Afonso Ligório: ‘Verdade e Ficção Estão na Mesma Trilha da História’
O escritor e pesquisador, autor de Terra do Gado – A conquista da capitania na pata do boi, leva o Piauí para a Academia Brasiliense de Letras.
Por: Menezes y Morais *
O escritor Afonso Ligório Pires de Carvalho é o mais novo integrante da Academia Brasiliense de Letras. Jornalista, contista, professor e pesquisador piauiense, sua posse na ABL ocorreu dia 23 de fevereiro, na cadeira do conterrâneo H. Dobal.
Afonso Ligório, como é conhecido, em sua obra, mistura ficção, realidade e o ensaio histórico. Ele nasceu em Luzilândia (PÍ). Ficou lá dois anos, quando sua família migra para a capital, Teresina, onde viveu até a adolescência, de lá foi para Recife (PE).
Pernambuco e DF
“Minha família mudou de novo”. Em Recife, Ligório ingressou na vida adulta, mas uma nova viagem (Brasília) estava escrita no seu destino. Até então, gostava muito de biologia, mas, no Distrito Federal, decidiu-se pelo Direito.
“Cheguei a Brasília em 1966. No Ceub – Centro Universitário de Brasília, estudei seis semestres de biologia, correspondentes a três anos, num curso de quatro anos. Eu estava semibiológo e de repente resolvi que a minha atividade era jornalística e não de investigador da vida.”
E a Literatura? “A literatura sempre esteve presente na minha vida. Eu sempre estive ligado aos movimentos literários, embora de um modo sem escrever, eu fiz jornalzinho, participei com produção literária, mas somente em Brasília que veio acontecer”.
Projeção literária
A partir de então sugiram os livros. Só Esta Vez (1977), que ele define como “histórias passadas na minha terra, quando meninice e na adolescência. Depois escrevi o romance Capitânia do Açúcar”.
Ligório já tinha alcançado projeção literária. Só Esta Vez foi traduzido para o inglês e o espanhol. E teve lançamento nos Estados Unidos, na Feira do Livro de Miami.
Em seguida publicou o livro de pesquisa histórica, Tempos de Leônidas Melo, publicado na década de 1960. “É um ensaio histórico sobre a figura do ex-governador Leônidas Melo, que governou o Piauí durante 15 anos, na época da ditadura do Estado Novo (1934-45)”.
Sociologia do gado e do açúcar
“Eu ainda era garoto. Depois escrevi Outros Tempos (1978) e o romance Capitania do Açúcar, sobre a formação do patriarcado rural açucareiro em Pernambuco. A partir da fundação da capitânia até a invasão holandesa são 200 anos de historia de Pernambuco”.
O pesquisador Afonso Ligório continua no livro seguinte, Terra do Gado – A conquista da capitania na pata do boi, que o Autor define como “ensaio histórico narrando como ocorreu a ocupação do Piauí na pata do boi”.
Ligório não faz diferença entre a ficção e realidade. “Ficção não é mentira, não é invenção, é um acréscimo provável sobre um fato real. A ficção no sentido sobre a história”.
– Não é a criação de um Robson Crusoé – acrescentou –. A história é constituída de fatos que ocorreram e o que eu faço na minha ficção é reconstruir, se possível, aquelas lacunas que se encontra na história, é uma recriação. Verdade e ficção na mesma trilha da história.
H. Dobal
Acadêmico, este piauiense de Luzilândia se diz orgulhoso por suceder o poeta H. Dobal, seu conterrâneo na Academia Brasiliense de Letras, cuja cadeira tem como patrono Rui Barbosa.
“Substituir H. Dobal, meu amigo de juventude, é uma honra. Nos primeiros manifestações literárias, eu comecei amizade com ele. Dobal sem dúvida é um dos maiores poetas do Piauí.”
Afonso Ligório é sócio correspondente Academia Pernambucana de Letras e sócio efetivo Academia Piauiense de Letras, além de compor a diretoria da ANE – Associação Nacional de Escritores. Também é sócio do Instituto Histórico Geográfico do DF.
* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.
Terra do Gado – A conquista da capitania na pata do boi -
Afonso Ligório Pires de Carvalho – pesquisa histórica sobre o Piauí.
Confira este e os demais livros de Afonso Ligório, editados pela Thesaurus: www.thesaurus.com.br
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É com muita emoção, que entro neste site, e vendo a foto de Afonso Ligório a quem “infelizmente” nunca tive contato, lembro de meu pai Antonio Maria Pires de Carvalho; seu irmão. Falecido dia 10/03/2007. Isso fez preencher um pouco este vazio que meu pai deixou em meu coração. Muita sorte e saúde pra você Afonso Liguório.
sua sobrinha Karinne