Abóboras soltas em caminhão velho!
A apatia que vemos nas ruas brasileiras pela falta de organização da população para buscar seus direitos, é algo preocupante e que vai sendo repassado pelas gerações formando um caráter forjado nas concessões. Em contra partida não é essa a apatia de uns fortões que resolvem em bandos quebrar estádios e afrontar aqueles que não participam dessa epopéia da idiotia explícita após jogos de futebol!
Quando vemos alguém tomando uma atitude mais corajosa, vem logo outro alguém a questionar se aquilo não está acima do limite e que se tome muito cuidado, dando o tom do medo como se uma grande câmera de cautelas estivesse a vigiar os que assumem a capacidade de enfrentar as mesmices desbotadas do “Maria vai com a outras”, tão comum por estas bandas. Somos um país de primeiro ou de quinto mundo? Essa é a questão! Se por um lado seguimos subindo posições importantes no quesito desenvolvimento econômico, de outro lado estamos formando gerações onde a capacidade intelectual por vezes é arremetida aos analfabetos funcionais que não sabem sintetizar em pensamento simples o que fora escrito ou lido em um texto básico. Dirão alguns que isso faz parte de uma sociedade jovem e que tudo vai se arrumando como uma carga de abóboras que se acomoda pelos solavancos de uma estrada esburacada. Ocorre que não somos abóbora e nem precisamos de solavancos para freio de arrumação. O que essa juventude precisa mesmo é de bons exemplos e de boas escolas, com professores bem formados e, sempre que possível, auxiliando na formação de um caráter que não se acomode nas facilidades de uma vantagem mal construída a custo de passar os outros para trás.
Hoje é o day after de um final de semana cheio de emoções nos estádios de futebol, mas triste nas imagens de gente nova e velha se engalfinhando como hordas em bandos sequiosos por sangue alheio. Tudo bem, futebol mexe com as emoções, mas e daí? Adoro futebol, a gozação pacífica o abraço no amigo depois da derrota do time querido, mas só isso. Futebol quando vira desculpa para essa violência — que graça em toda parte e que alguns aproveitam para tirar uma casquinha e mostrar o quanto estamos precisando ser mais cobradores de respeito — acaba virando uma coisa chata e sem causa. Que pena!

Orlando Muniz, escritor
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