Anderson Braga Horta, Poeta Maior

Anderson Braga Horta lançou o livro Signo – Antologia Metapoética (Thesaurus Editora, 2010). Trata-se de poeta maior, na verdadeira acepção da palavra.

O poeta Anderson (Salomão Sousa ao centro), amigos prestigiam lançamento de Signo. Por Victor Tagore.

Por Francisco Carvalho

Especial Para Nós – Fora dos Eixos

Anderson Braga Horta – Signo: Antologia Metapoética (Thesaurus Editora, 2010). Trata-se de poeta maior, na verdadeira acepção da palavra. E não se diga que o elogio é excessivo, pois quem já leu os versos do poeta mineiro está convencido de que se trata de poesia da mais alta categoria.

Seus livros de poemas e os de ensaio o colocam na primeira linha da literatura brasileira contemporânea. Poucos terão atingido o nível conceitual a que sua poesia tem direito. Nenhum exagero em afirmar que ABH se coloca entre os mais altos poetas de sua geração. Não lhe falta razão quando escreve que “o poema nasce do conúbio das palavras no coração do poeta” (p. 238).

Seu livro de poemas impressiona pelas qualidades literárias, gráficas e pelas ilustrações da capa. Os encontros e desencontros da vida são analisados criteriosamente nos sonetos e metapoemas, como se pode ver destes versos: “Os homens roem a vida / que os roerá mortos” (p. 51).

Anderson autografa para o poeta José Roberto da Silva.Por Victor Tagore.

Em versos longos ou breves, o poeta nos brinda com poesia de primeira qualidade: “O melhor de mim / está solto no vento. / Mãos, raízes, searas / e outras nuvens que invento” (p. 72).

O poeta não aplaude a poesia que desintegra: “Hoje a poesia é uma bomba atômica / desintegrando a linguagem” (p. 87). Querem transformar a poesia num celeiro de palavras sem sentido. O poeta insiste em dizer que “A poesia nunca foi / nem será nunca / um produto industrial” (p. 87).

Tudo lhe parece possível no universo poético, até mesmo um “Poema sem forma / como flor que se abre no peito” (p. 138). Mas os olhos do poeta vêem coisas que os pragmáticos não enxergam, como por exemplo: “Súbito na treva / uma rosa fria / nos meus olhos neva” (p. 156). Mas é preciso dizer que o poeta é o homem que “carrega a noite nos ombros” (p. 164). Porque sabe que a noite é uma povoação de estrelas.

“Eu tenho um sonho. / E porque tenho um sonho / sou homem” (p. 168). Sonhar, para o poeta, não é coisa para preguiçosos ou desocupados. É coisa de homem. Na página 161, ABH nos presenteia com um dos mais belos poemas do livro, com o título de Coisa e Palavra.

Admiradores (Victor Tagore à direita) da poesia de Anderson mostram a capa de Signo. Divulgação.

A beleza poética tem várias dimensões. O leitor precisa estar atento para esse fato. Na página 177, o coração não é apenas um relógio de areia que bate as horas do amor. É muito mais que isso. “O coração estende as asas / e voa pela janela”. Esses dois versos são uma resposta para aqueles que não acreditam em poesia.

ABH tem completo domínio sobre as alternativas literárias. No verso livre ou no verso medido, revela profundos conhecimentos das estruturas poéticas. Sua riqueza de palavras, poucas vezes vista na poesia brasileira de todos os tempos. Convicto do seu lirismo, canta as apoteoses do amor nestes versos de concisão admirável: “Quando chegar o tempo do Homem / Te cantarei os seios róseos, / Viajarei, lírico astronauta, / Às constelações de teus olhos” (p. 62).

Na contracapa do livro, ABH faz uma síntese admirável dos fatos mais importantes por ele narrados desde os primeiros poemas, passando pelo simbolismo e as tendências das ideologias sociais “até o formalismo das vanguardas”.

A poesia continua resistindo às investidas dos tempos modernos quando os triunfos da tecnologia, cada vez mais assombrosos, desviam as preferências dos leitores para outros assuntos.

Não é novidade que a poesia vem perdendo admiradores pelas singularidades de sua natureza, mas nem por isso deixa de ser uma opção honrosa para gregos e troianos. A poesia fecha as portas à objetividade, que desenvolve uma linguagem à altura das coisas materiais.

Por derradeiro, todos os elogios à beleza dos sonetos de Anderson Braga Horta, mestre incontestável desse poema de catorze versos. Seus sonetos, rigorosamente metrificados ou em versos brancos, são verdadeiras obras de arte.

Só um poeta maduro seria capaz de uma proeza desse teor.

Serviço

Anderson Braga Horta – Signo, Antologia Metapoética (Thesaurus Editora, 2010).

www.thesaurus.com.br




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