Paulo Pimenta Denuncia Tentativa de Censura à PEC dos Jornalistas

Paulo Pimenta (PT-RS), autor da Proposta de Emenda à Constituição

Paulo Pimenta (PT-RS), autor da Proposta de Emenda à Constituição

Por Menezes y Morais *

Com informação do “PT na Câmara”

Barrar Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Jornalistas é tentativa de censura, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da projeto que prevê a necessidade de curso superior em Jornalismo, para o exercício da profissão.

O parlamentar fez esta declaração diante a tentativa de barrar, na semana passada, a votação da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“É estranho que aqueles que se dizem defensores da liberdade de expressão revelem, na prática, exatamente o inverso, manipulando e restringindo a discussão”, criticou.

“Desde que se começou a cogitar a votação da PEC na CCJ – acrescentou o parlamentar gaúcho – iniciaram, estrategicamente, movimentos para impedir a análise da proposta, o que considero uma prática antidemocrática”.

A matéria volta à pauta da CCJ nesta quarta-feira (4). No mesmo dia, os deputados Paulo Pimenta e Maurício Rands (PT-PE), relator da proposta, serão recebidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

Ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal

Ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal

Em junho, o Superior Tribunal Federal (STF) acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.

EQUIVOCO

A decisão de tornar desnecessário o curso superior de Jornalismo para o exercício da profissão é um equivoco. Argumentar que países como os Estados Unidos da América (EUA) dispensam o diploma, no meu entendimento, agrega ignorância e eleva este equivoco ao quadrado.

Diria mais: é uma demonstração inequívoca do neocolonialismo incrustado na consciência de muitos brasileiros. Não devemos imitar o que os países ricos têm de atraso cultural.

Nos EUA, por exemplo, a sociedade compra medicamentos em supermercados e na pátria de John Einstebeck, hoje, a obesidade, por exemplo, virou problema de saúde pública.

Existe uma espécie de “jurisprudência” na pedagogia: quem conhece faz melhor. Quem passa quatro anos “alisando” os bancos de uma faculdade de jornalismo executa e  exerce melhor o ofício de jornalista.

É mais como ou menos como permitir que alguém que não cursou Arquitetura exerça a profissão de arquiteto. Ou quem nunca estudou Odontologia saia por aqui extraindo os dentes da sociedade.

Se um chef cursa uma faculdade de Gastronomia, por exemplo, exerce melhor o seu ofício. Tanto assim que já existe curso de nível superior para esse tipo de profissional.

DEVER HISTÓRICO

Além do mais, dispensar o diploma para o exercício do Jornalismo é um retrocesso histórico, que redundaria em perda de qualidade em relação à cultura de comunicação de massa.

E mais: o Jornalismo brasileiro, que até a década de 1950 do século passado desconhecia as faculdades, nunca discriminou os profissionais de outras áreas, articulistas brilhantes, que continuam tendo espaço na mídia.

O Congresso Nacional tem o dever histórico de reparar esse equivoco. Quem estuda sabe fazer melhor. Dizia Noel Rosa, “samba não se aprende na escola”, é fato.

Mas, as escolas de música – inexistentes à época do autor de “Com Que Roupa?” – estão aí para provar: os compositores que passam pelas faculdades de Música aprimoram o talento e suas criações ganham em qualidade estética.

* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos




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Comentários

Sou a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão. Por muitos anos estes profissionais conquistaram esse direito e o Superior Tribunal Federal (STF) arrancou essa conquista, com os argumentos mais pobres. Aliás o STF só decide a favor dos poderosos. Isso é um absurdo.
Acredito na PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos jornalistas e também na maioria dos parlamentares envolvidos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados.

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