Câmara Cassa Eurides Brito. E os Demais Envolvidos?
Quase sete meses depois do Judiciário e a PF desmontarem esquema de corrupção no Governo do DF, Eurides Brito perde mandato. É primeira parlamentar que perde o mandato entre os denunciados na Operação Caixa de Pandora. Medida ainda não afasta o fantasma da intervenção federal no DF.

Eurides Brito acondiciona massos de dinheiro de origem duvidosa na bolsa. Durval Barbosa assiste a tudo satisfeito.
Por Redação
Deputada distrital do PMDB do DF filmada recebendo maços de dinheiro na bolsa tem o mandato cassado no DF. Eurides Brito é suspeita de envolvimento com esquema suposto de corrupção no DF.
E os demais distritais envolvidos com a quadrilha do panetone, quando serão cassados? A deputada Eurides Brito já era. Por 16 votos a favor, três contra e tres abstenções, a Câmara Legislativa do Distrito Federal cassou nesta terça-feira (22) o mandato da deputada distrital Eurides Brito (PMDB).
Primeira Punição
Eurides fica sem poder disputar eleições por um período de oito anos. Ela é a primeira parlamentar cassada envolvida com o esquema de corrupção encastelado no Governo do Distrito Federal, comandado pelo ex-governador José Roberto Arruda, conforme denúncias do Poder Judiciário e da Polícia Federal.
Eurides Brito foi flagrada colocando dinheiro na bolsa, que recebeu das mãos do delator Durval Barbosa, durante a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.
Eurides, cujo mandato foi cassado numa sessão secreta – fato que gerou revolta em alguns comentaristas políticos e em certos setores da sociedade – estava afastada da Câmara por decisão judicial.

Arruda guarda dinheiro num envelope entregues por Durval Barbosa. O império da corrupção que implantou no GDF, simbolicamente, começou a ruir a partir dessa image em vídeo.
Placar
A vitória da ex-
parla
mentar foi con
seguir na Justiça uma liminar para que a votação fosse se-
creta, por isto ela não compareceu à Câmara Legislativa. A peemedebista teve o mandato cassado por 16 votos a favor, 3 contra e 3 abstenções.
Apenas um dos 24 parlamentares da Câmara Distrital não compareceu à sessão – o deputado Benício Tavares (PMDB), está afastado por motivos de saúde. Antes da votação, a maioria dos deputados presentes usou a tribuna para manifestar sua posição sobre o processo de cassação.
Quebra de Decoro
Eurides era processada por quebra de decoro parlamentar. Ela foi a primeira cassada entre os oito parlamentares investigados de participação no esquema de corrupção chamado de mensalão do Democrata (DEM-DF).
Junior Brunelli (PSC), conhecido como o deputado da “oração da propina” e Leonardo Prudente (DEM), flagrado colocando dinheiro nas meias, renunciaram ao mandato parlamentar para fugir do processo de cassação.

Vídeo da corrupção: Durval Barbosa entrega maços de dinheiro de origem duvidosa para Arruda, Junior Brunelli, Eurides Brito, Leonardo Prudente ... E quem mais?
O advogado de Eurides Brito, Jackson Domênico, declarou creditar ser possível recuperar o mandato da parlamentar na Justiça pela via judicial, mas afirmou que a decisão cabe à deputada cassada.
Vai Recorrer?
“Recorrer ou não recorrer é uma decisão da parlamentar. Tenho convicção plena de que ela pode recuperar o mandato na Justiça.” O advogado não quis comentar a origem do dinheiro que a deputada foi flagrada colocando na bolsa.
Eurides foi filmada pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal Durval Barbosa recebendo maços de dinheiro. “Não quero entrar nesses pormenores”, afirmou o advogado de Eurides, sobre o dinheiro.
Antes do Mandato

