Cotas Cidadãs, Afros Descendentes da Mais-Valia

Imagem: educafrobaixadasp.blogspot.com/2009/08/cotas.

Por: Wagner Vila Sresthas (José Araújo Wagner)

e Hilda Rádhá Govinda (Hilda Cipriano De Acácio

Excelentíssimos Senhores Ministros do STF – Supremo Tribunal Federal,

A dívida real do Estado Brasileiro com a mão obreira negra, afro descendente, encontra-se acumulada, principalmente, nas favelas negreiras Urbanas. Com os seus maiores espelhos demográficos assentados nos estados do Maranhão, em Pernambuco, em Alagoas, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e na Bahia.

A grossa pobreza brasileira submetida à fome, à inanição, ao analfabetismo acadêmico, está mensurada às cifras acima de 82% (oitenta e dois por cento) para negros e pardos afros descendentes.

Alertem-se, meritíssimos, para o fato de que, devido à natureza discriminatória, escravocrata da mentalidade brasileira à época, mesmo após a Lei Áurea de 13 de maio de 1888, os negros não foram promovidos aos cargos de gerentes, de comandantes, cargos de confiança.

A metodologia do empowerment à época, delegação de poderes, nos setores produtivos, públicos administrativos, no cenário da educação formal, e nos eventos cívicos de toda a sociedade, não foi estendida aos brasileiros afros descendentes.

Estudantes protestam em favor das cotas raciais.

Historicamente senhores Ministros, não houve um salto qualitativo do homem negro escravo, trabalhador não remunerado, para a condição do homem trabalhador proletário.

Enquanto o trabalhador branco, Ítalos, Nipônicos, Portugueses, Franceses, gente de todas as descendências, vendiam a sua força de trabalho, mal paga, mais de fácil aceitação. Os afros descendentes só encontravam empregos nos setores primários braçais pela troca de alimentos e moradias improvisadas.

É preciso, portanto, que tenhamos muito cuidado com o conteúdo ideológico inserido (contido) na proposta “Cota Sociais”. Essas “cotas” neoliberais, salvacionistas, que desde os anos de 1873 vem sendo aplicadas em várias regiões do planeta, mas que não tem servido para corrigir em larga escala as distorções socioeconômicas e culturais do capitalismo.

Estudantes protestam em Brasília (DF) a favor das cotas raciais.

No Brasil, o maior registro vivo que temos da ausência de políticas públicas para as populações afras descendentes, encontra-se nos milhares de kilombolas ainda comandados pelas senhoras bisavós e avós negras. Mercê de fundos sociais limitados, inconstantes e restritos.

O Brasil, durante cinco séculos contou com o trabalho braçal, a força de trabalho dos afros descendentes, cifras acima de 78% (setenta e oito por cento), mantendo, assim, o ciclo da cana de açúcar, o ciclo da agropecuária, o ciclo do café, o ciclo extrativista do pau Brasil e de centenas de madeira de lei – valor exportação e o ciclo da extração dos minérios.

Gerações de armadores indianos e de negros escravos ergueram a grande arquitetura do Brasil colonial, imperial e pré-moderna, cortando e assentando pedra sobre pedra, tijolos sobre tijolos.

Não temos dúvidas alguma, senhores Ministros do STF, de que o único modelo não anticonstitucional, capaz de contribuir para uma alavancagem na educação acadêmica, no meio das populações pobres de todo o Brasil, é o modelo cientificamente experimentado e comprovado por várias universidades a exemplo da UnB – Universidade de Brasília. Modelo que o identificamos como Cotas Cidadãs – Afros Descendentes da Mais-Valia.

Brasília-DF, 09 de março de 2010

* Wagner Vila Sresthas (José Araujo Wagner)

e Hilda Rádhá Govinda (Hilda Cipriano De Acácio),

são jornalistas e escritores. São autores do livro

Capital Diferencial – Brasília, a Cidade Mais Inteligente do Mundo.

Serviço

wagnerhilda@gmail.com

Autores do Manifesto, Cotas da Mais-Valia, protocolado no STF (07.05.2008).

Defensores das Cotas da Mais – Valia na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, em audiência pública em (21.05.2008).




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Comentários

Cotas cidadãs é a tônica.Eles estão desesperados,é o medo de de perderem a mamata limitando o dominio sobre o capital do conhecimento,base da pesquisa científica. “Cota social” neoliberal é calote. Parabéns Nos Revista cidadã de Brasília para o Brasil.

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