretamente do meu e-mail pessoal.
Estamos no aguardando.
Devo dizer ainda: obrigado por revelar-nos uma face oculta do amado, querido e espoliado continente africano.
Estamos juntos nesta, em defesa da África.
Abraço,

Menezes y Morais

Altair, Boa noite,
Parabéns! Estou ansiosa para receber o meu livro e começar esta ‘viagem’ maravilhosa!
Um grande abraço,
CB

Digo, sem condições de manter meus filhos!!!!

Ficou com vergonha ?

Sensibilidade tem quem cuida dos filhos, quem matem a familia, quem dá dignidade a familia. Quem respeita os filhos!
Será este seu caso?

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