Novos Hábitos
Por: Orlando Muniz *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
Existe uma nova ordem na maneira como encaramos a vida, principalmente quando o assunto é levado para o lado das armadilhas que a idade impõe ao corpo e à mente. Em qualquer roda de conversa e sobre qualquer tema discutido, haverá sempre alguém que começa a ladainha da “boa vida” tecendo comentários sobre as maravilhas daquela dieta mediterrânea infalível e sobre como é fantástico o novo método da academia de ginástica para fortalecimento do corpo.
Isso não é novidade, uma vez que o nível das informações sobre saúde espalhadas mundo afora faz com que acabemos nos sentindo envolvidos nessa teia e mais responsáveis pela melhora em nosso condicionamento físico e de passagem por uma nova ordem para uma alimentação mais saudável e prazerosa.
Tirando o lado do enquadramento metódico que alguns adotam, seguir um caminho saudável para o corpo e para a mente é uma coisa fantástica. Pela nossa cultura, não é novidade que nós, por vezes, facilitamos com a saúde fazendo de contas que manter a forma física é algo secundário e que não colabora com os prazeres que um país tropical pode oferecer, especialmente em termos gastronômicos.
Comida farta, pratos gordurosos, balança acima da média, corações cansados… Essa sequência carregada de simbologia pode até retratar um lado folclórico, mas pode ser um pesadelo para quem brinca de não fechar a boca e para quem não se importa em acelerar mais o passo ou praticar qualquer esporte.
Ao contrário das falsas conversas dos que se contrapõem a novos tempos, é possível viver bem, comer bem, beber bem e tudo o mais sem perder a oportunidade de viver com racionalidade e respeito ao próprio corpo. Não é preciso radicalizar, o que precisamos mesmo é racionalizar.
Comer menos, beber menos, pensar mais em frente ao prato cheio e se compadecer mais ante a uma balança que não se corromperá aos quilinhos que insistem em não ir embora.
Começar a rever sua agenda estressada é um caminho bem interessante. Tirar aquele almoço apressado e sem causa já vai ajudar muito na retomada de hábitos simples e saudáveis, como um prato feito com tudo o que se pode comer, obedecidas as cautelas da mesa.
Andar pela manhã, subir uma escada despretensiosamente, fazer exercícios como rotina, vão fazer um milagre na vida de quem começa a pensar mais nos exames e menos nos prazeres da picanha. É por isso que essa nova atitude deve ser tomada sem radicalismos e sem as chatices que uma situação imposta acaba por fazer.
Viver é muito bom, viver fazendo o que se gosta é maravilhoso. Viver com a consciência de que estamos alimentando nossa máquina com combustível limpo dá um prazer ilimitado.
* Orlando Muniz nasceu em 1959, em Eirunepé, na foz do Rio Juruá, no Amazonas. Filho de Benedito e Maria. Formou-se em Direito na Universidade Federal do Maranhão. É advogado, procurador federal e escritor. Publicou os livros Armazém Brasil (crônicas urbanas, 2006) e Máscara das Palavras (contos,2009), pela Thesaurus editora.
Serviço
http://orlandomuniz.blogspot.com
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