Orlando Muniz: ‘Fazer Cultura é Persistir na Divulgação das Palavras’

Orlando Muniz, escritor

Por Menezes y Morais

Filho de Benedito e Maria, formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, Orlando Muniz escolheu Brasília (DF) para viver. Procurador federal, sua estréia como escritor aconteceu em 2006, com o livro Armazém Brasil (crônicas), pela Thesaurus. Em 2009 publicou Máscaras das Palavras (contos), pela mesma editora. Agora, está escrevendo um romance. A Nós – Fora dos Eixos, este escritor nascido no município de Eirunepé (AM) em 1959, falou um pouco de si e da sua obra, em entrevista por e-mail.

Nós – Fora dos Eixos: O que o levou à literatura?

Orlando Muniz: Sou um sujeito irrequieto por natureza. Não acredito nos formalismos pré-concebidos. Logo cedo aprendi que é mais fácil dizer as coisas quando se tem tempo para pensar e escrever. Daí para por as ideias no papel foi um pulo. Depois, com o passar dos anos, a literatura me cercou e fui sendo posto para dentro do mundo da ficção e do cronismo, sem qualquer alternativa de volta. Hoje, uso a literatura em meu favor, converso e divago nas telas de um editor de texto, na busca de um amparo em páginas de um papel futuro.

Livro de crônicas de Orlando Muniz

NFE: Por que exatamente a crônica?

Jorge Amado, um dos autores favoritos de Orlando Muniz

OM: A crônica é uma forma de olhar o cotidiano e falar com as pessoas com o meu olhar. Tudo acaba saindo com simplicidade. A crônica foi ficando rebuscada e com personagens e acabou me propiciando escrever Máscara das Palavras, um livro de contos consistentes. Agora, espero que as crônicas me dêem força para o romance que já está sendo alinhavado na cabeça.

NFE: Como é ter uma formação jurídica e dividí-la com a Literatura?

OM: O direito é forjado na hermenêutica. Não há advogado que não se utilize das variáveis da literatura para seguir seus caminhos nas lides. Comigo não foi diferente, o advogado auxilia o escritor e vice-versa. Convivemos bem!

NFE: O que lhe inspira, verdadeiramente? O que lhe faz escritor?

OM: O cotidiano. As palavras soltas. As divagações. Ser escritor é estado de espírito e como disse: prefiro pensar e escrever, a falar sem entender do que digo. Ainda sou aprendiz de feiticeiro, mas espero andar nessa trilha da literatura sem perder o rumo. Espero!

NFE; O que está preparando atualmente?

OM: Nas horas que o advogado sai de cena, entra o escritor que, nas madrugadas e fins de noite, vai preparando as crônicas para o Blog do Contista (que são publicadas na NFE). Com mais calma estou trabalhando um romance com nome provisório Um olhar por trás da porta. Tenho feito muita pesquisa e quando retornar ao batente, após a segunda quinzena de janeiro, começarei a trabalhar com mais força. A sinopse já está pronta. Vamos ver no que vai dar. Vamos ver!

NFE: Quais os autores de sua preferência?

Orlando Muniz, experimentando a linguagem do romance.

OM: No Brasil, gosto muito do estilo de João Ubaldo, Josué Montelo, e do mestre Jorge Amado. Contadores de boas histórias. Existem outros tantos da nova geração que leio quando posso. Edney Silvestre, por exemplo. No exterior tenho lido bastante os romances do Gay Talese, gosto muito do estilo jornalista-escritor.

NFE: Acrescente algo que considera importante.

OM: Fazer cultura é persistir na divulgação das palavras. Mesmo que ninguém leia o que escrevo, continuarei escrevendo, ninguém jogará um livro fora sem que exista alguém por perto para recolhê-lo. Curvo-me ao mestre Victor Alegria, pela persistência em fazer livros. Sua alma já está garantida na galeria dos bons.

Forte abraço.

Livro de crônicas de Orlando Muniz

* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.

Serviço

Armazém Brasil (crônicas) e Máscara das Palavras (contos),

ambos pela Thesaurus. Contato:

orlandomuniz@uol.com.br

http://orlandomuniz.blogspot.com




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)