Um Monólogo em Nome da Paz

A poeta e professora Manuela Castelo Branco e Tatiana Carvalhedo escreveram o monólogo Da Paz, que a comunidade cultural de Brasília pode conferir com a publicação do texto em livro, pela Thesaurus Editora.

A palhaça Matusquela, por divulgação.

Por Redação

Manuela Castelo Branco e Tatiana Carvalhedo escreveram e Francis Wilker dirigiu o monólogo Da paz, em cartaz no Sala Adolfo Celli (Casa D´Itália). Tatiana Carvalhedo interpreta a estressada Maria da Paz.

Manuela, que também é autora de livro de poesia para criança, desta vez experimenta uma linguagem diferente, a comédia, com uma visão toda particular do gênero. Ela assegura que o tratamento que deu ao seu texto é diferente das comédias que se conhece.

Comédia

“Comédia não precisa ser escrachada para fazer rir nem violenta para ser provocativa,” afirmam as autoras por meio de nota divulgada à imprensa. Manuela também trabalha como atriz, ao lado da parceira.

Diz o texto de divulgação; “No Monólogo Da Paz, as dramaturgas e atrizes Manuela Castelo Branco e Tatiana Carvalhedo (que dá vida à personagem) buscam esse equilíbrio para mirar em alguns dos desafios da mulher contemporânea, que vive pressionada pelo chefe, o filho, a magreza, o marido, a TPM.”

Paz, formatohibrido.zip.net

Diz o texto divulgado pela produção da comédia. “Escrito a quatro mãos, o texto confronta o discurso estéril da paz interior com a prática do corre-corre diário de uma mulher que mal consegue conversar com a mãe sem ser interrompida várias vezes pelo celular.”

Raiva contida

“Metida em um taillerzinho pink justo, a atriz de 32 anos está à vontade no corpo da personagem — que obviamente está a ponto de implodir de tanta raiva contida, e que segue todo o tempo defendendo o discurso do manter o controle, ter calma, rir de tudo, blabla-blá.”

“A peça não dura mais que 50 minutos, mas exige fôlego da atriz — que demonstra experiência e domínio de cena.”

Manuela Castelo Branco, por antoniomiranda.com.br

“Nada contra as práticas meditativas, mas não faz sentido não termos mais tempo para as pessoas que mais amamos”, diz Tatiana, que criou a personagem em 2006. A ideia do tema nasceu quando a atriz resolveu fazer uma performance para um evento sobre a paz e percebeu o quanto era difícil mantê-la na vida cotidiana.

“Vi-me completamente louca no trânsito e não sou só eu. O mundo inteiro está assim”, aponta. “Maria da Paz é a contradição ambulante”, resume Manuela, 33 anos, co-autora da peça que ela define como “comédia nervosa ou uma peça nervosamente cômica”.

Relações esvaziadas

“O cenário — todo branco e vazio — também conversa com o tema, que esbarra no esvaziamento das relações. Na maior parte do tempo a plateia se sente confortável com o tom irônico e politicamente incorreto do texto. A peça termina deixando um sentimento de final feliz não óbvio, mas de construção e escolhas individuais.”

“E Tatiana Carvalhedo encarna Da Paz com recursos técnicos, sensibilidade e carisma, A direção é sutil. Acostumado a dirigir peças do grupo Teatro do Concreto com mais de 20 atores em cena e em locais abertos, Francis Wilker, de 31 anos, encena pela primeira vez um texto que dialoga com a cultura de massa.”

“Ele não é besteirol, mas tem elementos dele. É uma peça política e irônica ao mesmo tempo”, avalia o diretor, para quem foi enriquecedor dirigir um monólogo, estilo que exige muita concentração do ator.

Desafio

“Ela não tem com quem dialogar em cena; isso é um desafio imenso,” assegura. O diretor também encantou as autoras. “Ele trouxe novidades na direção e no texto. E é de uma generosidade muito rara”, elogia Tatiana, que demorou dois anos na captação de recursos para a montagem.

Além da peça, as autoras escreveram um livro com textos inéditos e cenas da montagem. A publicação Da Paz, provocações cênicas e outros escritos está à venda na porta do teatro e nas livrarias por R$ 15.

Serviço

Da Paz, de Tatiana Carvalhedo e Manuela Castelo Branco.

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