Vinícius de Moraes Pode Receber Promoção Póst-mortem
Por Redação
O poeta e compositor Vinícius de Moraes poderá receber promoção póstuma ao cargo de Ministro de Primeira Classe. Neste sentido, o deputado Emiliano José (PT-BA) apresentou à Comissão de Educação da Câmara parecer favorável ao PL 6.417/09, do Executivo, que promove post-mortem o poeta e diplomata.
Segundo o parlamentar petista, a proposta resgata uma dívida histórica ao reconhecer a importância Vinícius de Moraes, arbitrariamente expulso do Itamaraty durante a ditadura militar.
Apaixonadamente
“Um homem que viveu assim, com tal intensidade, que conseguiu, vivendo apaixonadamente, criando apaixonadamente, revelar o mais profundo do Brasil, o mais poético e criativo de sua cultura, um homem assim, merece essa promoção post mortem inegavelmente”, afirmou o relator.
De acordo com Emiliano, embora o diplomata tenha terminado precocemente sua carreira como Primeiro Secretário, Vinícius de Moraes prosseguiu a brilhante trajetória artística que vinha desenvolvendo no Brasil e no exterior.
Divulgador do Brasil
“Pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que o extraordinário trabalho artístico desenvolvido por Vinícius de Moraes durante décadas fez dele, mais do que divulgador ímpar do Brasil, um verdadeiro embaixador da cultura brasileira”.
Por esta razão, acrescentou o deputado Emiliano, “Nada mais justo do que prestar-lhe o devido reconhecimento, elevando-o, também, como servidor público e diplomata, à posição que merece ocupar”, concluiu. A matéria retorna à pauta da comissão em fevereiro.
O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do livro “Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão – uma biografia”, afirma que o poeta foi “um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir”.
Amado
E acrescentou: “Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção”.
Castello disse ainda que o autor de Ariana, a Mulher, “Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata”.
Para Carlos Drummond de Andrade, “Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural”.
Vinicius era amado por todos. “Eu queria ter sido Vinicius de Moraes”, afirmou o escritor Otto Lara Resende assim o definiu.
Labirinto
“Manuel Bandeira – acrescentou – viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio de Janeiro. É o único poeta carioca”. Vinicius de Moraes, no entanto, se definia como nada mais ser que “um labirinto em busca de uma saída”.
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.




Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo