CUT Reivindica Jornada Semanal de 40 Horas de Trabalho

Marcha dos trabalhadores em Brasília (DF). Divulgação

Marcha dos trabalhadores em Brasília (DF). Divulgação

Da Redação

Com www.cut.org.br

Centenas de lideranças sindicais de trabalhadores realizam nesta quarta-feira, 11, em Brasília (DF) a marcha para reduzir de 44 para 40 horas a Jornada de Trabalho no Brasil. Eles saíram em marcha do estacionamento do Estádio Mane Garrincha  para a Esplanada dos Ministérios gritando palavras de ordem. Às 11h, promoveram um grande ato público em frente ao Congresso Nacional.

“Um, dois, três, quatro cinco mil, 40 horas já ou paramos o Brasil!” Ou ainda: “Um, dois, três, quatro cinco mil, 40 horas já para o progresso do Brasil!”. Quem passou de carro pela manhã no Eixo Monumental, uma das principais vias da cidade, teve que exercitar a paciência: os trabalhadores, em filas organizadas, impediram a passagem dos veículos por mais de dez minutos.

Alguns motoristas perderam a paciência e buzinaram, pedindo que o Detran disciplinasse a travessia dos trabalhadores. Mas de nada adiantou. Até mesmo os passageiros de ônibus – representantes do povo e da baixa classe média – se irritaram com a demora. No final, porém, tudo transcorreu com tranqüilidade.

CIVILIZAÇÃO

A CUT – Central Única dos Trabalhadores, em seus informes, assegura que a jornada semanal de 40 anos é uma conquista do chamado mundo civilizado. “Muitos países já levantaram esta bandeira: Canadá, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Estados Unidos da América, etc.” são citados como exemplo nos informes da CUT.

Reunião de representantes da CUTcom representantes do Congresso Nacional. Foto: Augusto, divulgação

Reunião de representantes da CUTcom representantes do Congresso Nacional. Foto: Augusto, divulgação

“Portanto – acrescenta um informe da Central – está mais do que na hora do Brasil levantar também esta bandeira. Já esperamos tanto tempo e o tempo é preciso demais e precisa ser valorizado.”

Na terça-feira, 10/11, centenas de lideranças sindicais de trabalhadores e empresários de todo o país participaram da Comissão Geral da Câmara Federal para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95. Esta proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário e aumenta para 75% o valor da hora extra.

Após perderem de goleada na Comissão Especial da Câmara, que se manifestou de forma unânime pela aprovação do relatório de deputado Vicentinho (PT-SP) em defesa da PEC, os empresários tentaram esboçar uma reação.

Com representações de diferentes ramos para apresentar os mesmos surrados argumentos, as vozes do capital buscaram se erguer, mas não conseguiram se sustentar ao primeiro sopro.

REDUÇÃO DA JORNADA NÃO PREJUDICA ECONOMIA

De certa forma até municiaram a argumentação pela redução da jornada, ao comprovarem, com estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que o impacto da redução de 9,09% da jornada (de 44 para 40 horas semanais) representaria um aumento de custo de apenas 1,99% para as empresas.

Considerando que em média, o peso do gasto com a mão de obra é de 22%, também conforme a CNI, mal alcançaria os 24%. Setores empresariais usam “argumentos catastrofistas, como o que a redução traria ‘desemprego’, que ‘os trabalhadores seriam substituídos por máquinas. ’” A CUT rebate esses argumentos.

Dizem ainda setores empresariais que “o país ficaria vulnerável à crise.” Mas “a representação da CUT e das demais centrais sindicais demonstram, com serenidade, dados e estudos técnicos, exatamente o oposto. A seu favor, a realidade”.

O presidente nacional da CUT, Artur Henrique, lembra o compromisso do movimento sindical brasileiro com o desenvolvimento do país e do papel chave que teve na defesa do aumento do poder de compra dos salários e do fortalecimento do mercado interno, para fazer frente à crise internacional.

ECONOMIA CRESCEU NAS ÚLTIMAS DÉCADAS

Artur ressaltou que a última redução da jornada de trabalho – de 48 para 44 horas semanais – ocorreu em 1988 e que, de lá para cá, apesar dos imensos avanços que alavancaram a produtividade, a jornada se mantém a mesma.

Artur Henrique, presidente CUT. Divulgação

Artur Henrique, presidente CUT. Divulgação

“Todos os setores da economia cresceram ao longo dos últimos 21 anos, sem que o aumento da produtividade tenha sido repassado proporcionalmente ao salário do trabalhador, que ficou com pequenas parcelas de aumento real”.

“Defendemos a redução da jornada constitucional sem redução de salário, em primeiro lugar, porque a rentabilidade possibilitou a apropriação dos ganhos, que precisam ser repartidos; segundo, porque os trabalhadores necessitam de mais estudo e maior qualificação – e isso é incompatível com jornadas extensas onde necessita gastar horas para chegar ao local de trabalho e voltar para a sua casa; e, terceiro, porque a medida vai possibilitar a geração de mais de dois milhões e duzentos mil novos empregos com carteira assinada.”

“Trabalhador com renda significa que as famílias vão consumir mais do que a indústria fabrica e do que o comércio vende. Ou seja, será melhor para o Brasil. Só para focar nos últimos cinco anos, entre 2003 e 2008, a rentabilidade por trabalhador aumentou 21% no comércio, 26% na indústria, 28% na agricultura e 34% nos bancos, sem que este crescimento tenha sido repassado na mesma proporção aos salários.”

“Se isso é verdade, como que os empresários podem vir à tribuna da Câmara dizer que não dá para assumir esse aumento de 1,9% nos custos?”, concluiu.




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Comentários

40 horas já! O segredo é não desistir!

A maior fonte de riqueza é o trabalho.
Desde a infância somos orientados a esta filosofia do trabalho.A mão de obra é a maior riqueza dos que têm o poder politico em todo o mundo, nós somos escravo das empresas por isso o medo do conhecimento da população.
Com a redução de horas trabalhadas deixa o brasileiro com tempo para buscar o conhecimento.
Por isso que fomos educados que a pobresa deve existir.
A ignorância leva à dominação.
O comprador sempre vai existir, o produto sempre vai existir
independente das horas de trabalho.
Redução já.

Fico feliz com este movimento e espero que esta lei seja aprovada logo…
Só penso que deveria ter uma emenda urgente.
Acabar com o “cargo de confiança”, pois as empresas contratam pessoas com maior qualificação, mas esquecem que estas pessoas também têm vida…. e desta forma, colocando-as em cargo de coordenação ou gerencia, não pagam horas extras, folgas por horas trabalhadas etc e o que é pior, nos obriga a trabalhar muito mais que 44 horas semanais.
Acredito que este item também poderia ser revisto.

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