Cinza da Solidão (15)
Por Marco Polo Haickel *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
No capítulo anterior: Comecei a dar por mim que atirava fichas telônicas na janela de Fátima, fiz sinal para que descesse. Fátima sorri acenando como se fosse me esganar, fecha a janela e a luz apaga.
Você ficou maluco de vez.
Fátima me olhava: os pés voltados, as mãos para trás… suspira e continua não acreditando em tudo aquilo. Balança a cabeça em sinal negativo, passa a mão no rosto querendo acreditar. Olha novamente…
— Sei lá, o que rola entre nós não te dá motivos para jogar pedras na minha janela. E se meu pai acordasse?
— Eu não tô nem aí pro teu pai.
— Deveria estar!
— Eu não. Ele pensa que sou louco.
— Às vezes penso que ele tem razão!
— Eu esperava escutar isso de teu pai, menos de você.
— Não sei por quê? – abrindo a portaria, e vindo atrás.
— Você sabe…
— Eu não sei de nada!
— Sabe sim…
— Eu? Euzinha, não sei até agora do que você está falando…
— Porra, Fátima! Eu te amo!
— E daí, eu não sei de nada.
— É assim, maldita hora… Quer saber duma coisa: vai pro inferno!
— Eu vou mesmo. Vou pro meu quarto.
— Não, não vai não! Desculpa aí, vai… Vamos sair daqui? Vamos por aí…
E o frio já não fazia diferença. Já estávamos abraçados e matando a saudade… apertava-lhe contra meu peito, nossos corpos se entrelaçavam rolando pelo chão da sala do meu apartamento.
No próximo capítulo: A turma se reúne no bar. Zinho fala do vídeo que Alenca está fazendo pra participar do Festival de Cinema de Brasília e Alenca pede ao Dérick uma trilha sonora para o filme.
* M.P. Haickel é poeta, escritor, professor e produtor cultural maranhense radicado em Brasília (DF). Entre outros, é autor de Poemas Apócrificos, O Amor de Mariano e Cinza da Solidão, os dois últimos publicados pela Thesaurus.
Serviço
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.


Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo