Vento Sul

A Guerra entre a Argentina e a Inglaterra pela posse das Malvinas, em 1982, poderá repetir-se em 2010?
Por Orlando Muniz *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
Existem coisas ou fatos que por vezes querem parecer um encosto enorme, daqueles que nem pai de santo com PhD no MIT tem força suficiente para expurgar a alma penada do indigitado ou das cercanias de sua escalpelada presença.
Já se vão vinte e tantos longos anos, desde o dia 2 de abril de 1982, quando tropas argentinas, sob o comando do presidente-general Leopoldo Galtieri, invadiram as Ilhas Malvinas — ou, como apreciam os britânicos, Ilhas Falklands.
Foi o início de uma guerra que teve como principal resultado a perda de centenas de vidas de ambos os lados, sem que alguns desses soldados soubessem sequer o real motivo daquela batalha de Pirro.
Como sempre, guerra é um subproduto ou da incontinência verborrágica de algum tiranete de plantão, ou desejo sequioso de poder de outro ator não menos louco por um holofote. Guerras não se fazem sozinhas, elas andam por pernas próprias e possuem nome e sobrenome.

A presidente da Argentina, Cristina Kichner, tenta um acordo de paz pela posse das Malvinas, com o primeiro-ministro inglês, Gorldon Brown. Conseguirá?
E quando parte da população mundial sequer sabe onde ficam as Malvinas, eis que, como por encanto, lá vem essa história de acirramento nas relações entre a Argentina e a Inglaterra.
Agora — é o que se fala na imprensa — o motivo é a permissão dada pelo governo da Rainha para que empresas privadas possam utilizar as águas territoriais do arquipélago como base para prospecção de petróleo.
Seja qual for o motivo, do mais justificável ao mais populesco, o que não se pode aceitar é que essa turma comece a brincar de novo de fazer guerrinhas em nosso quintal.
Sim, nosso quintal, pois estamos bem aqui pertinho do front. Eu, que não gosto nem de fogos de artifício em festa de final de ano, imagina se vou querer esse povo maluco querendo experimentar a última palavra em mísseis guiados por computador? Eu não!
Tomara que os homens e mulheres que possuem a chave da inteligência nesse assunto possam refletir em busca de um novo tempo, lançando mão de ações que visem superar as crises de conhecimento, combater os efeitos do aquecimento global e eliminar a fome que assola milhares de crianças que morrem sem qualquer sustento.
Não dá para ficar com essa conversa de quem pode mais briga mais. Não, quem pode mais deve pensar mais, conversar mais e, principalmente, agir mais. E se não for possível uma conversa tête-à-tête, que se busquem foros adequados para resolução de conflitos, ainda mais quando se sabe de antemão o lado que essa corda vai arrebentar.
E parodiando aquele velho ditado: “caldo de pollo e banana prata não fazem mal a ninguém”. A ninguém mesmo!
*Orlando Muniz é cronista e contista.
Mora em Brasília, Distrito Federal, Brasil. Nasceu em 1959, em Eirunepé, na foz do Rio Juruá, no Amazonas.
Formou-se em Direito na Universidade Federal do Maranhão.
É advogado e procurador federal. É autor dos livros Armazém Brasil (crônicas urbanas), publicado em 2006, e de Máscara das Palavras (contos), lançado em 2009.
Serviço
http://orlandomuniz.blogspot.com
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