De Brasília a Montes Claros, uma Viagem Literária

O escritor Jacinto Guerra lança o olhar sobre Montes Claros. Lá, o poeta Aroldo Pereira promove anualmente o Psiu Poético, também chamado de Salão Nacional de Poesia, um dos eventos literários mais importantes do País.
Por Jacinto Guerra *
Uma espécie de capital do Norte de Minas, Montes Claros é terra de gente ilustre. Basta dizer que lá nasceu o genial Darcy Ribeiro, criador da Universidade de Brasília e de outras utopias e invenções notáveis na literatura, na política, na educação, na antropologia – enfim, sonhos e iniciativas dirigidas ao futuro de um Brasil grande, criativo, ousado e moderno.
De Montes Claros, veio, também, Cyro dos Anjos, autor de Montanha, O amanuense Belmiro, A menina do sobrado. É um famoso romancista que morou em Brasília, onde foi professor da UnB, além de um dos fundadores e primeiro presidente da Associação Nacional de Escritores, a ANE, de muita história na cidade criada por Juscelino Kubitschek.
Mas hoje nossa figura central é Manoel Hygino dos Santos, jornalista e escritor dos melhores, pintor que faz de sua terra, Montes Claros, aquela aldeia que o torna universal como Tolstoi bem imaginou para os artistas do mundo inteiro. Morador de Belo Horizonte, membro da Academia Mineira de Letras, excelente colunista do jornal Hoje em Dia, Hygino é, também, “um cidadão e escritor da capital do Brasil”. O motivo é que ele estuda, conhece, valoriza e divulga, como ninguém, a literatura e os escritores de Brasília. É o que podem confirmar Alaor Barbosa, Anderson Braga Horta, Afonso Ligório, João Carlos Taveira e muitos outros escritores, leitores e amigos do livro no Planalto Central.
Em sua coluna de 22 de dezembro de 2009, Manoel Hygino comenta um livro muito interessante de Napoleão Valadares, escritor e fazendeiro do sertão de Guimarães Rosa. A respeito do assunto, escrevi as seguintes considerações, já publicadas naquele jornal de BH, mais ou menos nos termos que se seguem.

O saudoso Darcy Ribeiro, antropólogo, escritor, político, educador, um dos intelectuais brasileiros mais importantes do século XX.
Quem chega primeiro bebe água limpa, ou melhor, tem o privilégio de apreciar coisa boa antes dos outros amigos e leitores, assim enriquecendo nosso marketing pessoal e nossos conhecimentos de literatura. Digo isso porque fui um dos primeiros leitores do livro e da surpresa literária que Manoel Hygino reservou para seus leitores na véspera do Natal: a crônica-resenha do “Animal Político”, pequena e saborosa peça de teatro escrita por Napoleão Valadares, autor conhecido e apreciado, principalmente no eixo Brasília – Minas Gerais.
O autor é mineiro da cidade de Arinos e morador da capital do Brasil. Trata-se de uma história de bichos em que ironia e criatividade integram o leque de valores deste novo projeto literário de um dos bons escritores do Brasil moderno. O novo livro de Napoleão leva-nos à obra do Miguel Torga, notável escritor português que chegou a morar no Brasil (em Leopoldina, Minas Gerais). É um grande poeta; mestre, também, do conto em que os bichos assumem o papel de homens e mulheres, como a galinha Vicentina e outras figuras notáveis de seu mundo literário. Pelo que parece, temos um novo Miguel Torga nestas paragens do Brasil.
Por falar em escritores, livros e bichos, daqui e d mar, voltamos a Belo Horizonte, onde vamos encontrar um ilustre conterrâneo e amigo do Fontes de Alencar. Desejo falar de Alberto Deodato, mineiro que nasceu em Sergipe, mestre da crônica e professor de Direito, muito querido pelos seus alunos, entre os quais o nosso estimado cronista Danilo Gomes. Deodato foi um político de oposição a JK, tanto no Palácio da Liberdade como na Presidência da República, mas que, em seus escritos, chegou a elogiar Juscelino, quando Brasília tornou-se uma surpreendente realidade.
No entanto, o que nos parece mais importante é que Alberto Deodato escreveu livros excelentes, que as novas gerações de brasileiros e outros leitores da Língua Portuguesa precisam conhecer, principalmente em Sergipe, em Minas, em Brasília. Precisamos reeditar obras importantes do escritor mineiro-sergipano, natural da pequena Maroim, sobretudo O roteiro da Lapa e outros roteiros, além do sempre atual Políticos e outros bichos domésticos, que tem muito a ver com os bichos do Miguel Torga e do Napoleão Valadares.
*JACINTO GUERRA, mineiro de Bom Despacho e morador de Brasília.
É autor de vários livros, entre os quais O gato de Curitiba (Thesaurus, 2004, 2ª edição), Prêmio BDMG Cultural de Literatura/Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais.
Confira no sitio outras obras de Jacinto Guerra: www.nosrevista.com.br
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.


Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo