Com a Cara do Zé do Caixão

Liz Marins, com o pai. o cineasta José Mojica, por g.filmes.seed.pr.gov.br

Por Orlando Muniz *

Especial Para Nós – Fora dos Eixos

O Congresso Nacional e principalmente a Câmara dos Deputados, pode ficar ainda mais animado na próxima legislatura, caso se confirmem as eleições de alguns candidatos, digamos, mais engraçados que o normal. São humoristas, trapezistas, engolidores de faca, jogadores de futebol, artistas de teatro e televisão, enfim gente animada que resolveu deixar de lado esse egoísmo bobo que cerca a maioria dos mortais e colocar a experiência e o amor pelo próximo em favor das causas públicas.

Chego a ficar arrepiado com tanto desprendimento e com tanta dedicação. É uma questão de amor direto pelo voto e nada, absolutamente nada de vinculação a salários, mordomias, holofotes, Big Brother e ótras cositas más.

Olhando com calma a lista de candidatos do TSE, em alguns casos a impressão que se tem é que aqueles nomes saíram do elenco do último filme do José Mogica Marins, o Zé do Caixão, tamanha a criatividade e falta de gosto. Existe de Zé Ruela a Boca de Coca.

De Mulher Melancia a Tiririca. Convenhamos, os nomes e as caras podem ser horrorosos, mas se essa turma receber o sufrágio universal de alguns brasileiros, a certeza que temos é que o espetáculo estará garantido.

É chocante? É duro de engolir? É, mas são coisas da democracia e por conta dela temos que acolher o que vem das ruas, mesmo que não nos agrade, mesmo que venha com odor e já cheirando a velho e surrado, mas essa será a vontade popular e contra ela nenhum reparo.

Como tudo tem limite a única possibilidade de um nariz torcido pode ser em face de que alguns podem ter ido para a farra em 2 de outubro e na hora de votar no dia seguinte a ressaca brava decorra daquela mistura devastadora de neurônios com Engov e aí o resultado não podia ter sido outro. Mas aí já passa a ser uma questão para a Lei Seca e talvez até para a novíssima  lei da Ficha Limpa, uma vez que uns e outros podem na hora H fazer o que não deve ser feito em frente ao mesário.

Sigamos neste calvário democrático, acreditando que os animados candidatos ainda poderão nos brindar com momentos de sofreguidão, paz espiritual e inteligência no horário eleitoral, é tudo uma questão de tempo e de ouvidos atentos para receber de graça o que essa rapaziada destemida tem a oferecer. É só esperar!

*Orlando Muniz, escritor, procurador federal, é autor dos livros Máscaras da Palavra (contos) e Armazém Brasil (crônicas), ambos publicados pela Thesaurus Editora.

Serviço

www.thesaurus.com.br




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