Daniel Pedro: ‘Minha Poesia Nasceu da Audição, no Radinho à Pilha’

O ator e poeta Daniel Pedro, por Izarina Tavares. Divulgação.

Por: Anand Rao *

Especial Para Nós – Fora dos Eixos

O sarau MúsicaPoética prossegue nesta sexta-feira, 12, com o compositor Anand Rao e o poeta e ator Daniel Pedro. O evento será realizado às 20h no Café com Letras, em Brasília (DF).

Anand Rao: Quem é Daniel Pedro?

Daniel Pedro: Desde garoto que me vejo poeta. Minha poesia nasceu da audição, no radinho à pilha – não havia luz elétrica, muitos menos televisão –, de músicas de gêneros vários. Havia um programa chamado “Hora da Saudade”, onde se ouviam Orlando Silva, Francisco Alves, Carlos Galhardo. Lembro-me de duas músicas que me marcaram muito e, acredito, despertaram o poeta. Uma era cantada pelo Francisco Alves:

“A tristeza vem chegando/A tristeza me acompanha/Só porque o meu amor morreu na virada da montanha”

Essas imagens me emocionavam. Outra música que me endoidecia era a antológica “Minha vida era um palco iluminado/ Eu vivia vestido de dourado/Palhaço das perdidas ilusões… Pra completar, Caetano Veloso e Chico Buarque me influenciaram deveras. Então, entre os 16 e 20 anos escrevi muita poesia. Publiquei algumas. Porém, depois que virei hippie rasguei as poesias juvenis, julgando-as abomináveis. No meio da contracultura descobri o teatro – primeiro ator, logo em seguida dramaturgo e diretor. Escrevi 16 peças teatrais, entre as quais, O Diabo Feminista, Viva o Rei João, Um Pedacinho de Frango, Aluguel Vencido, Suicídio na

Daniel Pedro

Capital Federal. Publiquei várias poesias em revistas de São Paulo. Ainda não editei nenhum livro . Acredito que a poesia é ,das artes, a mais difícil. Talvez meu primeiro livro surja dentro três ou quatro anos…hoje escrevo pouco e rasgo muito. Sou membro da Tribo das Artes, organização artística – preocupada sobretudo com a poesia -, que organiza um sarau mensal no Teatro da Praça em Taguatinga. Além dos supracitados poetas, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar e Vinicius de Morais marcaram-me em demasia. Outro poeta que me agarrou e não mais me largou foi o Nicolas Behr.Reputo-o um dos poetas mais importantes do momento. Nicolas é tão importante pra poesia quanto o foi a Semana de Arte Moderna. Efetivamente, Nicolas é o revolucionário da poesia. Aliás, no ano passado montei um espetáculo teatral – Eu Engoli Braxília – baseado nos poemas do Nicolas. “

Que achou do convite feito por Anand Rao para participar do Projeto MúsicaPoética?

Daniel Pedro – Muitíssimo ótimo ser parceiro do “monstro” da composição. Esse negócio de compor em público é algo muito louco – fico pasmado com a sua arte. Vamos enlouquecer o Café com Letras.

Anand Rao: Achas que a poesia é respeitada no Brasil e quais os melhores poetas vivos do Brasil?

Daniel Pedro – Poesia, ainda, hoje, é coisa pra iniciados. Assim, como o teatro, artes plásticas, etc? A escola, onde o indivíduo deveria iniciar o apredizado das artes, é um pandemônio. Cabe a nós , a missão de popularizar a poesia. Eu e Tribo das Artes tenho feito declamações pra estudantes lá em Ceilândia, Brazlândia, Recanto das Emas – que maravilha! E eu sei – pelo olhar – que as pessoas ficam emocionadas. Quando trazermos a poesia para um Café, estamos popularizando-a. Poetas vivos do Brasil: Ferreira Gullar, Lília Diniz, Elisa Lucinda, Nicolas Behr e Chico Barque de Holanda.

Anand Rao

Anand Rao: O que achas da música louca feita pelo jornalista, músico e poeta Anand Rao, compondo tudo no palco na frente de todos, que achas dessa maluquice?

Daniel Pedro – Assim como já disse que o Nicolas Behr é o revolucionário da poesia, diria que o Andand Rao é o revolucionário da música. Tanto Nicolas como Anand derrocam os paradigmas da arte.