Durval Barbosa (direita, camisa vermelha) e os então deputados distritais Leonardo Prudente (atrás) e Brunelli (direita), que é evangélico e puxou a chamada"Oração da Proprina," para pedir a Deus pela saúde de Barbosa, um dos operadores do esquema de corrupção chefiado por Arruda, conforme o Poder Judiciário e a Polícia Federal.
Na defesa da parlamentar, feita em plenário antes do começo da votação, o advogado alegou que os fatos aconteceram antes de ela assumir o cargo.
“Recorrer ou não recorrer é uma decisão da parlamentar. Tenho convicção plena de que ela pode recuperar o mandato na Justiça”.
E disse mais o advogado Jackson Domenico: “Os fatos acontecerem antes de 2007, quando ela assumiu o mandato, portanto não poderiam fazer parte do processo”.
Tristeza Geral
O escândalo de corrupção no GDF explodiu no dia 27 de novembro de 2009, quando a Polícia Federal, autorizada pelo Poder Judiciário, deflagrou a Operação Caixa de Pandora.
O fato gerou uma imensa tristeza junto aos setores da sociedade do DF que exige ética na política. Exceto os partidários do esquema montado por Arruda e seus simpatizantes, Brasília parecia enlutada naquele período.
Ética na Política

Durval Barbosa, o delator do esquema de corrupção de Arruda, que resultou na operação da Policia Federal chamada Caixa de Pandora.
Em nome da ética na política e em defesa do patrimônio público, sem alardes, com base em provas de escuta telefônica e documentos, a PF vasculhou a intimidade dos envolvidos no escândalo de corrupção chefiado por Arruda, destituído do cargo pelo Tribunal Regional Eleitoral, em consequência do da falta de moralidade administrativa.
O delegado da Polícia Civil aposentado Durval Barbosa foi o delator do esquema de corrupção no governo do GDF. O mar de lama levou o então governador Arruda à prisão e à perda do mandato. O escândalo ficou conhecido como mensalão do DEM.
Imagem Não Mente
Todos sabem que uma imagem, quando não adulterada, não mente jamais. Uma imagem verdadeira vale mais do que mil palavras. Mas, apesar de ter sido gravada recebendo dinheiro, Eurides Brito sempre alegou inocência.

Deputada distrital Erika kokay, relatora do processod e cassação de Eurides Brito, por Marcos Wilson.Divulgação.
Em maio, a então deputada afirmou que não havia provas contra ela. “Eu quero ganhar e vou ganhar por falta de provas. Eu vou ganhar por falta de provas”, disse Eurides em entrevista coletiva.
Versão de Eurides
Em sua defesa apresentada à Comissão de Ética, a ex-parlamentar alegou que os maços de dinheiro mostrados no vídeo seriam do ex-governador do DF Joaquim Roriz, para pagar encontros em que Eurides teria pedido votos para ambos, em 2006. Roriz negou a versão da deputada.
Desde o dia 30 de abril Eurides estava com os bens bloqueados por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, a pedido do Ministério Público.
Indignação
A sessão com voto fosse secreto para julgar o processo de Eurides causou indignação em boa parte dos parlamentares. Érica Kokay (PT), relatora do processo de cassação na Câmara Legislativa, criticou o voto secreto: “Crime de formação de quadrilha é crime de natureza continuada,” afirmou.
Para a parlamentar petista, Eurides Brito teve assegurado o livre direito de defesa durante todo o processo. A parlamentar também lembrou do afastamento de Eurides determinado pela Justiça, bem como o bloqueio dos bens da parlamentar.
“Quando se transforma os bens da deputada em indisponíveis, se reconhece o dano ao erário público. Espero que a votação secreta não se cubra com o manto da vergonha”, afirmou a relatora.
Voto Aberto Pela Cassação
A bancada petista, formada por quatro parlamentares, anunciou antecipadamente que votaria a favor da cassação. A votação secreta começou por volta das 16h. O deputado Roberto Lucena (PR), suplente de Eurides, absteve-se de votar, por ser parte interessada no caso.
Mesmo assim, afirmou que votaria pela perda do mandato deputada. “Se eu votasse, votaria pela cassação.” Os parlamentares depositaram os votos em uma caixa branca, colocada em cima da tribuna. A votação foi coordenada pelo presidente da Câmara, Wilson Lima (PR). A votação foi por ordem alfabética.
* Leia mais sobre a cassação de Eurides Brito na sequência. E para conhecer toda a história do maior sistema de corrupção descoberto no DF, escreva a retranca Operação Caixa de Pandora no espaço à sua direita e clique OK.
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