Meu Presépio de Natal

Sagrada Família, por: Michelangelo.
Por: Valeria Duque *
Via E-mail, Especial para Nós – Fora dos Eixos.
É Natal. Múltiplas notícias se emaranham conectando a periodicidade do mundo. Meus dedos pintam sobre o teclado uma cena sem precedentes: um presépio desmesuradamente humano.
Nele, as mãos de Maria tentam impedir a queda de mil torres embrenhadas pelo mundo. Seu manto cobre o escárnio de países recobertos pela AIDS e pela fome. Seus olhos fitam fixamente os últimos ramos das florestas que alimentavam o canto e o oxigênio do planeta.
José, na inteligência pacífica de seu advento, direciona silêncio às palavras de uma centena de dignitários que se reúnem em procissão glamurosa desde Kyoto até Copenhagen. Seus pés descalços e feridos pela dura caminhada, tentam apagar pegadas políticas impressas no roubo das metrópoles desertificadas.
Os Reis Magos, assustados pelos assaltos que sofreram em sua viagem, chegam de mãos vazias e se desesperam ao surpreenderem-se nus, intrigantemente observados por pastores esquálidos e sem ovelhas.
Choro, grito, calo. Ante a ideia do novo, meu presépio é desalento. Mas a inspiração chega carregada de luz, esculpida na imagem de um menino que se eleva sobre toda a humanidade.
Nela também estão outros meninos drogados e hirtos de abandono. Ela também descreve as muralhas quase intransponíveis do preconceito e da violência. Mas ela é feita de luz, e a luz transforma.
Essa Luz Maior vem de um Menino pobre, simples, mas que imprimiu no universo palavras entrecortadas de Amor.
Já não estranho meu presépio. Ele está Vivo e reflete o Natal Eterno, quando é tempo de irmanar nossos corações como nos Natais antigos,
germinando abraços, cultivando a presença do Menino Deus, do Menino Jesus que discursa apenas com seu sorriso e com seus bracinhos abertos à humanidade: Ainda há esperança!
Feliz Natal!
* Valeria Duque.
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo