Novos Desafios Para os Centros Urbanos
Cidades européias aderem ao pacto de redução da produção de carbono até 2020
Por Carolina Cabral Murphy
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
Em cerimônia realizada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, com a participação do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso e o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, os prefeitos e funcionários de mais de 500 cidades assinaram a última rodada do Pacto dos Prefeitos, comprometendo-se a realizar uma série de medidas para a redução de emissões de gases de efeito estufa pela administração destas capitais. As últimas cidades a aderirem à aliança incluem Zagreb, Hamburgo, Munique, Aberdeen e centenas de cidades da região, na Espanha e Itália.
A última rodada de assinaturas possui o apoio de mais de 1.600 cidades, de 36 países e abrange o equivalente a 120 milhões de cidadãos da Comunidade Européia. O comissário europeu para a energia, Günther Oettinger, saudou a aliança como “um elemento-chave” na mudança da estratégia climática para a União Européia (UE).
De acordo com dados da própria UE, os centros urbanos são responsáveis por 80 por cento do consumo de energia da Europa e por mais da metade das emissões de carbono. Por isso, o objetivo principal deste acordo é elevar o número de cidades comprometidas com a diminuição do impacto ambiental. Sob os termos deste pacto, os prefeitos assumem um compromisso formal de pelo menos corresponder ao objetivo de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 20 por cento até 2020.
Um dos pilares deste compromisso envolve a produção de planos de ação para mais as mais de 1.600 cidades signatárias, eventualmente, reduzirem as suas emissões de CO2. Tais planos envolvem o compromisso com medidas de redução de consumo de energia elétrica, água e materiais não recicláveis entre diversos escalões de administradores públicos e funcionários. O acordo também prevê um mecanismo para aprimorar a utilização de serviços de reciclagem do lixo eletrônico, orgânico e tóxico destas comunidades.
Os resultados dessas mudanças na administração pública irão refletir tanto em uma redução de custos operacionais quanto em uma nova matriz de gestão sustentável, que estará treinando funcionários das prefeituras de acordo com normas ambientais e princípios de gestão da sustentabilidade. É bem provável que as bases deste acordo irão impulsionar investimentos tanto em novos projetos de energia renovável para áreas urbanas, quanto para as áreas de aquecimento urbano, e ainda, para os antiquados sistemas de reaproveitamento dos resíduos de energia e reciclagem de lixo em geral.
Ao final da reunião, o comissário de energia, Günther, também ressaltou que “Regiões e cidades estão demonstrando que a mitigação das alterações climáticas é uma das melhores estratégias para uma recuperação econômica”. Em entrevista coletiva ele também acrescentou que “o investimento na redução das emissões de CO2 e na eficiência energética cria postos de trabalho que, pela sua natureza são locais e não podem ser deslocados para outras regiões”.
* Carolina Cabral Murphy é pesquisadora da Columbia University e fundadora da MicroEmpowering Inc com sede em Nova York (EUA). E-mail: acm2134@columbia.edu
Serviço
Carolina Cabral Murphy tem mais de 10 anos de experiência em gestão de organizações, tanto públicas quanto privadas. Conduziu projetos de pesquisa para a Dalberg Global Advisors e para o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) no Brasil e nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira atuou no Rio de Janeiro (Brasil), São Paulo (Brasil), Houston (EUA), Theoule Sur Le Mer (França), Nova Delhi (Índia), Daka (Bangladesh) e atualmente trabalha em Nova York (EUA).
Carolina é Bacharel em Administração de Empresas e Relações Internacionais pela PUC-Rio. Completou seu Mestrado em Desenvolvimento Econômico e Político na Columbia University (Escola de Assuntos Públicos e Internacionais – SIPA), onde atuou como professora assistente no Instituto de Estudos Latino-Americanos e recebeu o Walter N. Maguire Fellowship. É membro da Asia Society, do Council of the Americas, Broads 85 e da AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência).
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