Anand Rao: E Brasília dos panetones, cuecas e meias, respeita a poesia?

Daniel Pedro – Esse pessoal não está nem aí pra poesia. Porque, tenho certeza, quem faz parte da Confraria da Poesia – a galera do bem – respeita a vida, o outro, e , obviamente, a nação. A galera do bem só deseja beleza, harmonia e o pôr do sol brasiliense . A galera do bem pensa um país digno, justo, e, consequentemente, mais rico material e espiritualmente.

Anand Rao: E o café com letras, que achas deste espaço?

Daniel Pedro: Adoro o Café com Letras. É um local por demais aprazível. É onde a gente pode falar e ouvir poesia sem pedir licença pra ninguém. Parece até a casa da gente! Ressalto, ainda, o primoroso café servido pela casa!

Daniel Pedro

Anand Rao: O que você prentende ler no show?

Daniel Pedro – poemas autorais e dos mestres Carlos Drummond, Vinicius de Morais, Augusto dos Anjos, Nicolas Behr, Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Chico Buarque.

Anand Rao: Shows independentes alternativos só enchem quando enviamos e-mail, ligamos, convidamos, que achas disto?

Daniel Pedro: Acho natural que assim seja, visto os independentes , obviamente, estaremo fora da mídia. Entretanto, por meio do telefone e do e-mail, estamos criando a nossa própria mídia. Um dia, de repente – não mais que de repente – as televisões e os grandes jornais estarão cobrindo os nossos shows.

Anand Rao, compondo diante do público, com parceiros da platéia.

Anand Rao: Há espaço para poesia na midia?

Daniel Pedro:Não! A poesia sempre esteve no último escaninho da mídia.

Entretanto, a ela não morre nunca. Pois onde há vida, há poesia inegavelmente.

Tens outra atividade, qual, e como casas a poesia com esta atividade?

Daniel Pedro: Sim, sou servidor público. Confesso-te que se não tivesse outra

atividade, seria um poeta morto – talvez mais famosso, porém mortíssimo da silva. O fato de ter outra atividade profissional não me atrapalha.Ao contrário até me ajuda na caminhada poética.`Esse mundo administrativo me inspira e muito.

Anand Rao: Alguma coisa ficou pendente que gostarias de colocar nesta entrevista?

Daniel Pedro: Eu, hoje, como um homem de teatro, penso na poesia não só como atividade literária mas, também, como manifestação cênica. O meu corpo contribui para a minha concepção poética.

* Anand Rao é cantor, compositor, jornalista e escritor.

Serviço:

www.anandraobr.com

producaoanandrao@gmail.com




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Comentários

Daniel Pedro: Poeta, ator, dramaturgo e professor. Grande incentivador das artes,parabenizo o pelo legado e grande homem de fibra que é, me sinto orgulhoso e agradecido em tê-lo conhecido e participado de aulas e obras de sua autoria. Sou um ator Osasquense,hoje lhe rendo homenagens por ter sido um dos pioneiros na década de 70 a levar a arte onde o povo esta. Osasco muito lhe agradece por ter plantado sementes que germinaram e hoje florescem.
Parabéns pelo evento: Anand Rao e Daniel pedro.
ORDÁLIO BARBOSA ( Ator DRT 28705 )

Meu caro Ordálio!
Que bom reencontrá-lo e saber que o teatro sem fez em você.
Tudo começou aí em Osasco e, hoje, ambos, continuamos a palmilhar o caminho desse mundo mágico. Evoé Baco! Evoé Nós!
Um dia, inegavelmente, iremos nos encontrar nesses palcos luminosos.
Daniel Pedro

Caro amigo Daniel não sei se ainda lembras de mim. Ao ler este artigo as lembraças me veio como ventos trazendo muita saudade parabens pelo evento

Meu caro Ordálio!
Lógico que me lemnro de ti. Do nosso trabalho. Do Grupo de Teatro do Sindicato dos Metalúrgicos. Das reuniões em minha casa lá na Minas Bogasinan. Lembro-me do Teretetê. Felicidade me invade so saber que continuaste a trilhar as sendas do teatro. Isso é muito emocionante!.
Muita paz!
E viva o teatro!
Daniel Pedro

Caro amigo Daniel não sei se ainda lembras de mim. Ao ler este artigo as lembraças me veio como ventos trazendo muita saudade.

