Neto Borges Transforma o Curta Entre Eixos e Ilhas em Longa Metragem

A cultura produzida em Brasília (DF) será mapeada pelas lentes do cineasta maranhense que escolheu a cidade para viver.

Véspera do seu cinquentenário,  Brasília (DF) vira cenário de  cinema, nas lentes e olhar poéticos do cineasta maranhense Neto Borges.

Por: Menezes y Morais *

Trata-se do curta metragem Entre Eixos e Ilhas, documentário, filmado em 2004 e montado em 2009, em DVD, com duração de aproximadamente 30m. Agora, o cineasta vai transformá-lo em longa metragem, com patrocínio  cultural da Petrobrás.

Entre Eixos e Ilhas será refilmado a partir do dia 1º de março, segunda-feira, em forma de longa-metragem, com o apoio cultural da Petrobrás.

Neto Borges está buscando outros apoiadores, para poder realizar o projeto. A primeira versão de Entre Eixos e Ilhas tem argumento de Bea Maury e Ruy Alcides. Bea e Neto assinam a pesquisa.

Neto Borges, por Débora Amorim.

A obra mapeia a produção lítero-musical da cidade sonhada por D. Bosco. É claro, ainda faltam o leite e o mel para todos.

Entrevistas

Entre Eixos e Ilhas, curta metragem, tem entrevistas de compositores, escritores e poetas do DF. Estão lá depoimentos do livreiro Ivan da Silva e de poetas como Cassiano Nunes e Anderson Braga Horta, da geração mais madura da cidade.

E depoimentos de poetas da geração mais recente, como Maria Maia, Nicolas Behr, Bic Prado, Bené Fonteles e Menezes y Morais.

Representando os compositores, Neto Borges filmou Renato Matos, Gog e Liga Tripa. De quebra, tem Zeca Baleiro e

Nonato Veras

fundo musical de Nonato Veras/Nicolas Behr e do saudoso  Sérgio Sampaio.

O cantor e compositor Zeca Baleiro, autor de uma canção feita para Brasília, depõe para as câmaras de Neto, tendo a Ponte JK como pano de fundo e o Lago Paranoá como cenário.

Bric-a-brac

Também foram entrevistados os poetas Gustavo Dourado (Amargedon, ex-presidente do Sindicato dos Escritores no DF), Dedé, Luis Turiba e o artista plástico e designer Luis Eduardo de Resende, o Resa, ambos falando da histórica revista Bic-a-Brac.

Bic Prado cita poetas como Lilia Diniz e o saudoso Mangueira Diniz, que, além de poeta, foi teatrólogo, diretor e resolveu viajar para o céu em maio de 2009.

O filme capta uma cena do poeta e jornalista Ivan Monteiro recitando. Ivan Monteiro, aliás, é considerado um dos poetas que melhor recita na cidade.

Olhar Poético

O olhar poético de Neto Borges começou a ganhar forma no Maranhão. Ele estudou cinema na França (Paris, Sorbone). Do que aprendeu nos bancos da universidade e na escola da vida, Entre Eixos e Ilhas revela cortes e planos precisos e preciosos.

Liga Tripa

Por isso o filme é repleto de fotos-poéticas: paisagens, o cerrado brasileiro. A poesia é o fio condutor do documentário. A poesia é a sua matéria-prima. O olhar do Neto Borges é uma câmara semi-oculta desvendando a plasticidade brasílica.

Cenas inusitadas

Tem cenas urbanas inusitadas da Cidade-estado, que nos parecem ficção, de tão belas, em sua plasticidade estética. Somente um olhar poético/câmara pode captar/tatuar paisagens assim.

E o resultado é um documentário de imagens límpidas e estéticas não apenas do céu de Brasília, mas também de indícios da sua história lítero-musical.

Neto Borges começa Entre Eixos e Ilhas entrevistando o livreiro Ivan da Silva – prefere ser chamado hoje de Ivan Presença – que dá uma espécie de roteiro humano geográfico, citando nomes de escritores e mostrando seus livros, como os poetas Sóter, Jô Pessoa, José Edson dos Santos, Joanyr de Oliveira, Reynaldo Jardim.

Joanyr de Oliveira, homenagem póstuma.

Geografia estética

Na sequência é a vez da poeta Maria Maia, que fala do movimento Coletivo de Poetas, mostra o livro Mais Uns e cita autores como Marta Peres, Stela Castro, o saudoso Francisco Morojó (Pesão).

Nicolas Behr relembra os movimentos culturais brasilienses das décadas de 1970-80, além da primeira geração de poetas que cantava Brasília com a exclamação “oh!”.

O cantor, compositor, ator, artista-plástico e multiinstrumentista Renato Matos também relembra movimentos históricos da cidade, como o Concerto Cabeças e o Concerto Gavião.

E canta sua parceira com o saudoso poeta Cassiano Nunes. Amargedon faz referência  à “linguagem da modernidade de Brasília”, Bené Fonteles lembra que a cidade nos induz à introspecção filosófica. E Ivan Presença toca o dedo na ferida:

“Esse sol, esse céu, inspira. Brasília é uma cidade vocacionada para a Arte. Mas os poetas têm dificuldades para mostrar o seu trabalho”.

* Menezes y Morais é jornalista, escritor, professor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.

Serviço

Entre Eixos e Ilhas – um filme de Neto Borges – Olho Filmes – Patrocínio cultural: Petrobrás.  Apoio cultural: Beirute e Feitiço Mineiro. A versão curta foi patrocinada pelo FAC – Fundo de Apoio a Cultura – Brasília (DF), 2009.

Para apoiar a nova versão deste filme, em longa metragem, entrar em contato:

Produtora OLHO filmes – Cinema antropológico e documentário:

Paulo Djorge, cantor, compositor, poeta e produtor.

(61) 3202-9559

(61) 8420-7974 / 8409-0414

olhofilmes@yahoo.com.br

Produção: Paulo Djorge  (61) 8433.5348 e (61) 3367.5250.

paulodjorge@gmail.com




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Comentários

Parabéns pelo artigo. O cineasta Neto Borges já vem de longas datas, buscando, através de seus documentários, imagens, entrevistas, de vários povos e culturas, espalhados pelo país por onde anda, principalmente da região onde grande parte de suas pesquisas, quando estudava na Universidade Federal do Maranhão, cursando História, mas uma vez parabéns, Neto Borges.

Nossa, maravilhoso,amei. Neto você é divino.

Muito justo o espaço e comentários concedidos a um dos mais sensíveis cineastas brasileiros. Quem dera Brasília tivesse políticos que a amassem tanto quanto Neto a ama. Quem dera o Vida tivesse seres que a valorizassem tanto quanto Neto a valoriza. Salve Neto.

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