A Valquíria de Nilce
A escritora mineira Nilce Coutinho Guerra publicou livro de contos e crônicas muito interessante, cujo título é simplesmente Valquíria.
Por João Carlos Taveira *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
A escritora mineira Nilce Coutinho Guerra vem de publicar um livro de contos e crônicas muito interessante, cujo título é simplesmente Valquíria. São histórias desentranhadas da mais pura mineiridade, com seu genuíno e inconfundível modus vivendi. Todos os textos do livro, de ficção ou não, estão calcados no jeito de ver as coisas e principalmente naquele gostoso modo de falar das pessoas simples das Gerais, tão caro a nós, mineiros, espalhados por esses brasis afora…
Não pense o leitor que a personagem Valquíria, que também dá título ao primeiro conto do livro de Nilce, tenha ares mitológicos ou metafísicos. Não. Trata-se de uma empregada doméstica que fala pelos cotovelos, ativa e observadora, mas de carne e osso como qualquer personagem que povoa nosso imaginário e — et pour cause — com o qual nos defrontamos cotidianamente. Basta uma rápida olhada na capa para entender perfeitamente do que se está falando.
O volume reúne histórias as mais diversas, narrativas geralmente curtas e bem sintéticas no seu processo arquitetônico, no tocante à linguagem e ao estilo. Ou seja, um livro para ser lido com prazer e descontração.
Nesse livro equilibrado, além do conto já referido, podemos citar aleatoriamente outros títulos de contos de destaque não menos sedutores, como “Troca de telhas”, “Boas vizinhas”, “Sinfonia familiar”, “Dona Cilene”, “Irene”, “Dentro da noite”, “O sonho de um caipira”.
Autora de uma obra já madura, que conta com quatro livros publicados e diversas participações em antologias, Nilce Coutinho Guerra, além de artista plástica, estudiosa do nosso folclore e professora de formação, revela-se uma exímia contadora de histórias, mas sem aquele didatismo pedante ou intelectualismo vazio, tão comuns nos dias atuais. Sua escrita é simples e direta, exibindo-se apenas na destreza do modo de contar. Aquilo em que Graciliano Ramos tanto insistia: “literatura é carne, é sangue” e “um bom escritor é aquele que escreve sobre aquilo que conhece”.
Nilce Coutinho Guerra, mineira de Bom Despacho — terra do grande engenheiro e físico Paulo Gontijo e de outros luminares das artes e da política brasileiras —, sabe que o fazer literário é um sacerdócio, cuja entrega exige conhecimento, pesquisa e abnegação. E sabe que a literatura tem hoje mil e um concorrentes diretos e indiretos. Mas o mais cruel dos inimigos esconde-se na sombra e se chama silêncio.
Com apoio do FAC da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal, a Thesaurus Editora ficou encarregada de realizar o trabalho de edição do livro, que saiu em janeiro de 2010 e traz prefácio do poeta José Santiago Naud,
seduzido como eu pelos “causos” e histórias de Nilce Coutinho Guerra. A impressão e o acabamento estão impecáveis, o que torna o volume também muito agradável aos olhos e, sobretudo, ao contato de nossas mãos. Boa leitura.
Brasília, agosto de 2010.
*João Carlos Taveira, poeta, revisor, autor, entre outros, de Arquitetura do Homem (poesia), pela Thesaurus Editora.
Serviço
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Menezes, obrigado pela publicação da minha resenha sobre a escritora Nilce Coutinho Guerra. Parabéns pelo seu trabalho. Taveira