A Falência das Centrais de Abastecimento Agrícola no Brasil
As Ceasas foram criadas para servir ao produtor rural, com a venda de frutas, legumes, verduras a preços acessíveis ao consumidor. Mas estão desvirtuadas.
Por Eustáquio Ferreira *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
Há quase 40 anos atrás foram criadas Ceasas em todas as maiores cidades do país. Seriam Centrais de Abastecimento. A implantação da Ceasa tinha o propósito de facilitar o acesso do produtor ao mercado, disponibilizar serviços tais como crédito, assistência técnica, insumos, espaço para armazenamento, comercialização dos produtos etc.
Tinha também o propósito de criar novas redes de comercialização e quebrar o monopólio de atravessadores que provocava a carestia e a inflação.
A Ceasa de Brasília tinha ampla área e equipamentos necessários. Por muito tempo a população local foi à Ceasa aos sábados e domingos para se abastecer de frutas e verduras.
A Ceasa foi descaracterizada e o produtor não tem mais espaço ali. Seu terreno foi tomado por todo tipo de atividade, loteado que foi pelos governos anteriores.
As “feiras livres” das cidades satélites deixaram de ser feiras e foram tomadas por bares e lojas de roupas, calçados e produtos importados. São raras as bancas que vendem frutas e verduras, farinhas, rapaduras ou outros produtos de característica popular ou de produção artesanal.
Em torno do Distrito Federal há um número significativo de assentamentos e de chácaras isoladas que produzem alimentos relacionados com os hábitos alimentares das diversas regiões do país.
São produtos buscados avidamente em eventos tais como a VII Feira Nacional de Agricultura Familiar realizada recentemente na Concha Acústica.
Entretanto, os nossos produtores, do DF e do Entorno, não encontram espaço para comercializar a sua produção. Mesmo aqueles que produzem bens consagrados como o mel ou o ovo têm dificuldade em vendê-los.
A criação de espaços de comercialização e a organização destes pequenos produtores em cooperativas de produção e de comercialização permitirão o aumento da renda das populações assentadas e da oferta de bens aos moradores do DF, reduzindo a importação de alimentos e fortalecendo a economia do DF e do Entorno. Um bom programa para o próximo governo.
* Eustáquio Ferreira é arquiteto pós-graduado em Administração.
Serviço
http://ambienciabrasilia.blogspot.com
eustaquioferreirasantos@gmail.com
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