Artesãos, Artistas Plásticos e Manipuladores de Alimentos Querem Continuar Trabalhando na Torre de TV

Torre de TV, por Augusto Areal, quando o GDF lembrar de fazer a decoração natalina

Torre de TV, por Augusto Areal, quando o GDF lembrar de fazer a decoração natalina

Da Redação

Com Manifesto Público da AFTTV

A comunidade cultural do DF está de olho na Torre de TV, um dos locais mais visitados pelos turistas brasileiros e estrangeiros que vêm a Brasília (DF). O problema é que o Governo do Distrito Federal (GDF) pretende tirar do local a chamada Feira de Artesanato da Torre.

A Feira existe desde a década de 1960, quer dizer, tem praticamente a idade de Brasília. Há muitos anos está abandonada. O GDF não a decora mais durante o Natal. A fonte luminosa há muito parou de funcionar.

Artesão trabalhando na Torre de TV. Categoria denuncia: o GDF quer tirar os trabalhadores de la.

Artesão trabalhando na Torre de TV. Categoria denuncia: o GDF quer tirar os trabalhadores de la.

Mas o GDF, ao invés de revigorar a Torre como um espaço turístico que produz cultura, renda e emprego, agora quer retirar os feirantes de lá, alegando que eles ficarão bem melhor alojados no novo espaço, que está em construção.

Mas os feirantes não querem sair. E divulgaram um  Manifesto Público, assinado pela Associação dos Artesãos, Artistas Plásticos e Manipuladores de Alimentos da Feira da Torre de Televisão – AFTTV, que a Nós – Fora dos Eixos publica a seguir.

MANIFESTO PÚBLICO

“A Feira da Torre é a mais legítima expressão cultural de Brasília, ela é a única Feira Internacional por dentro e por fora. Tradição merece respeito e atenção.

Não custa lembrar que a Feira da Torre é legal onde ela está. Entretanto, há uma visão elitista que se opõe à permanência  da Feira da Torre no seu local de origem, embora a mesma ande às vésperas de se tornar patrimônio imaterial, segundo estudos do IPHAM – Instituto Patrimônio Histórico e Ambiental.

A Torre de TV este ano não ganhou iluminação natalina

A Torre de TV este ano não ganhou iluminação natalina

Não é difícil reconhecer que o espaço tornou-se nobre, e há uma suposição de que sejamos menos nobre que o espaço que ocupamos.

Em tempos imemoriais os artesãos faziam parte da corte e eram respeitadíssimos no seu oficio, especial e raro.

Quando havia apenas quatro classes sociais, lá estava o artesão entre elas, que são: os comerciantes, os sacerdotes, os guerreiros, os artífices.

As classes se subdiviram em outras, novas classes foram criadas, pode até ser que outra profissão requisite a primeira, mas profissão de Artesão é uma das mais antigas, pois não foi nenhum integrante de nenhuma outra classe que idealizou e fez a pedra lascadas, a clave, a roda, senão a dos artesãos.

Somente a inobservância, sócio-antropológico pode ver de outra forma os integrantes que a esta classe pertencem.

O materialismo atual inverte os valores, quando faz uso do estatos social como medida, sem observar a merecida importância destes que são produtores de bens culturais, portanto, operários da cultura.

Nobres pelo seu ofício sim, um sacerdócio da arte, donos de uma dedicação ininterrupta, por horas, dias e décadas a fio, sem por isso esperar muito, senão talvez um tratamento um pouco mais digno, e compatível com o legado que essa gente silenciosamente produz.

Vale lembrar que nos países altamente civilizados, tecnologicamente avançados, se busca essa rica atividade extinta neles, pela força do progresso, e por isso não raras as vezes oferecem condições melhores aos nossos mestres, para que façam lá o repasse de suas primorosas técnicas.”

Brasília, 25 de janeiro de 2009.

Assinado: Nicanor Faria Asenjo, presidente da AFTTV e Samuel Barros Magalhães, poeta, escritor e feirante da TV.




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A Redação agradece pela socialização das informações. Nossos artesãos merecem. Parabéns ao SEBRAE pelo trabalho.

Olá.. é uma pena que o SEBRAE ofereça cursos pagos e não instrua os artesãos a sequer terem um site… Nos tempos modernos, comunicação virtual é imprescindível…Estou a procura da uma sandália desta feira e não tenho como encomendar… A não ser que eu faça como na época dos tropeiros…

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