Galeno Pinta e Borda Com as Referências de Infância

Galeno. Divulgação, por Igo Estrela
Da Redação
Com divulgação
O artista plástico piauiense radicado no Distrito Federal, Francisco Galeno, inaugura nesta quarta-feira, 11, a exposição “Pintando e Bordando,” na Referência Galeria de Arte do Shopping CasaPark, que pode ser visitada até o dia 30 de novembro. A entrada é franca.
“Pintando e Bordando – diz Galeno – é uma exposição intimista: costumo brincar, dizendo que vou mostrar os meus docinhos”. As pinturas, acrescentou, são esculturas e objetos inéditos, que fazem parte de um processo de experimentação desenvolvido por ele.
A exposição na Referência, para Galeno, tem um sentido muito especial: uma volta ao porto seguro: “Já expus lá nos primeiros tempos da minha carreira. São 18 obras baseadas em coisas que fui buscar lá atrás, no passado, e que eu achava que não tinha desenvolvido direito. Com elas, procuro a cumplicidade do observador”.
A Referência Galeria de Arte está completando 14 anos de existência. Para celebrar, “Nada mais justo do que expor os trabalhos recentes de um dos mais expressivos e consagrados artistas plásticos do Distrito Federal”, conforme informação dos organizadores.
REFERÊNCIAS DE INFÂNCIA
Na obra de Galeno, formas geométricas repetem-se sobre fundos que explodem cores fortes. São carretéis, anzóis, pipas, referências à infância vivida em Parnaíba. Saiu destes tempos também a inspiração para o título da mostra.
Pintando e Bordando – revelou Galeno – é como o seu pai se referia à suas travessuras. “Tem um sentido meio moleque, de fazer arte, e tem também uma espécie de homenagem nesta confissão da minha saudade por minha mãe, que trabalhava como rendeira no Piauí.”
Após esta exposição, Galeno inaugura em São Paulo, dia 25 de novembro, outra mostra de pinturas, esculturas e objetos. Ele promete ainda uma grande exposição em homenagem os 50 anos de Brasília, abril de 2010.
Francisco Galeno nasceu em Parnaíba (PÍ), em 13 de maio de 1957, em Ilha Grande Santa Isabel. Permaneceu ali, cercado de mar, até completar oito anos de idade, quando veio com a mãe e os irmãos ao encontro do pai, que era candango e trabalhava na construção da Nova Capital.
Sua família morava num acampamento, ao lado da antiga estação de lixo, à beira do Lago Paranoá, local conhecido como Vila da Rã. Mais uma vez, estava na beira da água, podia seguir os hábitos de menino ilhéu: andar de canoa e pescar. Só em 1969, aos 12 anos, é que Galeno transferiu-se para a cidade de Brazlândia, onde vive até hoje e mantém seu ateliê.
“SILÊNCIO POVOADO DE COR”
Antes de ter seu encontro definitivo com tintas e pincéis, Galeno tentou outras artes e manhas. Foi jogador de futebol, estudou na Escola de Música, fez teatro. Mas ansiava por um trabalho mais individual.

Galeno. Divulgação, por Igo Estrela.
Encaminhou-se para as artes plásticas e descobriu “a herança que estava no sangue: o avô era artesão, a mãe rendeira, o pai construtor de móveis e o irmão mais velho escultor. Sou apenas uma continuação da família”, revela, sorrindo.
Galeno freqüentou o ateliê-escola do pintor Moreira Azevedo, artista português radicado em Brasília, fez oficina sob a orientação de Luiz Áquila e acabou construindo um caminho muito próprio.
As memórias da infância serviram como passaporte para o pintor se tornar um dos maiores artistas das artes plásticas brasileiras contemporâneas. Seu trabalho se estrutura sobre a cor, sempre forte, sempre imponente e nas representações de traçado geométrico que se repetem.
“Acho que as pessoas gostam do meu trabalho porque sentem que ele é feito de verdade, está muito ligado à minha vida”, diz. Galeno constrói seu universo particular, “um mundo de poucas palavras, com um silêncio povoado de cor”, já escreveu o artista e curador Evandro Salles.
COLECIONADOR DE PRÊMIOS
Galeno participou de diversas coletivas, no Brasil e no exterior, e fez várias individuais no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Goiânia (GO), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG). Na carreira, coleciona prêmios como o Especial no Salão Victor Meirelles, de Florianópolis, em 1995, e o Prêmio de Aquisição do IX Salão Nacional de Artes Plásticas do Rio de Janeiro, em 1986.
Recentemente, o artista foi envolvido numa polêmica que ganhou proporções nacionais, ao ter seu trabalho escolhido para adornar as paredes internas da Igreja de Nossa Senhora de Fátima – a Igrejinha da 107 Sul..
Segundo o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, a obra de Galeno mantém o mesmo espírito do estilo original do local, que contava com os trabalhos de Volpi.
No entanto, alguns frequentadores da Igrejinha divergiram da proposta do artista e ameaçaram pichar a pintura. No entanto, a arte venceu.
ARTE CONTEMPORÂNEA
Referência Galeria de Arte comemora 14 anos como um grande acervo de arte contemporânea. A galeria já acolheu obras de artistas como Betty Bettiol, Glênio Lima, Ralph Gehre, Leda Watson, Bené Fonteles, Galeno (em 2002 e 2006), Elder Rocha, Fernando Madeira, Elyezer Szturm, Monica Menkes e Marcelo Feijó.
A galeria já expôs trabalhos de artistas como Rubens Gerchman, Carlos Vergara, Cláudio Tozzi, Nelson Felix, Athos Bulcão, Emmanuel Nassar, Tarciso Viriato e Alex Flemming, numa clara sintonia com o que se faz de mais inventivo na arte contemporânea brasileira.
Ela desenvolve o projeto Novas Referências, que propõe a divulgação de artistas jovens da cidade em início de carreira. Já apresentou duas edições, a primeira em 2002, com a curadoria de Marília Panitz e Wagner Barja, e a segunda neste ano, com a curadoria da jornalista e escritora Graça Ramos.
Serviço
Galeno – Pintando e Bordando.
Referência Galeria de Arte – Shopping CasaPark, Brasília (DF).
Data: 11 a 30 de novembro de 2009.
Horários: segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; domingo, das 14h às 20h.
Entrada franca. Fone: (61) 3361. 3501. Mais informação:
www.objetosim.com.br / objetosim@terra.com.br
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