A Poesia Leva o Humanismo à Sala de Aula
O poeta e policial Emerson Vaz Borges faz palestras e ler poesia para os alunos da rede escolar do DF
Por Redação
O poeta Emerson Vaz Borges, 45 anos, nascido e criado em Sobradinho (DF), gosta muito de falar sobre Poesia nas escolas. Principalmente para crianças pobres.
A ida do poeta às escolas, conforme ele explica, deu-se em razão do seu livro
Vialacteano (poesia), publicado pela Thesaurus em 2009. “Em razão desse livro, recebo convites para proferir palestras para crianças carentes”.
Inteligentes
“Eu gosto demais desse trabalho – acrescentou –, acho as crianças muito inteligentes, apesar da carência que existe em seus lares. Achei interessante puder falar de poesia pra elas e elas entendem o recado”.
Contente pelo fato da boa receptividade que encontra nas escolas, com crianças e adolescentes, Emerson Vaz Borges lembra de como a poesia entrou na vida dele.
“Comecei a ler na adolescência, me interessava por filosofia. Autodidata, li o primeiro livro de filosofia e gostei muito. Qual? Foi o livro Os Pensamentos de Pascal e me apaixonei pela Filosofia”.
Ler
Em razão desse fato, o poeta sentiu “A necessidade de ler e comprei livros e mais livros e quando percebi estava escrevendo poesia. Mas foi a poesia que me colocou nessa canoa”.
Para Borges, “A poesia é uma coisa interessante. Estava pesquisando, estava me preparando para fazer uma palestra numa escola e fui pesquisar a origem da palavra poesia Poisis (a arte de fazer, no grego) e achei a definição mais interessante”.
Da Filosofia para a Poesia foi um pulo. “O meu processo criativo é simples, eu não tenho um dia certo para compor os meus poemas, mas sempre que eu me sento, pego um caderno, um lápis, quando eu coloco a primeira palavra, necessariamente sai o resto”.
Vialacteano
E quando entendeu que já tinha muitos poemas escritos, resolveu publicar o primeiro livro. “Eu já tinha participado de três antologias. Aí resolvei publicar um livro solo”.
Por que Vialacteano? “Eu não tenho muita preocupação com o título, muitos vezes surge depois do poema pronto. Agora penso em editar o segundo livro,” revelou.
Já tem título? “Não. O segundo livro está praticamente pronto. Uns cem poemas. No novo livro eu falo do cerrado, dos pássaros, dos rios, das aves, Falo da natureza”.
Quantos aos poetas que ler, confessa: “Eu gosto muito da Cecília Meireles, alguns poemas não li todos ainda, gostei muito também daquele poema de Olavo Bilac, Ora Direis Ouvis estrelas…”
Identidade Cultural
Nascido em Sobradinho (DF), uma das cidades satélites mais próximas de Brasília, que comemorou 50 anos dia 21 de abril de 2010, Borges viu a cidade crescer cultural e economicamente.
“Brasília se solidificou muito. Temos grandes artistas, músicos, poetas, é uma riqueza muito grande. Brasília, vamos dizer assim, é uma mina de poetas. Gosto de viver aqui. Tenho dois filhos, um de 12 e o outro de cinco anos, que também gostam muito daqui”.
Borges confessa que causou “Certo impacto com o meu pequeno livro no meu circulo de amizade. Sou policial, tenho 18 anos de carreira, normalmente o policial é visto como insensível, mas não é verdade”.
O Poeta assegura: ele próprio é um policial que consegui “Falar das coisas que eu sinto no peito de maneira natural, bem espontânea. Preocupo-me muito com os destinos da nossa humanidade. Quem me conhece sabe como eu sou”.
A seguir, dois poemas de Emerson Vaz Borges. O primeiro, Pássaro sofrê, é inédito. E o segundo é do seu primeiro livro.
Pássaro sofrê (Icterus Jamacaii)
Eu tava navegando o Rio Piratinga
E escutei um canto triste e dolorido
Era o pássaro sofrê numa restinga
De repente vi aquele raro colorido
E indaguei ao meu amigo ali do lado
Que pássaro gorjeante será aquele?
Porque não consegue ficar calado
Na galha do ipê, fitei os olhos nele
No dia seguinte comecei a navegar
Queria saber daquele canto, porque
Desci o rio com vontade de escutar
Aquele canto que era do sofrê
Nunca vi cantar assim tão pungente
Tão logo quando o sol desperta o dia
Por que provocar na alma da gente
Um misto de alegria, tristeza e agonia?
O pássaro sofrê parece sofrer demais
O uirapuru tinha que ser seu parceiro
Eu nem sei qual dos dois canta mais
Por que será só se deparam no viveiro?
Eu queria aprender a gorjear, chilrear
Mas pena que não sou o pássaro sofrê
Desde pequenino aprendi sonhar
Não obstante, os presságios do bem-querer.
Nota: O pássaro sofrê é chamado ainda de Corrupião, Rouxinol ou Concriz.
Icterus = pássaro amarelo (do grego, ikteros)
Pescador de ilusões
(A todos os poetas)
Busquei no tempo e no espaço
E só encontrei ilusões
Em sol e chuva me desfaço
Caio na terra em forma de garoa
Em busca da minha canoa
Muitas utopias na proa
Meu pensamento me atordoa
Sei que sou uma pessoa
Muitas vezes rindo à toa
Tentando ficar numa boa
Um pensador de ilusões
Escrevendo canções
Inventando corações
Tarrafeando invenções
Busquei no tempo e no espaço
Apesar do meu cansaço
Não desisto do que faço
Nesse jogo
Não existe embaraço
Sou um visionário que acabou
De encontrar suas visões
Decifrando suas ilusões
Vialacteano pelas amplidões.
Serviço
Vialacteano (poesia, Thesaurus), de Emerson Vaz Borges.
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Comentários
Amigo EMERSON, acredito muito em seu trabalho e meu maior desejo é que a cada dia possa realmente humanizar, não só a escola, mas o mundo inteiro através da poesia. Lembre-se: o poeta é a alma do mundo e o mundo sem alma é morto. Continue sempre vialacteano. Parabéns!
Grande abraço
Obrigado meu amigo Reis pelo belíssimo comentário, me sinto cada vez mais motivado a continuar meu trabalho, acreditando que a poesia possa trazer à tona sentimentos adormecidos nas profundezas da alma humana.Grande aperto de mão.
Nunca mais vi o Sangue de Boi
Acho que ele se foi com o cerrado…
Pássaro de corpo vermelho e asas pretas.







Você como sempre surpreendendo, parabéns!