Val
Manaus-AM

Daniel Pedro,

Sou filha do Arnaldo Paloschi e me lembro de pequena, meu pai fazendo Aluguel Vencido, gostaria de conversar contigo, pois meu pai faleceu num palco de teatro, na cidade onde moramos.

Se puder responda esta mensagem

Minha querida Val! Que supresa! Que lindo te reencontrar.
Lembro-me em demasia de ti. Momento bom aquele nosso. Mas o que fazes aí em Manaus. Já casou. O reginaldo, faz uns cinco anos que não o vejo. Muita saudade! Val!, um beijão pra você. Daniel

Karen! Que prazer te encontrar. Fiquei sabendo o que aconteceu com o seu pai. Fiquei triste demais. Inclusive, na época do acidente, ele estava montando o meu texto “O Diabo Feminista”. Seu pai, além de ser muito meu amigo, era um excelente ator, um homem de teatro. Ele, assim como eu, amava o teatro. E , foi no teatro que ele faleceu. E você, Karen, o que está fazendo. Estou pronto pra conversar contigo. Inclusive, gostaria de saber mais sobre o acidente. Fiquei sabendo da história muito superficialmente. Karen, fico ansioso, aguardando tua comunicação. Karen, você está com quantos anos. E a tua mãe, como está? Os teus irmãos. Te aguardo. Um beijo! Daniel

Prezado Daniel,

Após o acidente do meu pai que caiu de uma escada como disseram pra gente, no teatro municipal de itapevi, ele foi ajudar a tirar um cenário pois a noite ele teria outra apresentação e não era serviço dele, chegou cedo la e começou a tirar sem esperar alguem pra ajuda-lo foi ai que ele caiu da escada e bateu a cabeça e teve traumatismo, foi internado mas uma semana depois nao resistiu e acabou morrendo, dai 3 meses após minha mae faleceu de cancer, que estava lutando a 2 anos, e dai sobraram eu a Kellen e a Keila, estamos unidas nesta perda, mas graças a Deus estamos bem, casadas e felizes com nossos filhos, fiquei feliz por vc ter me respondido, eu estou com 33, a Kellen 36 e a Keila 32.Um abraço e que Deus te de muita saúde. Realmente meu pai era um ótimo ator, pena que a Globo não o conheceu…rsrsrsrs

Karen!
Nossa! Fiquei emocionadíssimo ao receber a resposta tua. Estava te imaginando quase uma criança, no máximo uma adolescente, e já és uma “senhora casada, responsável, e mãe”. Infelizmente você perdeu pai e mãe. Mas o importante é que você e suas irmãs continuaram a história deles, aliás, a vida deles continua em vocês, nos seus filhos, enfim, a vida é esse ciclo. Realmente a morte do seu pai foi uma grande perda para o teatro. Inclusive, antes do acontecimento trágico, ele havia me pedido autorização para montar o meu espetáculo “O Diabo Feminista”. Eu estava contentíssimo, pois sabia que seria o maior sucesso. Enfim, “Aluguel Vencido”, minha peça, na qual ele foi o grande ator
ganhou prêmios, creio que seu pai ficou apresentando “O Aluguel Vencido” por mais de 4 anos. Na época dos ensaios, vocês eram criancinhas ainda. Apesar da morte prematura, seu pai foi um dos melhores atores que eu vi em palco: disciplinado, criativo, inteligente e ostentava, sobretudo, uma presença cênica que só os grandes atores possui. Enfim, seu pai era um homem apaixonado pelo teatro. Se vivo estivesse, tenho certeza que hoje estaríamos fazendo alguma parceria. Mas a vida, Karen, é espetáculo que a gente não sabe nunca quando termina. Infelizmente a Globo não o descobriu, mas muita gente guarda na memória a sua performance. Lembro-me de uma apresentação do “Aluguel Vencido numa Faculdade aí no centro de São Paulo. Ele estava no palco e eu fazendo a iluminação. Uma senhora que estava ao meu lado comentou com a outra amiga: ” Que ator maravilhoso!. Como ele consegue fazer tantas personagens! Seu pai, Karen, era um ator maravilhoso deveras. Um grande abraço pra você, pra suas irmãs. Um grande abraço pra sua família. Foi um prazer enorme encontrá-la.

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