Cidade de Deus, um Filme Com Interpretações Perfeitas
É impossível assistir Cidade de Deus sem se espantar com nível de realismo do filme, com as interpretações perfeitas e com o rigor técnico que marca a safra 2000 da produção cinematográfica brasileira. Hoje na TV fui fisgado por ele de novo, mesmo tendo assistido o filme nas salas de cinema duas vezes em 2002 e depois ainda mais algumas em DVD.
A cena em que Zé Pequeno vai “ensinar” para as crianças (o futuro do crime) que elas não devem roubar na favela é assustadora pela frieza com que foi construída pela diretora Katia Lund, para que a criança chorasse copiosamente, como se estivesse vivendo um fato real com a opressão do traficante. E depois, o tiro no pé, que o transforma no escolhido abençoado para viver. Seu amigo ficou ao lado para exemplo.
Na época do filme troquei alguns mails com o roteirista Braúlio Mantovani, colega com quem trabalhei no Telecurso 2000 em 1995. Perguntei como foram feitas as cenas da galinha, com a técnica tipo Matrix. Ele disse que o diretor Fernando Meirelles pediu para os atores ficarem parados, congelados, enquanto ele percorria com a câmera ao redor, fotografando. Depois as cenas eram animadas e sonorizadas. O efeito é surpreendente como se viu.
Tenho na minha estante também o VHS de Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos. Impossível não colidir os dois filmes. Cidade de Deus saiu de Rio Zona Norte. Os dois mostram a carne viva da violência e da exploração, partindo do berço frio da falta de opções que a pobreza leva.
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